.

.
Clique na imagem acima para acessar nossa nova página no Facebook e interagir com outros leitores e comigo

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Um Ofício Contemporâneo da Santa Comunhão


Nota: Este ritual pressupõe que o Ofício da Palavra (Entrada, Proclamação e Resposta, e as Orações) tenham precedido o Convite à Mesa do Senhor.


Convite à Mesa do Senhor

Venham à Mesa do Senhor,
todos vocês que o amam.
Venham à Mesa do Senhor,
confessem seu pecado.
Venham à Mesa do Senhor,
estejam em paz.

Confissão de Pecado

Nós não temos acreditado em Ti nem confiado em teu poder.
Senhor, salva-nos de nossa descrença.

Silêncio.

Manchamos nossas almas por nossas ações e falta de ação.
Limpa-nos, Senhor.

Silêncio.

Estamos feridos por doença, machucados pelos pecados de outros, enfraquecidos e incapazes de nos consertarmos.
Cura-nos, Senhor.

Silêncio.

Ignoramos teu chamado para centrarmos nossas vidas em Ti, e assim estamos surdos para as esperanças e choros dos pobres, dos doentes, dos necessitados, e da Terra.
Centra-nos, Senhor.

Silêncio.

Quando confessamos nossos pecados, Deus abundantemente perdoa.
Em nome de Jesus Cristo, vocês estão perdoados.
Em nome de Jesus Cristo, estamos todos perdoados. Glória a Deus!

Por um Espírito somos todos batizados em um corpo.
Que busquemos, então, a paz e construamos nossa vida comum.

A paz de nosso Senhor Jesus Cristo esteja sempre com vocês!
E contigo também.

A Saudação da Paz é oferecida.

Ação de Graças e Comunhão

O Senhor esteja com vocês.
E contigo também.

Elevem os corações.
Ao Senhor os elevamos.

Demos graças ao Senhor nosso Deus.
É justo louvar-te, Senhor.

É justo e bom que sempre e em todo lugar demos graças a Ti, ó Pai e Mãe de amor, Criador do céu e da terra. Do nascer ao pôr do sol teu nome é louvado dentre todos os povos.
Portanto te louvamos, juntando nossas vozes às do teu povo sobre a Terra e às vozes de toda a multidão celestial, que cantam este hino em louvor de teu nome:

Santo, Santo, Santo, Senhor Deus do Universo.
Os céus e a terra estão plenos da tua glória.
Glória te seja dada, ó Senhor Altíssimo.
Hosana nas alturas.
Bendito o que vem em nome do Senhor.
Hosana nas alturas.

Tu és santo, ó Deus!
Bendito sejas para sempre, nosso Pai e Mãe de amor!
Em teu poder criaste todas as coisas, e as abençoaste.
Chamaste para ti um povo
Para tornar tua misericórdia e verdade conhecida a todo o mundo.
Nós traímos teu chamado;
Tu foste fiel.
Nos afastamos do caminho;
Tu nos chamaste de volta, e nos levaste para casa.

E ainda assim nos afastamos de teus caminhos,
abusamos de tuas criaturas,
e nos tornamos escravos do pecado e da morte.

No tempo certo,
enviaste um homem simples e humilde
para trazer boas-novas aos pobres, doentes, e excluídos.
Ele comeu com aqueles que eram discriminados,
e ensinou o caminho que leva à vida.

Ele foi odiado por aqueles que desejavam o poder,
e sofreu as conseqüências por viver aquilo que ensinava.

Na noite em que foi traído, Jesus tomou o pão, o abençoou, partiu e deu aos seus amigos e disse: “Este é o meu corpo que é dado por vocês. Façam isto em memória de mim”.
Ele fez o mesmo com o cálice depois da ceia, dizendo: “Este cálice que é derramado é a nova aliança em meu sangue”.

Bendito Deus, nos lembrando de tudo o que fizeste para nos guiar, nos oferecemos a ti em louvor e ação de graça, unidos a Cristo, proclamamos o mistério de nossa fé:

Cristo veio entre nós.
Cristo vive conosco.


