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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

You are the Miracle!


"In the beginning God created the heaven and the earth." (Genesis 1:1)



With these words, the ancients chose to begin a story, a story of creation. There was nothing initially, only God. There was no space, no time. God then created the cosmos. The entire universe was the size of a grain of sand. Small and extremely hot. And now, look all around us! We are not a miracle - we are the miracle!

Since I was a kid, when I look at the night sky I try to imagine what aliens would think of us and of our world. I look at the stars in the sky and get uneasy when I imagine I'm not seeing the stars, but the light sent from them some thousand years ago. You are there in the present, looking into the past, worried about the future. At least that's what happens to me.

Until a few years ago, I used to feel almost overwhelmed when thinking of the universe. When I thought of time and space, I mean. After all, we are the product of about 13.7 billion years of history. Have you ever imagined that amount of time? Nearly fourteen billion years! I’m only thirty-two, and sometimes I already feel very close to what they call old age, now imagine the Universe. The distance that separates our solar system from the center of our galaxy, the Milky Way, is 26 thousand light years. And the distance that separates our solar system from our closest neighboring galaxy (Canis Major) is 25 thousand light years. Are you able to picture that distance? We would have to travel with the same speed of light in vacuum, ie, 299,792,458 meters per second, for twenty-five thousand years to reach Canis Major, or twenty-six thousand years to reach the center of the Milky Way. It is an inconceivable amount of distance and time for my imagination!

What about the Universe? Just think that until the 1920s humans thought that the Milky Way was the entire universe. Within the Milky Way we have between 200 and 400 billion stars. And today it is estimated that the Universe is composed of between 30 and 50 billion trillion stars, arranged in 80 to 140 billion galaxies. The most distant object we can see today is a quasar (a rotating black hole fed by matter) which is about 13 billion light years away - or rather, was there 13 billion years ago. Just thinking about it is fascinating and perplexing!

Compared to all this time and all that space, we seem irrelevant. Seem. But actually, I think we have an undoubted importance. After all, we do not know of any other beings who can think about these things as we do. At least, not until now.

The ancients, who had not the knowledge of the universe we have today, found poetic forms to explain their place in time and space. They found a room for the Mystery, and gave it a name: God. Today, many people think that there is no room for that Mystery. I disagree.

I can not explain what life is. I can not explain what love is. I can not explain the joy I feel when I learn more, when I write a song, or hug a friend I have not seen for a long time. I can not explain the pain I feel when I lose someone close, when I see pictures of victims of wars, or when I see a friend suffer. I can not explain the anger I feel when I hear speeches that incite violence and intolerance, when I see people being treated as if they were of no importance. These things are a mystery to me, I mean feeling what I feel, and explanations generally given about it is not enough to relieve my thirst for an answer. These things have a relationship with that inexplicable Mystery, with that Presence I call God.

We all have an incalculable value. Absolutely everyone. No matter the mistakes we have made. No matter if we don’t fit what others expect of us. No matter if we don’t have what others have. No matter if we do not look as the famous on TV. What really matters is that we are human and as humans we share a past, present, and a common destiny. We walk together, spinning on the same planet, in the same galaxy, in the same cosmos.

You and I have a guaranteed place in the history of our Universe. Our joys, our pains, our loves, our confusions, our doubts, our encounters, our disagreements, our music, our words, the melody that accompanies us during our very short physical existence, and the melody which will accompany the memory others will have of us when our existence comes to an end; all of that defines our importance in the Universe - in time and space. So do not feel less, nor small. You are not small. You are not less than anything. You are the miracle - the miracle which began more than 13 billion years ago, the miracle that will continue for longer. No matter who you are or where you are on your journey of life. No matter what you did, or how you are now. You are the miracle. You are the miracle.




