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sábado, 17 de dezembro de 2016

Confissão e oração de Advento


Amo o simbolismo do Natal, apesar de não compreender a narrativa natalina como um relato histórico factual. Obviamente, para mim, sua concepção não foi virginal e não houve, literalmente, uma estrela nova no céu anunciando o nascimento do menino Jesus. O bebê, plenamente humano, seria posteriormente mergulhado no mito que o deificaria como a encarnação literal de Deus; e ser cristão, para os novos “ortodoxos” – especialmente a partir do século XX –, seria sinônimo de acreditar naquela narrativa metafórica neotestamentária como se fora o relato de uma factualidade inquestionável.

As narrativas bíblicas são um misto de memória histórica e linguagem metafórica. E como um cristão liberal, preocupo-me muito mais com outros aspectos da memória histórica metaforizada pela linguagem dos autores dos Evangelhos do que aquela duma concepção sobrenatural e nascimento anunciado por anjos e estrela. Jesus como “mamzer”, como refugiado, como perdoador, como desafiador duma cultura androcêntrica ao incluir o mundo feminino em sua linguagem, como praticante de suas palavras: esse Jesus plenamente humano personifica o símbolo da Divindade e, assim, pode ser visto e sentido como “Deus conosco”. Mas essa personificação é uma metáfora – uma verdade que se encontra apenas além da factualidade.

É a humanidade de Jesus, mais do que a divindade do Cristo, o que continua a me alimentar espiritualmente na tradição cristã. O Nazareno, posso amar plenamente: afinal, ele é humano como eu. E, enquanto humano, personificou a presença divina para os seus seguidores. O Cristo etéreo dos cristãos helenistas – construído para conseguir o respeito de intelectuais gregos – não me interessa tanto. Prefiro o rabino galileu. Ele é mais desafiador. É o seu nascimento que celebro no Natal: o homem que me ensina a ser humano e, assim, a transformar o aqui e agora no “basileia tou theou” [o reino/domínio de Deus] dos Evangelhos.

Sim. Vem Jesus; vem Cristo: em minhas ações, em minhas palavras, na forma como vivo minha vida e em como me relaciono com as outras pessoas e com o resto da Criação. Vem na forma como trato os diferentes de mim e os mais fracos. Vem para que eu também saiba compartilhar o meu pão com os famintos. Vem em meu rosto e mãos para receber o forasteiro. É minha oração de Advento. Amém.

+Gibson

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Minha duplicidade identitária e o espírito do Advento

Esta é a época do ano na qual mais tenho de lidar com as dificuldades em minha multiplicidade de identidades religiosas. Vivo num terreno nem sempre muito confortável de contínuas escolhas que, para outras pessoas – alheias a meu universo cultural –, podem parecer problemáticas. Como explicar a essas pessoas que sou um judeu e um cristão ao mesmo tempo? Adentremos a confusão!

Em primeiro lugar, devo enfatizar que não sou nem um judeu nem um cristão tradicionais. Também não sou um “messiânico”. Não sou um judeu que acredita que Jesus de Nazaré seja o Maschiah – o Messias de Israel. Também não sou um cristão judaizante! E, obviamente, não sou um trinitarista – ou seja, não acredito que o homem Jesus de Nazaré (se, de fato, foi um personagem histórico – o que acredito positivamente) fosse divino, no sentido de ser “um” em essência com Deus. Também não sou um teísta sobrenaturalista – não acredito num Deus pessoal que reja o Universo de algum ponto da realidade.

Sou um judeu étnico, herdeiro da tradição Reconstrucionista, e que, como tal, enxerga o Judaísmo como uma civilização religiosa da qual sou parte – e da qual, até certo ponto, escolho ser parte. Essa civilização é, metaforicamente, meu “direito de nascença” e escolho abraçá-la de forma que faça sentido para mim. Logo, vejo o Judaísmo, primariamente, como a (principal?) janela intelectual através da qual vejo o mundo e dou sentido à minha existência.

Ao mesmo tempo, também me considero um cristão, e pelas mesmas razões. Como filho duma família multireligiosa, vejo a tradição cristã que herdei – a tradição Unitarista Anglicana – como a janela religiosa através da qual enxergo representações do divino, filtradas por minha janela intelectual. É um casamento perfeito para mim.

Essa duplicidade cultural – que a maioria dos judeus veriam como assimilação, e a maioria dos cristãos como heresia – é parte de quem sou, e é algo do qual não me envergonho. Essa é, até certo ponto, a experiência de muitos outros judeus e unitaristas no mundo ocidental. Diferentes famílias se juntam, trazendo para a nova que se forma duas diferentes tradições religiosas, e o que resulta disso?... Bem, em minha experiência, uma fidelidade àquilo que é comum a ambas tradições, e uma rejeição daquilo que as separa. Como o Reconstrucionismo (o meu lado judaico) e o Unitarismo (o meu lado cristão) têm tantos pontos comuns, essa ponte não é tão complicada assim de ser construída.