Derrama teu Espírito sobre nós.
Derrama teu Espírito sobre nós.
Derrama teu Espírito sobre estes dons.
Derrama teu Espírito sobre estes dons.
Torna estes dons o corpo e sangue de Cristo.
Nos torna, por meio deles, o corpo vivo de Cristo no mundo.

Abba, Pai!
Venha o teu reino!

Glória a Ti!
Glória a Ti!

Partir do Pão

Distribuição do Pão e do Cálice

Pós-Comunhão


Senhor, tu libertaste teus servos para irem em paz como prometeste. Pois nossos olhos viram o Salvador que preparaste para que todo o mundo visse. Benção e honra e glória são tuas, agora e para sempre. Amém.


Despedida


Vocês viram o Salvador. Vão agora em paz.
E a benção daquele que é nosso Pai e Mãe vá com vocês.
Amém.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

As Teses do Bispo John Shelby Spong


1. O Teísmo, como uma forma de definir Deus, está morto. Desta forma, a maior parte da linguagem teológica a respeito de Deus não faz sentido hoje. Uma nova forma de falar a respeito de Deus deve ser encontrada.


2. Já que Deus não pode ser mais concebido em termos teísticos, não faz sentido tentar entender Jesus como a encarnação de uma deidade teística. Sendo assim, a Cristologia dos séculos está falida.


3. A narrativa bíblica da criação perfeita e acabada da qual os seres humanos caíram no pecado é mitologia pré-Darwiniana, e absurdo pós-Darwiniano.


4. O nascimento virginal, entendido como biologia literal, torna a divindade de Cristo, como tradicionalmente compreendida, impossível.


5. As narrativas de milagres do Novo Testamento não podem mais ser interpretadas num mundo pós-Newtoniano como eventos sobrenaturais realizados por uma divindade encarnada.


6. A visão da cruz como um sacrifício pelos pecados do mundo é uma idéia barbárica baseadas em conceitos primitivos de Deus, e devem ser abandonadas.


7. A Ressurreição é uma ação de Deus. Jesus foi ressuscitado no significado de Deus. Não pode, desta forma, ser uma ressurreição física ocorrida na história humana.


8. A narrativa da Ascensão supõe um universo de três dimensões, e não é desta forma, capaz de ser traduzida nos conceitos pós-copérnicos da era especial.


9. Não há nenhum padrão externo, objetivo, revelado em escritura ou tábuas que governarão nosso comportamento ético por todos os tempos.


10. Oração não pode ser um pedido feito a uma divindade teística para agir na história humana de uma maneira específica.


11. A esperança de vida após a morte deve ser separada para sempre da mentalidade de controle de comportamento de recompensa e punição. A igreja deve abandonar, então, sua dependência na culpa como um motivador de comportamento.


12. Todos os seres humanos representam a imagem de Deus e devem ser respeitados pelo que são. Desta maneira, nenhuma descrição externa de um ser, seja baseado na raça, etnia, gênero ou orientação sexual, pode apropriadamente ser usada como base para rejeição ou discriminação.




John Shelby Spong, nascido em 16 de junho de 1931 em Charlotte, Carolina do Norte, Estados Unidos, é bispo aposentado da Diocese Episcopal de Newark (Newark, Nova Jersey). Ele é um teólogo liberal, biblicista, escritor e comentador religioso. Ele promove causas tradicionalmente liberais, como a igualdade racial e os direitos de mulheres e gays e lésbicas. Ele também clama por uma reavaliação da fé cristã, longe do teísmo e da crença na vida após a morte como recompensa ou punição pelo comportamento humano.

Salvação?!... Alguém?!

Eu fico perplexo, cada vez mais, com o espírito “de êxodo da realidade” que existe entre nós cristãos. O Cristianismo – como entendido pela maioria dos cristãos aqui em terras tupiniquins – é uma entidade especializada em prometer prêmios gloriosos numa suposta vida pós-terrena àqueles que se submetem a seus credos e confissões; e a abandonar a vida aqui e agora, num movimento de êxodo da realidade, virando as costas à necessidade de “salvação” que temos aqui mesmo.

