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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Aos “conservadores” políticos e religiosos que insistem em bater sempre na mesma tecla quando me escrevem


Se você pensa que me preocupo com imigrantes, com pessoas mais pobres do que eu, que defendo os direitos civis, levo questões ambientais a sério, sou a favor do controle de armas, renuncio à violência, etc, simplesmente porque seja de determinada persuasão política é porque você não conhece minha fé... Então, se quer realmente apontar um culpado por minha visão de mundo, a culpa é, em grande parte, de minha tradição religiosa, que afirma que Jesus ensinou em suas palavras e ações que só se pode amar a Deus quando se ama ao próximo – e o amor tem de ser demonstrado no cuidado com os seres humanos e com o todo da Criação!

+Gibson


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Teologia Liberal ou Ideologia Socialista?


A julgar por algumas mensagens que tenho recebido ultimamente, imagino que algumas pessoas confundam minhas posições teológicas com posições políticas que, pessoalmente, não abraço. Muitos tendem a confundir, por exemplo, a defesa duma teologia “liberal” ou “progressista” como sinônimo da defesa de visões políticas “socialistas” ou “marxistas” de minha parte. Este texto é um esclarecimento pessoal a respeito disso.

Em primeiro lugar, é bom que eu deixe claro, mais uma vez, que sou contrário à mistura de Igreja e Estado – isso, na verdade, é um dogma para mim, no que concerne à vida numa República. Isso significa, inclusive, que sou contrário à utilização do púlpito e das instituições eclesiásticas para a promoção de candidatos a cargos eletivos e de partidos políticos. Levo muitíssimo a sério a advertência evangélica, quando atribui a Jesus as palavras “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” (Mateus 22:21)

Isso, obviamente, não quer dizer que consiga me despir de minhas perspectivas políticas quando lido com temas teológicos – ou vice versa. Mas, estou comprometido em não mesclar institucionalmente, de forma ativa e consciente, minhas perspectivas políticas pessoais e meus compromissos eclesiásticos.

Este blog não é um espaço eclesiástico, per se. Mas está ligado às minhas atividades como um Ministro da Palavra e do Sacramento. Logo, estendo aquele meu compromisso ético a estas páginas. Nunca incentivei voto em candidatos políticos aqui, e estou compromissado em nunca fazê-lo – mesmo que eu tenha minhas próprias convicções eleitorais.

Contudo, para que fiquem claras minhas posições a meus leitores: Não sou um comunista. Não sou um socialista. Não sou um marxista. Não sou um anarquista. O termo progressista – quando o uso, o que é uma raridade, apesar do endereço deste blog – aqui não significa nenhuma dessas posições.

Politicamente, declaro-me como um liberal democrata. Um cidadão politicamente liberal e comprometido com a democracia. Escrevo explicitamente sobre minhas opiniões políticas em outro espaço – no blog chamado “O Farol da Liberdade: A Voz do Liberal Democrata”. Minhas ideias são geralmente vistas pelos ditos “esquerdistas” brasileiros como sendo de “direita”, e pelos ditos “direitistas” como sendo de “esquerda”. Eu as classifico como sendo simplesmente “políticas” – da mesma forma como prefiro, honestamente, classificar minha fé simplesmente como "cristã", como pregava o Rev. James Martineau.

Apesar de minha fé cristã ser “política” – porque não é uma fé vivida apenas individualmente, mas exige a comunidade (a Igreja) para ser praticada –, não a confundo com credos políticos. Assim, mesmo que, eventualmente, trata de temas que envolvam a política eleitoral ou partidária nos textos que publico aqui, tenho o cuidado de não impor minhas visões partidárias aos leitores deste blog.

Se meu liberalismo teológico parece, às vezes, estar associado a ideias socialistas no que tange aos costumes, isso ocorre porque no Brasil a visão de tais temas é mais “conservadora” (um qualificativo inapropriado, considerando que me considero conservador, uma vez tento conservar minhas visões liberais!) que aquelas que braço. Se, por outro lado, posso parecer, às vezes, misturar meus liberalismos – o teológico e o político –, isso ocorre por os dois estarem historicamente ligados em suas origens e desenvolvimento.

Resta apenas enfatizar que este blog trata de teologia, fé, prática religiosa, Igreja, tradições cristãs. Não de “política” partidária ou daquelas ideologias propriamente identificadas como “políticas”. O que há de “político” aqui corresponde à “natureza” social da fé cristã.

Paz!