Rev. Gibson da Costa - speech to the youth of the Unitarian Congregation of Pernambuco - Saturday, October 30, 2010.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Você é "o Milagre"


“No princípio, Deus criou o céu e a terra.” (Gênesis 1:1)


Com essas palavras, os antigos escolheram iniciar uma história, um relato da criação. Não havia nada inicialmente, apenas Deus. Não havia espaço, não havia tempo. Deus então criou o cosmo. Todo o universo era do tamanho de um grão de areia. Pequeno e extremamente quente. E agora, olhem para tudo ao nosso redor! Não somos um milagre – somos o milagre!

Quando olho para o céu à noite, desde muito pequeno, tento imaginar o que extraterrestres pensariam de nós e de nosso mundo. Olho para as estrelas no céu e me inquieto quando imagino que não estou vendo as estrelas, mas sim a luz enviada de algumas delas há milhares de anos atrás. Você está no presente, olhando para o passado, preocupado acerca do futuro. Pelo menos é isso que acontece comigo muitas vezes.

Até alguns anos atrás, me sentia quase que esmagado quando pensava no Universo. Quando pensava no tempo e no espaço. Afinal, somos o produto de cerca de 13,7 bilhões de anos de história. Já parou para imaginar esse tempo? Quase quatorze bilhões de anos! Eu só tenho trinta e dois, e às vezes já me sinto muito próximo do que chamam de velhice, agora imagine o Universo. A distância que separa nosso Sistema Solar do centro de nossa galáxia, a Via Láctea, é de 26 mil anos-luz. E a distância que separa o Sistema Solar da galáxia mais próxima de nós (Cão Maior) é de 25 mil anos-luz. Já imaginou esta distância? Teríamos que viajar com a mesma velocidade da luz no vácuo, isto é, 299.792.458 metros por segundo, durante vinte e cinco mil anos para alcançar Cão Maior, ou por vinte e seis mil anos para alcançar o centro da Via Láctea. É uma distância e tempo inconcebíveis para minha imaginação!

E o Universo? É só pensar que até a década de 1920 pensávamos que a Via Láctea fosse o Universo inteiro. Dentro dela temos entre 200 e 400 bilhões de estrelas. E hoje calcula-se que o Universo seja composto por entre 30 e 50 bilhões de trilhões de estrelas, organizadas em 80 a 140 bilhões de galáxias. O objeto mais distante de nós que podemos ver hoje é um quasar (um buraco negro rotativo alimentado com matéria) que está a cerca de 13 bilhões de anos-luz de distância – ou melhor, que estava lá 13 bilhões de anos atrás. Só pensar nisso já é fascinante e desconcertante!

Quando comparados a todo esse tempo e todo esse espaço, parecemos irrelevantes. Parecemos. Mas, na verdade, creio que temos uma importância incontestável. Afinal, não conhecemos outros seres que possam pensar a respeito dessas coisas. Pelo menos, não até agora.

Os antigos, que não tinham o conhecimento que hoje temos do Universo, encontraram formas poéticas para explicar seu lugar no tempo e espaço. Encontraram um espaço para o Mistério, e deram-lhe um nome: Deus. Hoje, muitos pensam que não há mais espaço para esse Mistério. Eu discordo.

Não consigo explicar o que é a vida. Não consigo explicar o que é o amor. Não consigo explicar a alegria que sinto quando aprendo mais, quando escrevo uma música, ou quando abraço um amigo que não vejo há muito. Não consigo explicar a dor que sinto quando perco alguém próximo, quando vejo imagens de vítimas de guerras, ou quando vejo um amigo sofrer. Não consigo explicar a revolta que sinto quando ouço discursos que incitam a violência e a intolerância, quando vejo pessoas sendo tratadas como se não tivessem importância. Essas coisas são um mistério para mim, e as explicações que geralmente dão acerca disso não são suficientes para aliviar minha sede por uma resposta. Essas coisas tem uma relação com aquele Mistério inexplicável, com aquela Presença que chamo de Deus.

