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sábado, 10 de maio de 2014

Pela liberdade de expressão de opinião e pela liberdade de imprensa!


Cada vez mais me aborreço com a intolerância à diversidade de opinião que tem se manifestado em nossa sociedade pretensamente democrática. Vivemos numa sociedade na qual aqueles que pensam duma forma distinta são, perdoem-me a expressão, “diabolizados”, desvalorizados. Um exemplo disso exibe-se no caso dos militantes de determinados movimentos sociopolíticos venderem-se como os defensores da democracia, ao mesmo tempo em que demonstram suas intenções de cercear a liberdade de expressão de opiniões que diferem das suas. Isso é, para mim, algo vergonhoso.

Provavelmente discordo das opiniões teológicas e políticas de muitos de meus irmãos cristãos. A maioria dos outros cristãos que conheço, por exemplo, também discordam de minhas compreensões. Partilhamos a confiança no mesmo Deus e no mesmo Salvador, mas, provavelmente, com compreensões teológicas nem sempre absolutamente idênticas. Partilhamos a fé nas palavras das mesmas Escrituras, mas, provavelmente, com bases hermenêuticas nem sempre absolutamente idênticas. Mas, em minha limitada compreensão, essa diversidade sempre foi parte da história do Cristianismo, e, em uma sociedade democrática – como quero acreditar que a brasileira seja –, ela não me ameça em absolutamente nada. Podemos viver numa mesma sociedade, sob as mesmas leis democráticas, tendo, todos nós, a liberdade de acreditar em coisas diferentes e expressar nossas opiniões divergentes em segurança. Ao menos, isso é o que espero numa democracia.

Se democracia é liberdade, então essa liberdade deve ser uma via de mão dupla. É impossível haver liberdade democrática se essa liberdade for garantida apenas àqueles que são vistos como “politicamente corretos” (seja lá o que isso queira dizer!). Assim, todos devem poder expressar suas opiniões numa democracia.

Os exemplos brasileiros de intolerância à manifestação de opinião, nos últimos anos, são assustadores para alguém como eu – que confio na liberdade de expressão do pensamento, mesmo se o pensamento exposto for oposto ao meu. Os exemplos mais recentes dos quais consigo recordar-me agora são aqueles de Silas Malafaia e de Rachel Sheherazade.

Silas Malafaia, um pastor evangélico (com uma visão teológica muito diferente daquela que abraço), tem sido alvo de ataques de políticos, “ativistas”, blogueiros, jornalistas, apresentadores de televisão etc, pelo simples fato de expressar sua opinião “politicamente incorreta” – com suas palavras sendo, frequentemente, manipuladas para serem revestidas dum sentido que, claramente, não foi o que ele quis dar.

Rachel Sheherazade, uma jornalista que expõe suas opiniões há muito, tem sido ridicularizada e ameaçada, inclusive por seus próprios “colegas” de profissão, pelo simples fato de expor suas convicções “politicamente incorretas” – também com suas palavras sendo distorcidas por outros jornalistas e politiqueiros de plantão para se revestirem dum sentido distinto daquele que ela originalmente as deu.

No caso desses dois personagens, encontramos uma séria ameaça à democracia e à liberdade. Os supostos “democratas” – isto é, aqueles que perseguem o Malafaia e a Sheherazade por dizerem o que não agrada àqueles primeiros – são as reais ameaças à democracia. São eles a real ameaça à liberdade de expressão do pensamento em nossa sociedade.

O mais interessante é que a maioria das ideias defendidas por Malafaia e Sheherazade é, provavelmente, o que a maioria dos brasileiros pensa!

Seja como for, minha intenção não é dizer sobre o que concordo ou discordo das ideias de meus dois personagens aqui. Minha intenção é, simplesmente, a de manifestar o meu apoio à sua liberdade de expressão de pensamento.

Política e religiosamente, acredito na liberdade. A Providência nos abençoou com a liberdade de escolher nossas crenças e de expressá-las. E as leis formuladas por nossa sociedade nos garantem esses direitos. Nossas leis nos garantem o direito de termos opiniões contrárias àquelas da maioria (real ou fictícia) e de poder expressá-las de acordo com a lei. Malafaia e Sheherazade, assim como todos nós, devem ter seus direitos à expressão de opinião garantidos. Pode-se concordar ou discordar do que dizem, mas, numa sociedade livre e democrática como esta constitucionalmente é, não se pode retirar deles seu direito democrático sem agredir a todos nós.

Seja lá quem tenha dito aquelas palavras, geralmente atribuídas a Voltaire, construiu um mote que tem sido parte de minha compreensão liberal democrata:

Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.

Isso, para mim, é o sentido da liberdade e da democracia.

Pela liberdade de expressão de opinião e pela liberdade de imprensa! Para mim, uma causa política, filosófica e religiosa.