+Gibson

sábado, 15 de agosto de 2015

O(s) Cristianismo(s) e a contextualização da “verdade”


Se vocês guardarem a minha palavra, vocês de fato serão meus discípulos; conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês.
(João 8:32)



Ao longo de minha vida ministerial e acadêmica, tenho tido o desprazer de lidar com visões deveras estereotipadas do(s) Cristianismo(s). Visões essas que são professadas não apenas por pessoas com baixo nível de instrução escolar formal – que, aparentemente, tendem a abraçar formas mais “estritas” de crenças e práticas religiosas –, mas também por aquelas que, num outro extremo, possuem um alto nível de instrução formal – especialmente aquelas que abraçam formas mais “estritas” duma mentalidade contrária à religião institucionalizada (para os quais, geralmente, o[s] Cristianismo[s] seria[m] o[s] modelo[s] paradigmático[s]).

Obviamente, para mim, há um grande problema com as visões “estritas” de seja lá o que for (especialmente no que tange à fé), porque elas são – na maioria das vezes – contextualmente “desinformadas”.

Compreendo o(s) Cristianismo(s) como um diálogo incessante entre a “tradição” que recebemos do passado e o nosso “contexto” presente (o nosso “hoje”). Os Cristianismos – sim, o Cristianismo é plural demais para que eu utilize um substantivo singular para me referir a ele –, enquanto conjuntos de compreensões, de práticas, de esperanças, e de pessoas, sempre foram esse “diálogo” – para o bem ou para o mal. Assim, ao longo dos séculos, a “tradição” é reformulada para ser capaz de conversar com a experiência do fiel.

Alguns dirão que essa “reformulação” é um abandono daquilo que consideram ser “a verdade”. Isso ocorre, em parte, porque compreendem “a verdade” como uma “substância” mensurável, como algo que pode ser congelado ou petrificado no tempo. Como algo fundamentalmente distinto dos contextos dos quais emerge. Os que pensam assim, obviamente, desconsideram que sua própria visão é uma “reformulação” da herança do passado.

Quando olho para a história do pensamento cristão, isto é, para a forma como as doutrinas cristãs foram (re)formuladas ao longo dos séculos – área na qual me ocupo em minhas atividades teológicas –, esse diálogo entre “tradição” e “contexto”, entre passado e presente, se torna muito claro. E se torna claro, também, que é insensato e contraditório afirmar que a “verdade” teológica seja algo petrificado e imutável.

Quando falo em “verdade”, aqui, me refiro tanto à nossa compreensão teológica quanto à forma como a articulamos em nossas atividades discursivas. A “verdade”, aqui, não inclui o objeto final ou material de nossas reflexões. Assim, toda a Igreja – me refiro não a uma instituição, mas a todas as pessoas que professam a fé cristã – professa fé em Deus e, por isso, Deus é uma verdade inquestionável para qualquer cristão professo. Essa verdade final, entretanto, não é articulada da mesma forma por todos os cristãos. Variadas tradições cristãs, e incontáveis cristãos individuais, articulam uma compreensão sobre Deus que não são aceitas por outros cristãos – ou seja, a verdade “material” (aquilo/aquele com o qual/quem se ocupa) é a mesma, mas a verdade “conceitual” (o que se pensa sobre a “verdade material”) é distinta, dependendo de uma imensa variedade de circunstâncias. E quem poderá dizer que sua verdade conceitual é a única “verdadeira” e aceitável, se sua verdade material é, para nosso contexto cultural, objetivamente imensurável?

Gosto sempre de citar as palavras do grande pensador unitarista, e fundador do campo da História das Ideias, Arthur Oncken Lovejoy, que escreveu:

[…] pessoas que igualmente professaram o Cristianismo e chamaram a si mesmas de cristãs mantiveram, no curso da história, toda a espécie de crenças distintas e conflitantes agrupadas sob esse nome, mas também que qualquer uma dessas pessoas e seitas mantiveram, via de regra, sob esse nome um conjunto de ideias muito variadas, cuja combinação dentro de um conglomerado que traz um único nome e que se supunha constituir uma unidade real foi em geral o resultado de processos históricos de um gênero altamente complicado e curioso. […] i

Obviamente, aqueles que utilizam a proteção dogmática como justificativa para sua própria compreensão, e como artifício para a reprovação daqueles que abraçam outras compreensões teológicas, dirão que essa diversidade seja fruto de “heresias” ou de “apostasias” – a própria utilização desses termos por alguns deles é problemática, já que é descontextualizada. Eu, por outro lado, as vejo como resultado dos próprios contextos nos quais as diversas visões emergiram.

Pensemos, por exemplo, na Cristologia, que é o campo da Teologia cristã que se ocupa do ser e da obra de Cristo. A maioria dos não cristãos imagina que todos os cristãos sempre tenham professado e que todos professem que Deus seja uma Trindade (como o requer a compreensão ortodoxa a partir do Credo de Niceia) e que, consequentemente, Jesus seja Deus. Para a maioria dos cristãos, Deus realmente é uma Trindade: Pai, Filho, e Espírito Santo. Claramente, entretanto, apenas uma ínfima minoria dos cristãos consegue compreender e explicar exatamente o que isso significa, já que o dogma ortodoxo da Trindade se sustenta sob uma série de compreensões filosóficas e sobre uma linguagem estranhos à maioria das pessoas hoje em dia. Ademais, e mais importante, nem todos os cristãos foram ou são “trinitaristas” – ou seja, nem todos os cristãos professaram ou professam o dogma ortodoxo da Trindade.