Todos nós temos um valor incalculável. Absolutamente todos. Não importa os erros que tenhamos cometido. Não importa se não nos encaixamos naquilo que outros esperam de nós. Não importa se não temos o que outros têm. Não importa se não nos parecemos com os famosos da TV. O que realmente importa é que somos humanos e, como humanos, compartilhamos um passado, um presente e um destino comum. Caminhamos juntos, rodopiando no mesmo planeta, na mesma galáxia, no mesmo cosmo.

Você e eu temos um lugar garantido na história deste nosso Universo. Nossas alegrias, nossas dores, nossos amores, nossas confusões, nossas dúvidas, nossos encontros, nossos desencontros, nossa música, nossas palavras; a melodia que nos acompanha durante nossa curtíssima existência física, e a melodia que acompanhará a lembrança que terão de nós quando nossa existência chegar ao fim; tudo isso define nossa importância no Universo – no tempo e no espaço. Portanto, não se sinta menor, nem pequeno. Você não é pequeno. Você não é menor que nada. Você é o milagre – aquele milagre iniciado há mais de 13 bilhões de anos atrás, aquele milagre que continuará por mais tempo. Não importa quem você é, ou onde você está em sua jornada de vida. Não importa o que você fez, ou como você está agora. Você é o milagre. Você é o milagre.

Rev. Gibson da Costa - discurso aos jovens da Congregação Unitarista de Pernambuco - sábado, 30 de outubro de 2010.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Não somos todos iguais!


É muito fácil ignorar os cristãos liberais num mundo e num país como o nosso. O problema, talvez, comece pela própria compreensão dominante que se tem sobre religião em geral, e, mais especificamente, sobre o cristianismo.

Em minhas relações sociais, frequentemente tenho observado o que se diz sobre o cristianismo, e como a atenção se volta para tradições e grupos cristãos que tendem a assumir um perfil mais militante e mais conservador. A maioria das pessoas que me conhecem há pouco, se chocam quando descobrem que sou um ministro religioso, já que não sou o “religioso” mais convencional que conhecem.

Uma conhecida me disse há pouco que pensava que eu não tinha o “perfil” para ser chamado de “reverendo”, já que não recitava versículos bíblicos em nossas conversas, não insistia para que ela fosse à igreja, vestia jeans e calçava tênis, e ouvia rock e ia ao cinema. Depois disse que se não me conhecesse, pensaria que eu era um budista ou um ateu que meditava e que a última coisa que imaginaria era que eu fosse um cristão, e muito menos um protestante! Não preciso dizer que fiquei perplexo por seus comentários, apesar de saber que pensava aquilo por não ver em mim aquilas coisas que imaginava serem característica de cristãos.

Um outro problema de (in)compreensão é o sentido que muitas pessoas dão ao termo “liberal”. Alguns pensam que ser um “cristão liberal” signifique que você “não acredita em nada” (como se isso fosse possível!) e que não tenha nenhum princípio moral. Nenhuma dessas duas interpretações são corretas. Ser um cristão liberal é uma questão de como abordamos nossa fé e sua relação com o todo da vida, e como abordamos nossa relação com as outras pessoas e com o mundo em geral, incluindo aí nossa relação com Deus. Nós, cristãos liberais, tendemos a ver a humanidade e nossa cultura com muito mais otimismo e tolerância do que algumas outras tradições cristãs – não porque sejamos melhores que eles, mas simplesmente porque compreendemos nossa fé a partir de uma outra perspectiva.

Ao pensar que não pode haver cristãos liberais (política, social e religiosamente!), pacifistas, tolerantes, vegetarianos, gays, que ouvem rock e vão ao cinema, que leem não apenas a Bíblia, mas também os textos religiosos de outras tradições e as ideias seculares de pensadores modernos – como eu -, minha conhecida ignora uma grande parcela dos cristãos, e, talvez, um grande número de ministros religiosos das mais variadas tradições cristãs... Ela esqueceu o que ela mesma costuma dizer: NÃO SOMOS TODOS IGUAIS!