A aparente confusão que se configura – especialmente para os brasileiros, que não estão acostumados a esse tipo de duplicidade identitária, tão comum na América do Norte – torna-se ainda mais escandalosa quando ouso dizer que gosto de pensar em mim mesmo como religiosamente cristão, cultural e intelectualmente judeu, eticamente humanista, e politicamente secularista, além de simpático às espiritualidades budista e muçulmana. Nada mais unitarista que isso!

E agora, ao adentrarmos o Advento, uma dificuldade caracteristicamente minha se apresenta. O que faz um ministro unitarista, que se apoia sobre um território de dupla fidelidade cultural-religiosa, para proclamar o espírito do Advento? Minha resposta: proclama aquilo que, oxalá, caracteriza a todos nós... a humanidade. O espírito que o Advento traz à minha espiritualidade é a de reafirmar a condição de humanos de todos nós – mesmo que para isso, faça uso duma linguagem metafórica acerca da “encarnação” do divino em um homem de Nazaré há dois milênios atrás. Todos nós somos seres humanos – seja lá o que isso queira dizer – e partilhamos o mesmo mundo, devendo, assim, encontrarmos formas de vivermos juntos neste mundo, em paz. Deus – essa metáfora criada por nós para nos referirmos àquilo que não podemos compreender plenamente acerca de nós mesmos e dos mistérios do cosmo – torna-se durante esta época do calendário cristão o canal através do qual damos nome à nossa esperança de convívio pacífico entre nós. Para mim, o nome mais apropriado deveria ser “humanidade”!

Rev. Gibson da Costa

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Leituras Para o Advento

Tempo do Advento: 28/Nov/2010 – 19/Dez/2010

Primeiro Domingo de Advento – 28 de Novembro de 2010
  • Primeira Leitura: Isaías 2:1-5
  • Salmo: Salmo 122
  • Segunda Leitura: Romanos 13:11-14
  • Evangelho: Mateus 24:36-44


    "Que possamos ter ouvidos para ouvir e olhos para ver, ó Deus, tua presença entre nós durante este tempo de alegria, enquanto antecipamos a vinda de Jesus. Amém."

Segundo Domingo de Advento – 5 de Dezembro de 2010
  • Primeira Leitura: Isaías 11:1-10
  • Salmo: Salmo 72:1-7, 18-19
  • Segunda Leituras: Romanos 15:4-13
  • Evangelho: Mateus 3:1-12


    "Ouça nossa humilde oração: que possamos servir a todos os teus filhos em alegria, dando voz à tua presença entre nós até o dia da vinda de Jesus. Amém."

Terceiro Domingo de Advento – 12 de Dezembro de 2010
  • Primeira Leitura: Isaías 35:1-10
  • Salmo: Salmo 146:5-10 ou Lucas 1:46b-55
  • Segunda Leitura: Tiago 5:7-10
  • Evangelho: Mateus 11:2-11


    "Deus de paz e alegria, tu que fortaleces o que está fraco, que enriqueces os pobres e dás esperança àqueles que vivem no medo, ajuda-nos a enxergar a necessidade de nosso próximo e a servi-los e amá-los incondicionalmente até a vinda de Jesus e para sempre. Amém."

Quarto Domingo de Advento – 19 de Dezembro de 2010
  • Primeira Leitura: Isaías 7:10-16
  • Salmo: Salmo 80:1-7, 17-19
  • Segunda Leitura: Romanos 1:1-7
  • Evangelho: Mateus 1:18-25


    "Deus da promessa, nos deste um sinal de teu amor por meio da presença de Jesus, nosso Mestre. Cremos, como José, na mensagem de tua presença, e oferecemos nossas orações em favor de teu mundo, confiantes em teu cuidado e amor para com toda a criação. Amém."

Acendendo as Velas de Advento

Em cada acendimento sucessivo das velas de Advento, todos os textos dos acendimentos anteriores são lidos juntamento com as leituras daquele dia específico.

No Primeiro Domingo de Advento e nos Domingos seguintes:

Neste dia testemunhamos a luz de Cristo com todos os fiéis de todos os tempos e todos os lugares:

Com Isaías e Jeremias, profetas de Israel,
esperamos a vinda da justiça e retidão à terra.

No Segundo Domingo de Advento, e nos outros acendimentos das velas:

Com João Batista, clamamos do deserto:
Preparem o caminho do Senhor!
Seu reino está próximo.”

No Terceiro Domingo de Advento, e nos outros acendimentos das velas:

Com Maria, a mãe de Jesus,
magnificamos o Senhor, nos alegrando em nosso Deus,
que fez grandes coisas.

No Quarto Domingo de Advento, e nos outros acendimentos das velas:

Com os autores dos Evangelhos,
contamos as boas novas de Jesus Cristo, a criança de Belém,
que veio para nos salvar com seus ensinamentos,
e vem novamente para reinar em nossos corações.

Na Véspera do Natal, ou no Dia de Natal:

Junto com todos os fieis de todos os tempos e lugares, cantamos:
Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra, aos homens de boa vontade.”

Em cada ocasião o acendimento das velas é concluído com:

A Palavra se tornou carne e viveu entre nós,
e vimos sua glória.
Aleluia!