Na história da Teologia cristã, Jesus nem sempre foi Deus. Na verdade, com frequência, os cristãos se esquecem – se é que se dão conta disso – que Jesus sequer era “cristão”. Sua compreensão de Deus estava enraizada numa tradição que, em muitos aspectos, contradiria aquela das ortodoxias cristãs (sejam as orientais ou as ocidentais). Jesus, de acordo com os registros dos Evangelhos, jamais afirmou explicitamente ser Deus. E se de fato o tivesse feito, isso teria sido um afastamento incalculável de toda a tradição teológica das Escrituras do povo de Israel. Mas, todo estudioso intelectualmente íntegro saberá, hoje, quando e como Jesus se tornou Deus. As compreensões teológicas cristãs se desenvolveram de acordo com os contextos nos quais se encontravam os que professavam a fé em Cristo. Assim, doutrinas como as da Encarnação e da salvação por meio dum sacrifício expiatório – que são necessárias à noção ortodoxa da Trindade –, por exemplo, emergiram a partir do encontro entre a fé dos primeiros “cristãos” e as filosofias greco-romanas.

O que é importante acentuar, contudo, é que o fato de o dogma teológico ser uma construção humana não o torna inválido ou “não verdade”. Muito pelo contrário. A “verdade” (lembre-se que, aqui, me refiro à verdade enquanto o que se pensa sobre um objeto de reflexão, e não ao objeto em si da reflexão teológica) é uma construção da tradição na qual é (re)formulada. Assim, o que é “verdadeiro” ou “falso” para uma comunidade de fé – ao menos em tradições que enfatizam a comunidade enquanto centro de aprendizado e prática, como a Igreja – é definido por aquela própria comunidade. [Uma perspectiva que não deixa de ser paradoxal para protestantes crescidos em culturas individualistas como as nossas.]

A articulação dos conceitos teológicos cristãos acerca de Jesus Cristo e de sua relação com o todo da fé cristã passou por um processo de construção que durou séculos – e que, na verdade, ainda não acabou, ao menos no que tange a alguns grupos não “ortodoxos”. E, infelizmente, muitas das decisões tomadas sobre quem tinha razão nas disputas teológicas, após o(s) Cristianismo(s) se associar(em) ao poder secular, basearam-se mais na força política do que nos argumentos teológicos.

Dessa longa história advém a projeção inconsciente que fazemos quando lemos os textos bíblicos. Sempre gosto de enfatizar que costumamos projetar sobre os textos que lemos visões de mundo que, em si, não estão necessariamente presentes nesses textos. Como exemplo, sempre utilizo a narrativa sobre Adão e Eva e o “fruto proibido” que, em sua interpretação mais inocente, é identificado como uma “maçã” – apesar de o texto bíblico em si não utilizar o termo. O “fruto” foi frequentemente interpretado como “maçã” por conta do contexto exterior à narrativa bíblica. No caso específico da Cristologia, mesmo aqueles que afirmam basear toda a sua fé na leitura da Bíblia, quando leem o texto sagrado, projetam sobre ele a tradição trinitarista ortodoxa que não está necessariamente presente lá de forma explícita. Inconscientemente, apelam a construções filosóficas para a construção de sua teologia, que são inseparáveis dos contextos nos quais tais construções filosóficas emergiram e das razões e formas pelas quais continuaram a fazer sentido para quem as abraçam hoje.

Se pensássemos sobre outros campos teológicos, como a Eclesiologia, por exemplo, veríamos que as três formas mais comuns de administração/organização eclesiástica na Igreja ocidental – o episcopalismo, o presbiterianismo e o congregacionalismo – também dependem duma série de fatores que condicionam a visão de quem lê o texto bíblico. Ou seja, mais uma vez, projetaremos uma visão de mundo não plenamente presente nos textos sagrados em nossa leitura.

Ou seja, gostemos ou não do termo ou da ideia, nossas compreensões teológicas/religiosas são sempre relativas, porque sempre mantêm uma relação com os contextos nos quais emergiram. Nossas tradições de fé emergem num universo cultural particular e fazem uso da língua e dos símbolos daquele universo, ao mesmo tempo em que subvertem os valores desse universo e que, posteriormente, possam construir um universo à parte.