A voz da compaixão


Um tipo militante de religiosidade, às vezes chamado de “fundamentalismo”, tem se desenvolvido em cada uma das tradições religiosas mundiais como uma rebelião contra este mundo desequilibrado, uma rebelião contra a humilhação e a impotência, e há um senso de fúria expresso em termos religiosos. Isso tem feito com que a religião se foque cada vez mais numa compreensão estreita do dogma religioso. Todas as religiões do mundo têm uma história de intolerância, e, ao mesmo tempo, todas elas têm princípios para que essa intolerância seja vencida.

Nós queremos que as pessoas ouçam a voz compassiva da religião. Queremos mudar a direção da conversa, e trazer a compaixão para o centro das atenções.

A compaixão é o cerne de nossa religião, e quando a religião é praticada de uma forma sadia, ela deve enfatizar essa compaixão.

Escolhemos reconhecer a humanidade de todas as outras pessoas, não importando se são cristãs, judias, muçulmanas, hindus, seguidoras do candomblé, ou se são ateias ou agnósticas. Acreditamos na irmandade de todas as pessoas e em nossa responsabilidade comum de tornar este mundo um lugar seguro para todos nós.

A voz que escolhamos ouvir é a voz da compaixão. Você consegue ouvi-la?

domingo, 10 de outubro de 2010

Entendendo as celebrações religiosas dos unitaristas

Em nossa adoração, nós, unitaristas brasileiros, seguimos uma liturgia baseada na tradição litúrgica e teológica cristã unitarista advinda, em parte, da tradição litúrgica anglicana como praticada por nossa "igreja-mãe" nos EUA (a King's Chapel). O formato de nossas celebrações é típico da maioria das igrejas protestantes litúrgicas. Apesar de sermos uma comunidade de fé adogmática, no sentido de não exigirmos uma afirmação ou adesão a quaisquer doutrinas ou interpretações religiosas particulares, ainda assim, somos uma comunidade cristã.
 
O ciclo anual de adoração em nossa comunidade segue o calendário do ano litúrgico cristão, com a adição de algumas datas especiais para nossa tradição, o Unitarismo. Em todos os nossos ofícios religiosos celebramos a Santa Comunhão, que é aberta, sem restrição alguma, a todos aqueles que dela queiram participar.

A pregação é parte integrante de nossa tradição. O ministro geralmente profere um sermão baseado ou inspirado em uma leitura da Bíblia apontada por um calendário que, com algumas variações, segue o Lecionário Comum Revisado. Os sermões muitas vezes são também inspirados por leituras de outras fontes, como escrituras de outras religiões ou textos da literatura universal que exibam o mesmo espírito das leituras bíblicas apontadas para o dia.

Um outro componente especial em nossos ofícios religiosos é um período de silêncio, no qual abrimos nossos corações e mentes para ouvir a voz do divino. Muitas vezes, durante esse período de silêncio, os participantes lêem ou fazem desenhos, como uma forma de darem espaço para o divino mover-se entre eles.

Outro componente especial em nossos ofícios religiosos é a música. Nossa congregação se diferencia de outras igrejas cristãs por não utilizar apenas canções religiosas em seus ofícios. Utilizamos toda música que seja bela e edificante para alimentar nossos corações. Com muita freqüência, canções populares são entoadas, além de música de várias partes do mundo e de várias tradições espirituais.

Leituras de Hoje - Lecionário Comum Revisado

Primeira leitura e Salmo:

  • JEREMIAS 29:1, 4-7 ou 2 REIS 5:1-3, 7-15c
  • SALMO 66:1-12 ou SALMO 111

Segunda Leitura:

  • 2 TIMÓTEO 2:8-15

Evangelho:

  • LUCAS 17:11-19

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Fé e Ciência

"Em minha visão, não há nenhuma contradição em ser um cientista rigoroso e uma pessoa que acredita em um Deus que tem um interesse pessoal em cada um de nós. O domínio da ciência é examinar a natureza. O domínio de Deus está no mundo espiritual, um reino que não pode ser examinado com as ferramentas e a linguagem da ciência. Deve ser examinado com o coração, a mente, e a alma."