O empenho em declarar com todo o vigor a “mensagem evangélica” de uma suposta salvação após a morte – o que não deixa de ser admirável – parece cegar-nos para a salvação que os humanos necessitam agora mesmo.
O nosso mundo está morrendo. E esta morte não é causada pela descrença de não-cristãos. Ela é causada parcialmente pela colaboração que os cristãos dão aos “assassinos” que estão espalhados pelo mundo.

Crianças morrem em todo o planeta de fome, e por falta de acesso às mínimas condições de vida. Garotos são levados pela máquina da violência, em decorrência de sua falta de oportunidades – aqui mesmo em nossas cidades. Garotas são carregadas pelos contrabandistas de seres humanos para serem escravas sexuais em várias partes de nosso país e do mundo. Mulheres ainda são vistas como inferiores pelos homens, e tratadas como tais. Pessoas de orientações sexuais ou identidades de gênero não consideradas “normais” ainda são espancados e assassinados pelos ditos “normais”. Os imigrantes de países vizinhos (como a Bolívia, por exemplo) ainda são semi-escravizados pelos donos de fábricas de roupas no centro da Cidade de São Paulo. Os habitantes do Sertão nordestino ainda sofrem pela falta de água, alimento e oportunidades, e pelo total descaso das autoridades estabelecidas.

E o que nós fazemos a respeito disso? Sentamos em bancos confortáveis em nossas igrejas, pregando a respeito de uma vida gloriosa que teremos com Deus depois desta vida! Cerramos nossos olhos frente a todas as injustiças e equívocos de nossa sociedade superficial, e de nossa religião burguesa!

O nosso mundo está morrendo! O aquecimento global está fazendo com que as calotas polares derretam, e há partes de nosso planeta sendo tragadas pelas águas dos oceanos. Os gases emitidos por nossos veículos e pelas indústrias que fabricam muitas das coisas que trazemos para dentro de nossos lares estão destruindo o que nos resta do ar que precisamos para viver. Animais silvestres ainda são armazenados como propriedade particular em nosso país, e maltratados... E a lista é infindável!

Não deixo de pensar nas palavras que se tornaram o lema da comunidade da qual sou o ministro: “Ó homem, já foi explicado o que é bom e o que o Senhor exige de você: praticar a justiça, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus.” (Miquéias 6:8)

A salvação é algo que pode ocorrer agora mesmo. A realização do reino de Deus é algo que deve acontecer hoje. Quando percebermos que é nossa obrigação defender a integridade da vida de todos os seres humanos – independentemente de eles acreditarem nas mesmas coisas que nós ou não -, quando nos dermos conta que é nossa responsabilidade cuidar do planeta que habitamos e de toda a sua vida, então estaremos anunciando uma mensagem capaz de transformar vidas. Estaremos, realmente, anunciando Boas Novas ao mundo.

Paz a todos!

Rev. Gibson da Costa

Uma Oração


DEUS DE TODOS OS POVOS

Deus de todos os povos,
Tu és nossa plenitude, nosso amor, nossa paz.

Nos chamaste à tua Igreja para falar muitas línguas em uma só voz:
Por meio de teu Espírito nos juntamos.
Por meio de teu Espírito somos abençoados.
Por meio de teu Espírito nos tornamos um.

Ouve nosso louvor a ti – unidos na única língua do coração.
Eleva nossos corações a teu amor resplandecente.
Liberta-nos do medo. Transforma nossa timidez.
Nos torna o povo de tua extravagante hospitalidade.
Abre nossos braços.
Expande nossas esperanças com respeito à tua visão para o amanhã.

Deus de todos os povos,
Tu és nossa plenitude, nosso amor, nossa paz.
Em Cristo, somos irmãs e irmãos.

Graças a Deus. Amém!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

LIBERDADE ESPIRITUAL (Extratos)

O todo-sábio Árbitro se satisfez em nos cercar desde o nascimento de dificuldades e seduções, em nos colocar em um mundo onde o mau procedimento é frequentemente lucrativo, e o respeito é duro e perigoso, onde muitos vícios opõem-se aos ditames do controle interior, onde o corpo pressiona como se fora um peso sobre a mente, e a matéria, por sua perpétua ação sobre os sentidos, se torna uma barreira entre nós e o mundo espiritual. Estamos em meio a influências, que ameaçam o intelecto e o coração; e ser livre é resistí-las e conquistá-las.