Como tenho sempre afirmado, estar consciente disso não representa uma ameaça à minha fé pessoal – e não deveria representar uma ameaça à fé de ninguém. Muito frequentemente, minha compreensão tem sido atacada por outros fiéis com perguntas como “Como você decide que partes da Bíblia são verdadeiras?”, ou com afirmações como “Você só escolhe o que lhe é mais conveniente!”. Bem, responder a esse tipo de perguntas ou acusações é problemático pelo simples motivo de se basearam em premissas equivocadas. Posso afirmar o que afirmo e manter minha fé porque ela se assenta sobre uma série de perspectivas que são diferentes daquelas abraçadas pelos autores daqueles questionamentos. Nossas visões de autoria, autoridade, liberdade, consciência, comunidade, individualidade, Divindade, humanidade etc, são distintas e, por essa razão, chegamos a considerações bem diferentes. Ou seja, temos visões relativas da realidade e da Realidade! Isso não nos torna mais ou menos “verdadeiros” em relação uns aos outros – no máximo, nos torna mais ou menos conformistas em relação às nossas próprias tradições de fé particulares.


i LOVEJOY, Arthur O. A grande cadeia do ser: um estudo da história de uma ideia. Tradução Aldo Fernando Barbieri. São Paulo: Editora Palíndromo, 2005. p.16.



+Gibson

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

"O Espírito Santo não é uma pessoa?" - respondendo à questão de E.N.


Um leitor – que chamarei de E.N. – me enviou uma das mensagens/perguntas mais breves e mais complexas que já recebi de um leitor deste blog:

O Espírito Santo não é uma pessoa?”


Minha resposta:

Depende de quem você é e a quem você pergunta!… A maioria dos cristãos, provavelmente, dirá que sim – mas, se perguntados, a explicação sobre o que esse “sim” significaria para eles já é outra questão.

As noções sobre a Divindade, na teologia cristã, tradicionalmente se entrelaçam com outros pontos doutrinários. Assim, para responder a uma pergunta como a sua, teria de falar sobre minha crença a respeito de Deus, a respeito de Jesus, a respeito das Escrituras. Essas compreensões, por sua vez, têm um impacto na forma como entendo o que seja salvação e como essa ocorre. E a lista continua… Tudo está interligado.

Na verdade, a Igreja, em toda a sua diversidade, tem noções muito complexas sobre o Espírito Santo – com todas elas encontrando apoio na Bíblia e na Tradição. Assim, há cristãos que acreditam ser o Espírito Santo uma pessoa, enquanto outros não. E a própria linguagem bíblica abre espaço para a diversidade de opiniões. Algumas vezes a Bíblia fala sobre o Espírito Santo como um vento/sopro, outras vezes como uma influência, enquanto outras vezes como se fosse uma pessoa.

Na história da Igreja, demorou até pelo menos o século IV para que as lideranças cristãs impusessem uma interpretação, que veio com o Credo Niceno. É a partir desse documento da Igreja (e dos credos posteriores) que se exige que os cristãos acreditem que o Espírito Santo seja uma pessoa (hypostasis). Assim, católicos romanos, ortodoxos e muitos protestantes (luteranos, anglicanos, metodistas, presbiterianos etc) abraçam, oficialmente, essa visão. A maioria dos cristãos não-trinitaristas (aqueles que não aceitam a doutrina ortodoxa da Trindade), entretanto, abraçam a visão de que o Espírito Santo seja uma referência ao próprio Deus ou à sua influência.

Assim, a resposta depende de qual seja a sua tradição cristã!

Paz! Grande abraço!

+Gibson

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Joseph, o Vidente: mais um ensaio historiográfico dos “mórmons” de Utah



Gibson da Costa


Para alguém que, como eu, pesquisa a história teológica da tradição do Movimento Restauracionista iniciada por Joseph Smith (tradição popularmente conhecido, para alguns inapropriadamente, como “Mormonismo”), a publicação de mais um ensaio historiográfico por parte de “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias” (IJCSUD) foi uma relativamente boa “surpresa”.

Como vocês leram aqui, em 24 de outubro de 2014, a IJCSUD já havia publicado uma série de ensaios que lidavam com temas controversos de sua história – especificamente sobre Joseph Smith e o Casamento Plural (poligamia) em sua tradição. Na verdade, nos últimos anos, a denominação tem feito um esforço de lidar com sua história – pense no excelente Projeto “Joseph Smith Papers” [Os Papeis/Documentos de Joseph Smith] –, e a publicação daqueles artigos faz parte desse trabalho de relativa abertura ao mundo externo (obviamente, não se trata duma historiografia desvinculada das visões doutrinárias da denominação). Apesar das limitações decorrentes de os artigos terem sido escritos sob os auspícios da própria denominação, o fato de lidarem com os questionamentos e tratarem do tema foi, em si, um ato corajoso e louvável – independentemente das possíveis intenções políticas por trás disso (afinal de contas, se virmos a questão de forma mais cínica, não esqueceremos que o “Mormonismo”, em geral, e a IJCSUD, em particular, foram alvo de protestos durante a campanha de Mitt Romney à Presidência dos E.U.A., e vir às claras sobre o passado poderia melhorar a percepção pública para com a denominação).