Francis Collins (diretor do Projeto Genoma Humano). The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief (p. 6).

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Um cristão agnóstico?

Ontem vi um episódio de um de meus programas favoritos da tevê, que, talvez, muitos de vocês não conheçam: Cara & Coroa, na TV Brasil. Se não conhecem o programa, meu conselho é que tentem assisti-lo um desses dias. É um programa muito inteligente e inspirador, que desconstrói a barreira artificial existente entre gerações etárias, apresentado por João Rocha Lima (o cara) e Milton Coelho da Graça (o coroa).

No episódio de ontem (exibido às 20h00), o tema tratado era a religiosidade, e numa conversa entre um dos apresentadores (Milton Graça) e um dos entrevistados (o profº Gilbraz Aragão, da Unicap), ouvi esta pérola:

Milton Graça: É possível ser religioso sem acreditar em Deus?

Gilbraz – depois de pensar por algum tempo: Acho impossível ser profundamente religioso sem em algum momento desacreditar daquilo que se convencionou chamar Deus.

Com poucas palavras, muita maturidade, e muita sensibilidade, o Professor Gilbraz foi capaz de resumir tudo o que muitos cristãos liberais, tudo o que muitos unitaristas, têm dito há muito. É impossível, em minha experiência, desenvolver uma fé pensada, equilibrada, profunda, sem que se passe por momentos de crise e escuridão, momentos de descrença e, talvez, de desconstrução.

Muitas pessoas podem se confundir quando me ouvem falar a respeito de minha “descrença”. Muitas vezes, para provocar – o que é uma característica muito destacada em minha personalidade -, digo que não acredito em Deus, e alguns que me ouvem pensam que se trate de uma confissão aberta de ateísmo. Isso aconteceu recentemente depois de um sermão meu em minha comunidade religiosa. Entretanto, todas as vezes que faço provocações como essa, ao mesmo tempo reafirmo minha fé na realidade de Deus.

Como acredito que as palavras tenham um peso muito grande no sentido que damos a afirmações teológicas, gosto de enfatizar minha fé na “Realidade de Deus” e não na “existência de Deus”. Em minha teologia pessoal, essas duas expressões têm um sentido completamente diferente.

O que significaria dizer que “Deus existe”? A existência é uma qualidade que atribuímos a pessoas ou coisas; obviamente, podemos atribuí-la a ideias e sentimentos também – por exemplo, poderíamos dizer “existe um sentimento de irmandade entre nós”, e estaríamos nos referindo a algo subjetivo; mas, como tradicionalmente usamos este verbo para falar em Deus como sendo uma “pessoa” separada de nós, com uma “existência objetiva” – ao menos, é a impressão que tenho quando ouço “Deus existe” -, prefiro usar uma expressão que não carregue em si o peso das concepções usuais e que não encerre em si noções muito ligadas a ideias de correção absoluta. É por isso que não digo “Deus existe”, mas “Deus é Real” ou “Deus é uma Realidade”.

Sou um descrente nas concepções a respeito de Deus construídas pela ortodoxia cristã. Não acredito no Deus ensinado pelos grandes teólogos da igreja cristã, e, em alguns casos, não acredito nas concepções de Deus ensinadas por alguns antigos unitaristas. Naquele Deus pessoa, todo-poderoso, que controla a história do mundo, capaz de nos salvar do sofrimento, eu não acredito. Minhas experiências de vida, o que sei acerca do universo do qual sou uma partícula, e tudo o que ocorre no mundo ao meu redor, são uma forte evidência, de que aquele Deus “não existe”. Ou, se preferem que eu seja mais objetivo e menos metafórico, aquelas ideias “ortodoxas” sobre Deus não me tocam, não me movem, e não fazem isso por terem se tornado uma língua muda, uma linguagem usada para convencer.