Chamo de livre aquela mente que domina os sentidos, que se protege contra apetites animais, que despreza o prazer e a dor em comparação com sua própria energia, que penetra o corpo e reconhece sua própria realidade e grandeza, que percorre a vida, sem perguntar o que comerá ou beberá, mas tendo fome e sede de justiça.

Chamo de livre aquela mente que foge da prisão da matéria, que em vez de parar no universo material e torná-lo um muro de prisão, vai além dele rumo ao seu Autor, e encontra nas assinaturas radiantes que em todos os lugares dão testemunho do Espírito Infinito, e que ajuda sua própria iluminação espiritual.

Chamo de livre aquela mente que ciosamente guarda seus direitos e poderes intelectuais, que não chama nenhum ser humano de 'mater', que não se contenta com uma fé passiva ou hereditária, que abre-se à luz de onde quer que venha, que recebe novas verdades como um anjo vindo do céu, que, enquanto consultando outros, consulte ainda mais o oráculo dentro de si mesma, e use instruções de fora, não para suplantar mas para avivar e exaltar suas próprias energias.

Chamo de livre aquela mente que não põe limites ao seu amor, que não é aprisionada a si mesma ou a uma seita, que reconhece em todos os seres humanos a imagem de Deus e os direitos de seus filhos, que se deleita na virtude e se condói do sofrimento onde quer que ele seja visto, que conquista o orgulho, o ódio, e a preguiça, e se oferece como uma vítima à causa da humanidade.
Chamo de livre aquela mente que não é passivamente emoldurada por circunstâncias externas, que não é varrida pela torrente de eventos, que não é a criatura de impulsos acidentais, mas que dirige os eventos para seu próprio melhoramento, e age movida por uma fonte interior de princípios imutáveis que ela deliberadamente abraçou.

Chamo de livre aquela mente que por meio da confiança em Deus e no poder da virtude, se despiu de todo medo, com exceção do medo de agir de forma errada, que nenhuma ameaça ou perigo pode escravizar, que é calma em meio aos tumultos, e que se possui mesmo que todo o resto esteja perdido.

Chamo de livre aquela mente que resiste à escravidão do hábito, que não se repete mecanicamente e copia o passado, que não vive de velhas virtudes, que não se escraviza a regras precisas, mas que esquece o que passou, ouve admoestações novas e mais elevadas da consciência, e se regozija com esforços novos e mais elevados.

Chamo de livre aquela mente que é zelosa de sua própria liberdade, que se protege contra ser fundida com outras, que guarda seu império sobre si mesma como sendo mais nobre que o império do mundo.

Finalmente, chamo de livre aquela mente que, consciente de sua afinidade com Deus, e confiando em suas promessas por meio de Jesus Cristo, devota-se fielmente ao desenvolvimento de todos os seus poderes, que ultrapassa os limites do tempo e da morte, que espera avançar para sempre, e que encontra poder inesgotável, na ação e no sofrimento, na perspectiva da imortalidade.

Tal é a liberdade espiritual que Cristo veio dar. Ela insiste na força moral, no auto-controle, no alargamento do pensamento e da afeição, e na livre ação de nossos melhores poderes. Este é o bem maior do Cristianismo, e não poderíamos conceber um maior no dom de Deus. Sei que para muitos, isto parecerá um bem muito refinado para ser proposto como a grande finalidade da sociedade e do governo. Mas nosso ceticismo não pode mudar a natureza das coisas. Sei o quão pouco esta liberdade é compreendida e desfrutada, quão escravizados os homens estão aos sentidos, à paixão, e ao mundo; e eu sei, também, que esta escravidão os torna infelizes, e que enquanto ela durar nenhuma instituição pode trazer-lhes felicidade.
William Ellery Channing
"Liberdade Espiritual", 1830
(Extratos)

Um Pensamento de James Freeman Clarke

"Crê em Deus como Jesus creu nele, não meramente como uma força distante, inescrutável, desconhecida, não apenas como a base desconhecida de todo ser, mas como a vida na vida, o amor dentro de teu coração. Ele é o criador fiel, que toma conta de tudo o que fez. Ele não permitirá que um único átomo do universo material pereça. Ele não permitirá que uma partícula de força desapareça. Ele conserva força e matéria, e que dirá das almas que ele fez capazes de amá-lo e serem amadas por ele? Cada alma, não importa quão imperfeita, pecadora e pobre, pertence a ele, e ele tomará conta de todas."