Mas, então, temos o mais novo ensaio historiográfico da Igreja SUD, desta vez lidando com um outro aspecto polêmico para quem não é da tradição: “Joseph the Seer” [Joseph, o Vidente], que estará na edição de outubro da revista oficial da igreja em inglês, Ensign – mas já disponível online.

Gostaria, aqui, apenas de tecer breves observações sobre alguns trechos do ensaio. Lembro aos amigos SUD que minha intenção não é de atacar suas crenças, mas apenas lidar brevemente com um tema que me interessa enquanto pesquisador de Teologia Histórica. Todas as citações são extraídas do texto em discussão – a tradução livre é minha.

Visões” e “videntes” eram parte das culturas americana e da família nas quais Joseph Smith cresceu. Mergulhados na linguagem da Bíblia e numa mistura das culturas anglo-europeias trazidas por imigrantes à América do Norte, algumas pessoas no início do século XIX acreditavam que era possível que indivíduos dotados “vissem”, ou recebessem manifestações espirituais, por meio de objetos materiais como as pedras videntes.

O jovem Joseph Smith aceitou tais costumes populares de sua época, incluindo a ideia de utilizar pedras videntes para encontrar objetos perdidos ou escondidos. Como a narrativa bíblica mostrava que Deus usava objetos físicos para focar a fé das pessoas ou para comunicar-se espiritualmente nos tempos antigos, Joseph e outros presumiam o mesmo quanto ao seu tempo. Os pais de Joseph, Joseph Smith Sr. e Lucy Mack Smith, afirmavam a imersão da família nessa cultura e seu uso de objetos físicos para esses fins, e os habitantes de Palmyra e Manchester, Nova York, onde os Smith viviam, procuravam Joseph para que ele encontrasse objetos perdidos antes de ele se mudar para a Pensilvânia no final de 1827.i


Não há, aí, nenhuma surpresa para qualquer pessoa que tenha mesmo que um conhecimento apenas superficial da história religiosa de populações rurais menos privilegiadas dos E.U.A. naquela época. Na cultura rural de Nova York, especificamente, manifestações “espiritualistas” se mesclavam ao “carismatismo” marcante dos reavivamentos e dos cultos ao ar livre. Isso não é desconhecido de absolutamente ninguém que estude os movimentos religiosos da época. Só que, por conta dos contextos específicos da cultura dos santos dos últimos dias, parece ter sempre havido uma negação velada disso – especialmente quando se considera que isso era uma das acusações utilizadas por grupos cristãos para invalidar a autenticidade e a “irracionalidade” da narrativa de Joseph Smith sobre suas supostas visões e revelações.

O texto prossegue, agora, de forma apologética:

Para aqueles sem uma compreensão de como as pessoas do século XIX, na região de Joseph, viviam sua religião, pedras videntes podem ser coisas com as quais não estão familiarizados, e estudiosos têm, há muito, debatido esse período da vida dele. Em parte, como resultado do Iluminismo […], muitos nos dias de Joseph vieram a sentir que o uso de objetos físicos, como pedras ou varas, fosse supersticioso e inadequado para fins religiosos.

Nos anos posteriores, enquanto Joseph falava sobre sua notável história, ele enfatizou suas visões e outras experiências espirituais. Alguns de seus antigos companheiros focaram-se em seu antigo uso de pedras videntes, num esforço para destruir sua reputação num mundo que, cada vez mais, rejeitava tais práticas. Em seus esforços proselitistas, Joseph e outros dos membros iniciais escolheram não se focar na influência da cultura popular, já que muitos potenciais conversos estavam experienciando uma transformação em como entendiam a religião na Idade da Razão. […]ii


Enquanto, no trecho anterior, é especialmente notório o reconhecimento de que Joseph, de fato, procurava objetos perdidos para outras pessoas utilizando pedras videntes (que, a partir de 1833, seriam chamadas de “Urim e Tumim”). Na cultura “mórmon”, os próprios membros da IJCSUD habituaram-se a desconsiderar esse tipo de acusações por vê-la apenas como ataques de inimigos de sua tradição religiosa. Curiosamente, essa visão é exposta no segundo parágrafo do trecho acima, quando afirma que alguns dos antigos companheiros de Joseph Smith falavam sobre seu anterior uso de pedras videntes “para destruir sua reputação”. Os fieis sempre utilizaram essa explicação para desconsiderar esse aspecto da juventude de seu profeta.