Apesar disso, entretanto, sou um crente na Realidade de Deus, que se faz presente das mais diferentes maneiras e mais diferentes momentos em minha vida. Não tento explicar Deus a ninguém, já que eu mesmo não tenho essa explicação. Deus deve ser experienciado e compreendido em nossa experiência, e não tratado como se fora objeto de uma observação científica. Deus é Real. Deus é uma Presença em minha vida, uma Presença para a qual não encontro palavras para descrever e uma Presença que me recuso a definir, mas, assim mesmo, uma Presença Real.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Liturgia - No Reino de Deus (uma meditação)

(Todos:)

Não temos que fazer nada para entrar no reino de Deus, para habitar no domínio de justiça. Nós já estamos lá. Só temos que permitir que essa verdade seja a verdade de nossas vidas.


Não temos de encontrar um caminho correto para chegar ao reino de Deus. Celebraremos juntos a realidade de estar no domínio de justiça.


(Acendendo a vela:)

Líder: Acendemos esta vela.

Todos: Escolhemos permanecer sob a luz da justiça de Deus.


(Apontando para a água:)

Líder: Recebemos a água.

Todos: Escolhemos receber e partilhar a água viva do domínio de Deus.


Líder: Oremos e nos movamos juntos:


(Mãos e braços elevados, palmas para fora:)

Espírito de Vida, vinde a mim.


(Mãos cruzadas, tocando o peito sobre o coração:)

Cantai em meu coração todas canções de compaixão.


(Erguer mãos, esquerda para a esquerda e direita para a direita, com palmas para o alto:)

Soprai ao vento, erguei-se no mar;


(Mãos juntas como uma concha, erguendo-se e soltando a justiça como a um pássaro:)

movei-se na terra, dando à vida a forma da justiça.


(Braços abaixados, palmas apontam para baixo como raízes, depois palmas apontam para cima como asas:)

As raízes me prendem aqui; as asas me libertam;


(Retornar ao início: mãos e braços elevados, palmas para fora:)

Espírito de Vida, vinde a mim, vinde a mim.



(Oração de Alcuíno:)


Todos:


Dá-nos, Senhor, nós oramos,

uma fé firme,

uma esperança inabalável,

uma paixão pela justiça.


Derrama em nossos corações

o Espírito de Sabedoria e Entendimento,

o Espírito de Equilíbrio e Vigor Espiritual,

o Espírito de Conhecimento e Compaixão Verdadeira,

o Espírito de Admiração a todas as Tuas Obras.


Luz Eterna,

brilha em nossos corações;


Bondade Eterna,

livra-nos do mal;


Sabedoria Eterna,

dissipa a escuridão de nossa ignorância;


Compaixão Eterna,

tem piedade de nós.


Permita-nos sempre buscar tua face

com todo nosso coração, alma, e força.


E em tua infinita misericórdia

traz-nos à plenitude de tua presença,

onde veremos tua glória

e viveremos tuas prometidas alegrias.


Em nome de Jesus,

nosso corpo e sangue,

nossa vida e nosso alento.


Amém.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Oração de Jesus - uma versão para hoje

Eterno Espírito,

Doador da vida,

Fonte de tudo o que é e de tudo o que será.

Pai e Mãe de todos nós,

Amoroso Deus, em quem está o céu:


Que teu nome ecoe no universo!

Que o caminho de tua justiça seja seguido pelos povos do mundo!

Que tua vontade celestial seja feita por todas as criaturas!

Que teu domínio de paz e liberdade sustenha nossa esperança e venha à terra.


Com o pão que precisamos hoje, alimenta-nos.

Nas mágoas que absorvemos uns dos outros, perdoa-nos.

Em tempos de tentação e aflição, fortalece-nos.

De provações muito difíceis, poupa-nos.

Da força de tudo que é mal, livra-nos.


Pois reinas na glória do poder que é o amor, agora e para sempre.


Amém.