James Freeman Clarke

terça-feira, 27 de novembro de 2007

A Teologia Liberal da Congregação Unitarista de Pernambuco

Você está em busca de uma vida religiosa na qual tanto o seu coração quanto a sua mente estejam ativamente envolvidos? A Teologia Liberal, como encontrada em nossa comunidade, oferece uma maneira de entender e conhecer a Deus que honra a autoridade da consciência individual, valida e é compatível com as descobertas da ciência, apóia uma perspectiva religiosa ética, respeita a integridade e o valor de outras tradições religiosas e é inteligível às culturas e pessoas contemporâneas. Sendo assim, a Teologia Liberal é um meio-termo entre a rigidez da ortodoxia tradicional/conservadora e o vazio do ateísmo secular. A Teologia Liberal ousa fazer perguntas difíceis, evita uma certeza muito fácil e sabe que Deus é sempre maior do que podemos imaginar.

Por causa de nossa teologia liberal, nossa comunidade atrai aqueles que não podem aceitar os sistemas de crença centrais à maioria da religião organizada. Atraímos aqueles que não conseguem mais recitar credos tradicionais por as palavras ficaram impedidas em suas gargantas. Atraímos aqueles feridos por outras igrejas onde parece haver mais julgamento que aceitação. Mas o que é a teologia liberal? Aqui estão algumas afirmações centrais à vida de nossa comunidade.

Nossa Abordagem Geral à Religião

1 – Afirmamos o livre pensamento.
Todos os membros podem acreditar no que suas consciências, mentes, experiências e emoções os levam a afirmar. Os ministros de nossa comunidade simplesmente compartilham do púlpito sua própria compreensão religiosa, esperando que ajude outros em sua jornada de fé.

2 – Afirmamos uma unidade de experiência fundamental.
Não há nenhum conflito intrínseco entre a fé e o conhecimento, a religião e o mundo, o sagrado e o secular. Em vez de vermos a cultura, especialmente a ciência e as artes, como uma ameaça à fé religiosa, os cristãos liberais entendem sua fé com referência à sua experiência na cultura contemporânea.

3 – Nos definimos como uma comunidade de investigadores.
Queremos ser um lar de busca da verdade para aqueles com mentes e corações investigativos. Encontramos mais valor nas dúvidas que em certezas absolutas. Não tememos a dúvida.

4 – Respeitamos a mente humana e seus processos de pensamento.
Esta é uma comunidade onde você não tem de abandonar sua mente. Você é encorajado a pensar por você mesmo.

5 – Não limitamos a busca por verdade religiosa ao intelecto.
Somos uma comunidade de espíritos que anelam pela experiência. Nossa ênfase na razão é equilibrada por uma convicção de que nossos corações e almas devam ser nutridos juntamente com nossas mentes. Assim, místicos vivem em uma comunidade de investigadores e oferecemos às pessoas muitas maneiras de experimentar uma presença eterna.

6 – Celebramos e respeitamos as religiões de todas as eras e culturas.
Há sabedoria em todas as religiões vivas do mundo. Reconhecemos a fidelidade de outras pessoas que têm outros nomes para o caminho ao domínio de Deus e reconhecemos que seus caminhos são verdadeiros para eles, da mesma forma como o nosso é verdadeiro para nós.

7 – O Cristianismo Liberal é necessariamente inovador.
Se somos abertos a idéias novas, então devemos estar dispostos a mudar, crescer e pensar fora dos padrões nos quais às vezes nos encontramos. Precisamos ter a coragem de abandonar idéias, noções e práticas nas quais não mais acreditamos.