Obviamente, há décadas, se escreve entre os próprios “santos” – sejam os membros da IJCSUD, sediada em Salt Lake City (Utah), ou os membros de outros grupos minoritários do movimento, especialmente da Comunidade de Cristo, sediada em Independence (Missouri) [grupo que, há muito, tem abraçado uma visão historiográfica mais crítica sobre o passado de seu próprio movimento] – sobre esse envolvimento de Joseph Smith com tais práticas. Mas esse tipo de estudo historiográfico sempre esteve distante do “mórmon” comum, mesmo considerando o relativo nível de letramento cultural da maioria dos “santos dos últimos dias”.

Permitam-me, a propósito, explicar brevemente um fato ignorado por muitos “não-mórmons” no Brasil: não há apenas um grupo eclesiástico advindo da “Restauração” liderada por Joseph Smith Jr. Há várias denominações dentro do chamado “Movimento dos Santos dos Últimos Dias” – ao todo, cerca de 80 diferentes grupos. Entretanto, as duas maiores expressões são: [1] A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – conhecida como a Igreja “Mórmon” pelos não-membros (aquela sobre a qual estou falando aqui e que publicou os artigos em questão) –, sendo, praticamente, o único desses grupos conhecido pelos brasileiros; e [2] a Comunidade de Cristo – conhecida, até 2001, como a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias Reorganizada – que mantém muito pouco em comum, doutrinária e socioculturalmente, com a IJCSUD (no Brasil, a denominação está oficialmente presente apenas no Estado de São Paulo e talvez, por isso, seja tão desconhecida para a maioria dos brasileiros). Esses dois principais grupos representam, em minha opinião, as expressões mais extremadamente opostas na tradição que chamo aqui, inadequadamente, de “mórmon”; tendo sempre se visto, mutuamente, como “apóstatas” da Restauração iniciada pelo – para ambos – profeta Joseph Smith. A Comunidade de Cristo, na maioria dos aspectos, está muito próxima a muitas outras igrejas cristãs liberais (com exceção de sua visão acerca das Escrituras e de revelação), e muito distante da IJCSUD.

Quanto à iniciativa da IJCSUD de discutir sua história – mesmo que de forma ainda limitada e institucionalmente enquadrada –, parece ser uma tentativa raquítica e atrasada dum lado, mas também intelectualmente íntegra, de conciliar o corpo de estudos historiográficos dos últimos 30 anos, produzidos por historiadores de seu próprio meio (muitos dos quais sofreram punições por levantarem questionamentos que contrariavam a doutrina oficial da denominação), com as posições oficiais da mesma. Mesmo que limitadamente, talvez seja um indicador das possíveis direções que os ventos estão soprando no Vale do Lago Salgado.

Há outros pontos interessantes no ensaio, mas os discutirei, talvez, numa outra ocasião.

Vejamos o que mais vem por aí!


Referências:

i TURLEY JR., Richard E.; JENSEN, Robin S.; ASHURST-MCGEE, Mark. Joseph the Seer. In: ENSIGN, outubro de 2015; disponível em: https://www.lds.org/ensign/2015/10/joseph-the-seer?lang=eng . Acesso em: 4 ago 2015.

ii Ibid.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Nossa página no Facebook, nosso novo fórum de discussões...


https://www.facebook.com/blogcristianismoprogressista
 
Olá, pessoal!

Depois dos incontáveis problemas que tivemos com nosso fórum anterior, resolvi criar uma página no Facebook para servir de fórum aos leitores deste blog e interessados – seguindo o conselho de um de nossos leitores, segui o modelo aqui quanto ao título e o endereço. Sintam-se livres para participar!

Abraço a todos(as)!

+Gibson


domingo, 2 de agosto de 2015

Questionamentos Intelectuais e Moralidade Prática: uma resposta a outra provocação de Rebeca...


Cara Rebeca,

Não tenho nenhuma obrigação em defender minha vida pessoal aqui, mas, talvez seja importante fazer algumas observações sobre seu comentário.

Você comete um grande equívoco quando compra a opinião de outras pessoas de que o que eu faço aqui seja dar aos meus leitores “licença para pecar”. Em primeiro lugar, porque não sou senhor das ações de ninguém. E, em segundo lugar, porque tenho uma enorme preocupação moral/ética – é só você ler cuidadosamente o que publico aqui.

Questionar posições morais, historizando suas origens intelectuais, não é o mesmo que não ter “nenhum princípio moral” ou viver de forma descompromissada com princípios éticos – sejam esses baseados no que for. O questionamento que faço – seja em minha vida pessoal, em minha vida eclesiástica, em minha vida acadêmica ou em espaços mais “públicos”, como este – é, antes, um exercício de minha fé na liberdade de consciência que, em termos de minha fé cristã, equivale à “liberdade do cristão”.