+Gibson

sábado, 7 de abril de 2012

Liberdade de Expressão também para o Silas Malafaia


Hoje recebi uma mensagem que me irritou, por diferentes razões. A mensagem denunciava o pastor evangélico Silas Malafaia como “um agente do ódio contra os cidadãos gays e contra a democracia no Brasil”, especialmente em decorrência de seu ativismo contrário à PL 122/06 (a conhecida “Lei anti-homofobia”).

Como resposta, pedi que meu interlocutor me apresentasse provas de tal ódio “contra os cidadãos gays e contra a democracia” – além das citações e trechos de gravações em áudio e vídeo fora de contexto que ele incluiu em sua mensagem –, e sua contra-resposta foi a de que eu também era “parte do time” do Silas Malafaia.

Para que as coisas fiquem bem claras – se resta alguma dúvida –, devo esclarecer que me encontro num universo teológico, religioso, e social muitíssimo diferente e oposto ao do citado pastor: sou um protestante liberal – e não um evangélico –, e sou gay. Por protestante liberal, entenda-se que creio numa interpretação da tradição cristã que em muito diverge daquela acreditada e defendida pelo pastor Malafaia. Como consequência, minha visão das relações humanas – o que inclui aquelas referentes a orientações emociono-sexuais – também são diferentes das dele, ou das que ele acredita serem aceitas por Deus e pela tradição cristã. Por gay, entenda-se que sempre me considerei emocional e sexualmente atraído por outros homens, e não por mulheres – o que, em hipótese nenhuma, significa que minha vida não seja regida por uma ética sexual baseada em minha compreensão do Evangelho; significa, apenas, que outro homem é o objeto de meu afeto.

Como um fiel cristão liberal e gay, obviamente me sinto muito desconfortável quando ouço outros cristãos, que não partilham de minhas perspectivas teológicas, condenarem o que chamam de “práticas homossexuais”. Tenho a impressão que imaginem que ser “gay” seja uma questão de mecânica sexual apenas, e não envolva afeto e amor para com outra pessoa, e a si mesmo – mas, seja como for, essa é uma outra discussão. Como um unitarista, valorizo, prezo, e trabalho pela liberdade de todas as pessoas – para que possam expressar suas ideias, suas crenças, suas convicções, mesmo que me oponha a elas. Tem sido uma tradição secular de minha corrente teológica não-conformista dizer que “morreria, se necessário, para defender o direito de meu inimigo dizer o que ele pensa” – mesmo se o que ele pensa seja uma afronta às minhas ideias. Mas, não, espero que para defender o bom senso eu não precise morrer, mas apenas dizer o que acredito ser certo.

O pastor Silas Malafaia, enquanto ministro religioso, em minha visão, não é um homofóbico, é apenas um cristão fiel às suas convicções e um pastor aparentemente responsável para com suas ovelhas. Sua noção do que sejam as Boas Novas e sua práxis pastoral podem ser extremamente diferentes das minhas, mas elas são uma materialização clara de suas convicções. O que ele prega, enquanto pastor, não é o ódio aos indivíduos gays, mas, sim, suas convicções do que seja o tipo de vida esperado daquele que deseja ser parte de sua família de fé. Sim, isso inclui – para ele – uma condenação das “práticas homossexuais”, assim como inclui uma condenação das práticas heterossexuais que ele entende como imorais, mas isso não é o mesmo que incitação ao ódio!

Se Silas Malafaia merece ser condenado por defender seus pontos de vista – que até agora não se mostraram como incitação à violência ou ódio contra um grupo de pessoas –, então eu mereço ser também condenado por defender pontos de vista teológicos diferentes dos dele. O que ele parece ser bem vocífero contra é o “ativismo gay” que reina em algumas esferas do cenário público brasileiro – especialmente visível no caso da PL 122/06 (contra a qual tenho me posto publicamente já algum tempo) – e que levam a certos conflitos que têm caracterizado as relações sociais em nossa época. Eu, obviamente, apesar de poder discordar de algumas de suas interpretações, apoio seu direito de poder dizer o que pensa e defender publicamente o que acredita, desde que sob o manto da Constituição Federal (Artigo 5º, IV, VII).

Em minhão visão do que acontece hoje no Brasil, Silas Malafaia é uma vítima da campanha política (pseudo)pró-direitos humanos – se essa fosse uma campanha em prol dos direitos humanos, então defenderiam seu direito a dizer o que pensa. É engraçado como costumamos demonizar a todos aqueles que pensam diferentemente de nós, e como isso tem acontecido comigo (um ministro que também é gay) por me opor ao que a maioria dos ativistas gays pensam, consigo entender o que se passa no caso Malafaia. As acusações feitas contra ele são um absurdo, assim como também é um absurdo a tal PL 122/06!!!

+Gibson