Afirmações Teológicas Específicas

1 – Afirmamos o valor e dignidade de todo ser humano.
Todas as pessoas têm igual direito à vida, liberdade e justiça. Então, nossa comunidade de fé recebe homens, mulheres e pessoas transexuais de todas as raças, classes, habilidades, e orientações sexuais. Reconhecendo a realidade do pecado e falha, somos, contudo, profundamente humanistas, reconhecendo a bondade e o potencial da humanidade.

2 – A maioria de nós vê a Bíblia como uma coleção de antigas reflexões humanas a respeito de Deus e do sentido da vida.
As narrativas bíblicas surgiram entre um grupo particular de pessoas do Oriente Médio que estavam em busca de sentido em sua jornada na vida. Para a maioria de nós em nossa comunidade, a Bíblia não é tanto a palavra de Deus quanto é uma coleção de palavras humanas com o potencial de libertar-nos e impelir-nos numa maravilhosa jornada de investigação.

3 – O Jesus histórico abre para nós um caminho para Deus.
Jesus, um mestre camponês palestino, começou um movimento de reforma no Judaísmo de seu tempo. Ele não tentou criar uma nova religião. Sua vida e ensinos ofereceram esperança e transformação àqueles à margem da sociedade. Para a maioria de nós, Jesus não é uma figura divina enviada por Deus para pagar pelos pecados de uma humanidade caída, em vez disso, o Jesus humano é o maior modelo de vida religiosa. Jesus abre, para os cristãos liberais, um caminho para Deus que se torna para nós um espelho para o nosso próprio potencial humano e uma janela para o amor de Deus.

4 – Entendemos Deus de várias maneiras, mas afirmamos conjuntamente que a presença de Deus, plena de amor incondicional, está em todo lugar.
Para muitos de nós, Deus está além do teísmo, é uma força de vida em vez de um ser. Deus é o nome que usamos para aquilo que é maior que tudo, e que mesmo assim, está presente em cada coisa. Deus é o mistério que transcende os limites do ser. A força da vida, a Base de Todo Ser, o Próprio Ser são nomes para o Indescritível.

5 – A maioria dos cristãos liberais vêem a oração como uma aventura humana.
Não oramos para convencer Deus a intervir na experiência humana. A oração genuína não é uma lista de compras. É um desejo de simplesmente “estar” na presença da Base de Todo Ser. Através da oração, sentimos a presença de Deus, sentimos o amor de Deus, e tentamos realinhar nosso senso de nós próprios com o que pensamos que Deus nos chama a ser. A oração é estar na presença de Deus, compartilhando quem somos e o que mais importa para nós.

6 – A maioria dos cristãos liberais estão incertos a respeito da vida após a morte, mas nos prendemos à esperança ancorada no amor incondicional de Deus.
Cremos que a morte traga a absoluta cessação da mente e do corpo, mas reconhecendo o mistério e os limites do conhecimento humano, também afirmamos que isso não exclua as possibilidades de algo além da morte. A maioria dos cristãos liberais não temem dizer que não sabemos se há algo além do túmulo e que é suficiente para nós lembrarmos que estamos sempre cercados pelo amor de Deus. E a salvação para a maioria dos cristãos liberais não tem nada a ver com a vida após a morte. A salvação é um estado de plenitude, saúde, e “shalom” que ocorre aqui e agora quando estamos em paz conosco mesmos, com os outros e com a natureza.

7 – Cristãos liberais querem criar comunidades de fé onde as pessoas cuidem profundamente umas das outras e onde busquem ajudar a curar um mundo ferido.
No Cristianismo Liberal, a religião é mais a respeito de relacionamentos que mandamentos, e comunidades de fé afirmam relacionamentos onde alimentamos e sustentamos uns aos outros em momentos difíceis, onde encorajamos uns aos outros em nossas jornadas espirituais e onde trabalhamos juntos para criar um mundo melhor.