Minha compreensão da liberdade cristã se assenta em minha herança teológica; exatamente da mesma forma como a visão de muitos que discordam de mim. Esses que discordam de minha visão, contudo, não podem condenar-me com base em minha vida pessoal – primeiro, porque as pessoas que você cita não me conhecem; segundo, porque elas, de fato, não têm autoridade para condenar-me.

Eles, e você, podem imaginar que eu leve uma vida “sórdida” “de pecado” (expressões que você utilizou) simplesmente porque não concordam com meus questionamentos acerca de posições morais ditas tradicionais, mas meus questionamentos intelectuais dizem muito pouco a respeito de minha própria vida.

Considerando o contexto da maioria dos que tão prontamente me condenam publicamente, por conta do que discordam em minhas opiniões, imagino que – como um cristão liberal – seja muito mais “conservador” na forma como vivo minha vida do que a maioria dos autoproclamados defensores da "moral conservadora". Questiono a “moral sexual” da Igreja, mas eu mesmo tenho um rígido código de comportamento sexual para minha própria vida. Critico a origem da “moralidade de fronteira” que os evangélicos brasileiros herdaram dos missionários americanos – com a condenação da bebida, do cigarro etc –, mas eu mesmo não faço uso dessas coisas. Como escrevi acima, questionar não é despir-me de minhas próprias regras morais – a diferença é que estou ciente das origens dessas regras e não as imponho a outras pessoas; elas são minhas regras para minha vida pessoal (não são “as regras de Deus” que devo obedecer inquestionavelmente).

Você se engana quando diz que eu seja um defensor do aborto. Por exemplo, não como carne porque sou contrário à ideia de matar um animal para comê-lo, se posso me alimentar de outra coisa – compreendo o consumo desnecessário de carne como um envolvimento num ato de violência não-defensivo. Acredito que a vida seja um dom divino e que, na maioria das circunstâncias, não devemos interferir para encerrá-la. Se tenho esse cuidado com outros seres vivos, como poderia apoiar algo como o aborto?…

Você nunca pode ter lido nenhum texto meu que defendesse o aborto, e aqueles que convivem comigo nunca me ouviram defender o aborto em minha fala. O que você já leu meu a respeito foi um questionamento da origem de nossas ideias sobre o aborto; ademais, pode já ter lido minha defesa política do direito da mulher decidir o que faz com seu corpo – e isso enraíza-se tanto em minha herança teológica quanto política liberais. Questionar a origem de ideias e a natureza das leis não é o mesmo que fazer apologia a algo. Nossas visões sobre o aborto são construções históricas. Mesmo a tradição cristã herda isso, mais objetivamente, de outras fontes, que não a Bíblia. Dizer isso, entretanto, não é dizer que eu seja a favor do aborto.

Seus argumentos, a propósito, falham gravemente quando tenta condenar o que pensa que defendo. Que moralidade, afinal, há em condenar o aborto e ser favorável à pena de morte? A lógica de que “o bebê é inocente” e um “assassino é culpado de morte, por isso pode pagar com sua própria vida” é horrenda para mim, teológica, política e humanamente. E isso, sim, é incoerente, e não o que digo – considerando que seu julgamento a meu respeito se baseia em premissas errôneas a meu respeito.

Bem, seja como for, fico feliz que você tenha me escrito a respeito da resposta que dei anteriormente. Se tiver mais provocações, estou aqui!

Grande abraço! E Paz!

+Gibson

sábado, 1 de agosto de 2015

Mais uma vez, a Bíblia...


No princípio era a palavra. E a palavra, repetida por lábios tão diversos, escondia, por trás de si, sentidos múltiplos. Essa é a arqueologia do pensamento teológico cristão – e, na verdade, de qualquer pensamento.

É tolice imaginar que nossa devoção e/ou submissão às Escrituras de nossa tradição de fé seja suficiente para atestar uma suposta veracidade de nossas convicções, que seja assentada sobre a universalidade conceitual entre todos os fiéis. Absolutamente todos nós lançamos sobre as Escrituras, quando as lemos e estudamos, nossa própria experiência – ou nosso próprio imaginário – pessoal e coletiva(o).

Quando lemos uma palavra no texto sagrado não atribuímos a ela o mesmo sentido que os antigos o fizeram, nem o mesmo sentido que todos os outros fieis que compartilhem de nossa tradição atribuem. E não o fazemos porque estamos vivos no mundo. Cada um de nós só consegue enxergar o mundo a partir de sua própria perspectiva – mesmo que pensemos que estamos apenas emulando a visão de outros.

Quando ouvimos o nome “Deus”, as palavras “salvação” ou “amor”, o verbo “orar”, etc, não temos os mesmos sentimentos ou os mesmos pensamentos. Podemos até pensar que esses termos tenham ou devam ter os mesmos sentidos igualmente para todos nós, mas não é isso que ocorre – e, para mim, não é isso que deve ocorrer.

