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sábado, 6 de dezembro de 2008

A Próxima Reforma Radical - Vinte e Uma Teses - Robert W. Funk




Teologia

  1. O Deus da era metafísica está morto. Não há um deus pessoal externo aos seres humanos e ao mundo material. Temos de contar com uma profunda crise na linguagem teísta e substituí-la com uma conversa sobre se o universo tem sentido e sobre se a vida humana tem propósito.
  2. A doutrina da criação especial das espécies morreu com o advento do Darwinismo e com a nova compreensão da idade da terra e da magnitude do universo físico. A criação especial anda de mãos dadas com a noção de que a terra e os seres humanos estejam no centro da galáxia (a galáxia é antropocêntrica). O desaparecimento de um universo geocêntrico levou a doutrina da criação especial consigo.
  3. A desliteralização da história de Adão e Eva no Gênesis trouxe um fim ao dogma do pecado original como sendo algo herdado do primeiro ser humano. A morte não é uma punição pelo pecado, mas é inteiramente natural. E o pecado não é transmitido de geração a geração por meio do esperma humano, como sugerido por Agostinho.
  4. A noção de que Deus interfira com a ordem da natureza de tempos em tempos para ajudar ou punir não é mais plausível, apesar de as pessoas ainda acreditarem nela. Milagres são uma afronta à justiça e integridade de Deus, como quer que sejam entendidos. Os milagres são apenas concebíveis como o inexplicável; caso contrário, contradizem a regularidade da ordem do universo físico.
  5. A oração não faz sentido quando entendida como uma petição de favor ou perdão endereçada a um Deus externo, e não faz sentido se Deus não interfere nas leis da natureza. A oração como louvor é um resquício da era da monarquia no antigo Oriente Médio e está abaixo da dignidade da divindade. A oração deve ser entendida principalmente como meditação - como ouvir em vez de falar - e como atenção às necessidades do próximo.

Cristologia

  1. Devemos rebaixar Jesus. Não é mais plausível pensar em Jesus como sendo divino. A divindade de Jesus anda de mãos dadas com a velha maneira teísta de pensar a respeito de Deus.
  2. O enredo que os primeiros cristãos inventaram de uma figura redentora divina é tão arcaica quanto a mitologia na qual está moldada. Um Jesus que cai do céu, que executa um ato mágico que liberta os seres humanos do poder do pecado, que ressuscita dos mortos, e retorna ao céu simplesmente não é mais plausível. A noção de que ele retornará no fim dos tempos e que sentará em um julgamento cósmico é igualmente não plausível. Devemos encontrar um novo enredo para um Jesus mais crível.
  3. O nascimento virginal de Jesus é um insulto à inteligência moderna e deve ser abandonado. Além disso, é uma doutrina perniciosa que denigre as mulheres.
  4. A doutrina da expiação - a afirmação de que Deus matou seu próprio filho para satisfazer sua sede de satisfação - não é nem racional nem ética. Esta doutrina monstruosa deriva de um sistema sacrificial primitivo no qual os deuses tinham de ser apaziguados com uma oferta a eles de algum presente especial, como uma criança ou um animal.
  5. A ressurreição de Jesus não envolveu a ressuscitação de um cadáver. Jesus não se ergueu de entre os mortos, exceto, talvez, num sentido metafórico. O significado da ressurreição é de que alguns de seus seguidores - provavelmente não mais do que dois ou três - finalmente entenderam-no. Quando passaram a entender o significado de suas palavras e atos, não conheciam nenhum outro termo com o qual pudessem expressar sua surpresa a não ser afirmar que tinham-no visto vivo.
  6. A expectativa de que Jesus voltará e de que sentar-se-á num julgamento cósmico é parte integrante da visão de mundo mitológica que agora está morta. Além disso, ela desperta a cobiça humana pela punição de inimigos e de malfeitores e a correspondente esperança pelas recompensas dos piedosos e justos. Todos os elementos apocalípticos devem ser apagados da agenda cristã.
O Domínio de Deus de acordo com Jesus
  1. Jesus advoga e pratica uma confiança ética. O reino de Deus, para Jesus, é caracterizado pela confiança na ordem da criação e na bondade essencial do próximo.
  2. Jesus convida seus seguidores a celebrarem a vida como se tivessem acabado de descobrir um esconderijo de moedas num campo ou como se tivessem sido convidados para um banquete.
  3. Para Jesus, o reino de Deus é um domínio sem fronteiras sociais. Nesse reino não há judeu ou grego, homem ou mulher, escravo ou livre. homossexual ou heterossexual, amigo ou inimigo.
  4. Para Jesus, o reino de Deus não tem corretores, nem mediadores entre os seres humanos e a divindade. A igreja tem insistido na necessidade de mediadores, a fim de proteger seu sistema de corretagem.
  5. Para Jesus, o reino não exige rituais de culto para marcar os ritos de passagem de estrangeiro a cidadão, de pecador a justo, de criança a adulto, de cliente a corretor.
  6. No reino, o perdão é recíproco: os indivíduos podem tê-lo apenas se o oferecerem.
  7. O reino é uma jornada sem fim: chega-se apenas quando se parte. É, portanto, uma odisséia perpétua. Exílio e êxodo são as verdadeiras condições da autêntica existência.
O Cânon
  1. O Novo Testamento é um registro muito desigual e tendencioso de tentativas ortodoxas de inventar o Cristianismo. O cânon de escritura adotado pelo Cristianismo tradicional deveria ser contraído e expandido simultaneamente para refletir respeito pela velha tradição e abertura à nova. Apenas as obras de poetas fortes - aqueles que nos espantam, que nos surpreendem com um vislumbre do que está além da margem da visão presente - deveriam ser consideradas para inclusão. O cânon deveria ser uma coleção de escrituras sem um texto fixo e sem limites internos ou externos, como o mito do Rei Artur e os cavaleiros da távola redonda ou o mito do Oeste Americano.
  2. A Bíblia não contém padrões fixos, objetivos de comportamento que devam governar o comportamento humano em todos os tempos. Isto inclui os dez mandamentos, assim como as admoestações de Jesus.

A linguagem da fé

  1. Ao rearticular a visão de Jesus, devemos tomar cuidado para nos expressarmos com os mesmos elementos que ele empregou em suas parábolas e aforismos - paradoxo, hipérbole, exagero, e metáfora. Ademais, nossas reconstruções de suas visões devem ser provisórias, sempre sujeitas a alteração e correção.
Originalmente publicado em 1998, pelo autor.

Robert W. Funk (18/07/1926 - 03/09/2005)
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