8 – Sabemos que a maneira como nos comportamos uns com os outros é basicamente mais importante que o que acreditamos.
Na verdade, a maneira como nos portamos uns com os outros é a expressão mais plena do que cremos. Karen Armstrong, uma poderosa voz da religião liberal, diz: “A religião é a respeito de nos comportarmos de uma forma que nos mude, que nos dê insinuações da santidade e da sacralidade... A religião não é a respeito de aceitarmos proposições impossíveis, mas a respeito de fazermos coisas que nos mudem. A busca religiosa não é a respeito da descoberta da 'verdade', mas a respeito de viver tão intensamente quanto possível aqui e agora. A idéia não é se trancar a alguma personalidade super-humana ou 'ir para o céu', mas descobrir com ser um humano completo”. Como nos comportamos é mais importante do quê cremos!

A maioria dos membros de nossa comunidade provavelmente aceitam a maioria das afirmações acima. Mas, por causa de nosso respeito pelo livre pensamento, muitos membros podem rejeitar algumas das afirmações. Mas essas afirmações – juntamente com os 8 Pontos do Cristianismo Progressista, as Afirmações de Phoenix, e a Carta da Terra – ao menos oferecem uma idéia do tipo de teologia em nossa comunidade cristã liberal.

O Que Significa "Cristão Liberal"?




Muitas vezes tenho recebido mensagens de pessoas que não entendem muito bem o significado da expressão "cristão liberal". Muitas dessas pessoas visitam o sítio de nossa comunidade no Recife e ficam confusas com o uso desse termo lá, ou lêem alguns de nossos materiais e se deparam com a mesma dúvida do que esse termo signifique. Por esta razão decidi tentar esclarecer o que essa expressão significa.

"Cristão Liberal" é um termo geral usado para descrever qualquer membro de perspectivas liberais das muitas denominações protestantes, ou igrejas dentro de denominações, que vêem a Bíblia coma uma testemunha de Deus em vez de vê-la como a "palavra de Deus", que seja interpretada em seu contexto histórico através de análise crítica, e com uma ênfase nas afirmações de Jesus a respeito da paz, justiça, eqüidade, compaixão e amor.

Nós cristãos liberais vimos de muitas denominações - incluindo Associação Unitarista Brasileira, Episcopal Anglicana, Luterana, Metodista, Presbiteriana, Igreja Unida de Cristo, Discípulos de Cristo, e até mesmo Batista (apesar disto ser uma raridade no Brasil!). Desta forma, apesar de todos sermos cristãos liberais, não cremos todos nas mesmas coisas. Por exemplo, crenças variam de simbólicas à literais em Jesus Cristo como encarnação de Deus. A maioria crê que as narrativas bíblicas sejam basicamente simbólicas, que Deus criou as leis científicas e os processos fundamentais do universo e de toda vida (por exemplo, Evolução), que são continuamente reveladas pela ciência moderna. Cremos em Deus, fé, ciência e evolução.

A maioria de nós não acredita que a humanidade tenha herdado o "pecado original" de Adão e Eva ou que Satanás realmente exista. Mas cremos que Deus seja bom e tenha feito as pessoas inerentemente boas - e nisto, cremos em livre arbítrio e reconhecemos nossa natureza imperfeita, o que leva algumas pessoas a escolherem comportamentos imorais, ilegais, e até mesmo maus. Enquanto possamos discordar a respeito de escolhas individuais no tangente a aborto, homossexualidade, etc, somos tolerantes para com as escolhas e decisões pessoais de outros. Além do mais, aceitamos e apoiamos a vigência da lei moderna, do contrato social, e do sistema de governo democrático, e somos também guiados por nossos valores morais liberais cristãos em nossas vidas diárias e em nossas escolhas individuais.

Como cristãos liberais, temos como sagrados os ensinos básicos e imutáveis de Cristo - como definidos em seu Sermão da Montanha - como a base primária, central, verdadeira, suficiente, e atrativa de toda a compreensão e conduta corretas para os cristãos liberais. Isso significa que o que é mais importante é como demonstramos nossa fé e conduzimos nossas vidas aqui e agora na Terra. Muitas de nós crêem que nossa salvação esteja no realizar boas obras e não ferir a ninguém, independentemente da crença.

Nós afirmamos um Jesus liberal, compassivo, perdoador, amoroso e justo.

Rev. Gibson da Costa
Congregação Unitarista de Pernambuco

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Por quê se incomodar em pensar em religião?