Se, como tantos costumam enfatizar, a “palavra de Deus” é viva, então ela deve realmente se tornar viva para o fiel. E só se tornará viva se ele ou ela for capaz de “traduzi-la” para a sua própria alma. Assim, Deus, salvação, amor e orar podem e devem ter sentidos diferentes para pessoas diferentes.

Quando nos debruçamos sobre as Escrituras, nos erguemos “sobre os ombros” de outros para interpretá-la. Isso porque os sentidos que atribuímos aos textos que lemos são moldados, em parte, pelas demais concepções que temos do mundo ao nosso redor. Assim, projetamos nossa herança (chamemos de) cultural sobre o que lemos. Não lemos sozinhos. E, ao mesmo tempo em que fazemos essas projeções culturais (logo, coletivas) sobre o texto, o moldamos à nossa própria percepção do que seja aquela herança cultural. Em outras palavras, a leitura/interpretação é, simultaneamente, coletiva e individual.

Com exceção da afirmação da realidade Divina, não há nenhuma verdade universal que esteja presente ao longo de toda a Bíblia que possa ser imposta a todos os adeptos do “Bom Livro” como um teste de ortodoxia. Para existir, essa ortodoxia tem de ser construída sobre outros elementos, e não o texto bíblico em si. Não importa o quanto se afirme que “minha fé se baseia nas Escrituras; é isso que ela diz e ponto”. Ela diz o que uma determinada visão de mundo quer que ela diga.

Lembro-me dum debate que impus como atividade aos meus alunos no seminário sobre a relação entre o Cristianismo e a guerra. A pequena turma, de treze alunos, foi dividida em dois grupos – um que deveria defender a possibilidade do envolvimento de cristãos com a guerra, e outro que deveria ser contrário a essa visão. Tive o cuidado de pesquisar sua opinião anteriormente, e dividi-los de forma a defenderem mais ou menos a visão que já abraçavam. Os grupos deveriam utilizar a Bíblia Hebraica e o Novo Testamento como fontes básicas para o debate. Tiveram uma semana para se preparar. Minha intenção era exatamente mostrar a eles o quanto nossas leituras dependem do que já carregamos de nosso “conhecimento de mundo”.

O debate foi mediado por outros dois professores e eu.

O debate resultou no esperado. As discussões foram acirradas, tendo se baseado em bons argumentos, nos quais foram utilizados amostras de textos bíblicos que pareciam apoiar a visão de cada grupo. Eles utilizaram o mesmo manual (a Bíblia) e chegaram a considerações muito diferentes! Apesar de terem recorrido ao seu conhecimento histórico e linguístico para sua exegese, a maioria acreditava que estivesse apenas utilizando os argumentos bíblicos.

Fiz uma nova pesquisa de opinião. O tema era a Cristologia (a doutrina acerca da natureza de Cristo) no Novo Testamento. Separei os grupos entre trinitaristas e antitrinitaristas. Só que, desta vez, fiz com que os participantes defendessem uma visão contrária à sua própria. Mais uma vez, tiveram uma semana de preparação.

Dessa vez, contudo, as coisas não foram iguais, ao menos para a maioria dos alunos e alunas. Muitos se mostraram inseguros e menos convincentes na defesa dum ponto de vista contrário ao seu. Os argumentos da maioria eram fracos. Aquela turma de Mestrado, com alunos formados nas mais variadas áreas das humanidades, falava como se tivessem acabado de sair do Ensino Médio.

“O que deu errado?”… Essa foi a discussão que tivemos posteriormente.

Na verdade, não é que algo tenha “dado errado”. O problema é que, ao defender uma ideia que não apreciavam, que desconheciam e na qual não acreditavam, perderam seu “chão”. As fontes textuais que utilizaram não foram convincentemente argumentadas. Tenho certeza que teriam feito um excelente trabalho se tivessem tido a oportunidade de defender, cada grupo, sua própria perspectiva (ou aquela que mais se aproximasse dela).

A atividade ajudou-os a perceber a complexidade da atividade exegética (interpretativa). Após aquela atividade, aparentemente puderam perceber que a interpretação de textos sagrados (em nosso caso, a Bíblia) segue o mesmo padrão de qualquer outro texto: quem somos e o “lugar” onde estamos influencia/molda nossa leitura. É isso que faz com que nossas interpretações não sejam, nem possam ser, as mesmas. Não somos a mesma pessoa, nem ocupamos o mesmo “topos” no mundo – e isso é verdade no que tange a pessoas que professam a mesma tradição e sentam-se uma ao lado da outra na mesma comunidade de fé.

A explicação de Locke não se aplicaria aqui. Não somos uma tabula rasa quando lemos um texto – já temos todo um universo conceitual construído por trás de nossos olhos.

Paz a todos!

+Gibson