A religião é uma completa perda de tempo? Suas afirmações são razoáveis ou ridículas? Perguntas importantes – mas como podemos obter respostas? Todo tipo de gente faz todo tipo de afirmações a favor de todo tipo de religião. Eles não podem estar todos certos, mas qualquer um deles está?

Muitas pessoas vêem a religião como um assunto terrivelmente misterioso, que diz respeito a temas tão profundos que lhes tira o fôlego. A religião pode dar a outras pessoas um senso de paz, mas também pode dar-lhes um senso de certeza que pode torná-las surdas a novas idéias e perspectivas. Quando a certeza religiosa é combinada com o zelo religioso, o resultado pode ser o fanatismo e a divisão, e até mesmo a perseguição e o derramamento de sangue.

Apesar de seu papel ter mudado, a religião ainda ocupa um lugar importante em nossa sociedade. Todos, seja qual for sua visão a respeito da religião, devem dar alguma atenção à natureza das afirmações religiosas. O termo geralmente usado para se referir a essa ponderação é “teologia” (literalmente, “conversa a respeito de Deus”). A teologia exige uma disposição para ler, pensar e discutir. Ela também exige que sejamos abertos a novas idéias.

Infelizmente, muitas pessoas religiosas vêem a religião como sua âncora em um mundo de incertezas, e em vez de trabalharem na teologia, se prendem desesperadamente ao que têm. Usam a Bíblia como se fora um livro-texto com regras claras para a vida, que foram estabelecidas pelo próprio Deus. Essas pessoas são muitas vezes chamadas de Fundamentalistas. Seus “fundamentos” da religião cristã surgiram em resposta às descobertas científicas do século dezenove. A ciência parecia minar o que a Bíblia dizia.

Uma maneira óbvia de lidar com esta ameaça era rejeitar as afirmações da ciência. Essa abordagem clara e simples tem sido popular. Quanto mais radicais as afirmações feitas pelos Fundamentalistas, mais pessoas enchiam suas igrejas. Mas ao mesmo tempo, os Fundamentalistas também mostravam que tal abordagem era impossível para pessoas criticamente inteligentes.

Opostos ao Fundamentalismo estão os teologicamente liberais e progressistas que não querem ter nada a ver com qualquer forma de dogmatismo ou autoritarismo. Mas eles têm um problema. Numa era caracterizada pelo barulho, sua relutância em fazer afirmações teológicas definidoras é vista como fraqueza por aqueles incapazes de compreender suas razões.

Generalizações são sempre um risco, mas em termos muito amplos poderíamos dizer que a Igreja é um continuum, com conservadores em uma ponta e liberais em outra.

Os conservadores estão divididos em dois grupos: Evangélicos (incluindo aí os Fundamentalistas) e aqueles que se chamam Católicos ou Ortodoxos. Ambos os tipos de conservadores se opõem a conceder direitos iguais a homossexuais praticantes e mulheres.

Os liberais tentam ver todos os lados e não se opõem a nada, exceto à intolerância e à injustiça. Pode se resumir a uma questão de psicologia. Algumas pessoas têm uma necessidade muito maior de certeza que outros e são religiosos conservadores naturais. Os outros são capazes de respirar um ar mais fino e são investigadores naturais.

Um liberal é tipicamente alguém que enfatiza a necessidade de se viajar livremente e que está feliz em explorar o território por si mesmo, enquanto que um conservador é mais um viajante de pacote que raramente se aventura fora das rotas principais.

Por toda sua história, a Igreja tem sido capaz de acomodar as mais diversas perspectivas teológicas. Os críticos conservadores em seu meio constantemente reclamam a respeito de sua abertura doutrinária, dizendo que os liberais e progressistas não apóiam absolutamente nada. Mas isso simplesmente mostra quão baixa prioridade essas pessoas põem na contínua busca por verdade e quão pouco tempo elas têm para tolerância genuína.

O estudo da teologia ajuda a proteger contra a arrogância religiosa por nos tornar conscientes de quão frágeis são as posições que adotamos. Toda teologia é humana, já que toda conversa a respeito de nós é feita por nós mesmos.