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domingo, 4 de setembro de 2011

O Credo de Theophilus Lindsey


Há UM DEUS, uma única pessoa que é Deus, o único Criador e Senhor Soberano de todas as coisas.

O santo Jesus foi um homem da nação judaica, o servo desse Deus, altamente honrado e distinguido por ele.

O Espírito, ou Espírito Santo, não era uma pessoa ou ser inteligente, mas apenas o extraordinário poder ou dom de Deus, primeiro para nosso próprio Senhor Jesus Cristo em sua vida, e depois para os Apóstolos e muitos dos primeiros cristãos, para capacitá-los a pregar e propagar o Evangelho com sucesso.

Esse Credo é estritamente unitarista, ou o que seria chamado de sociniano. Nele não encontramos a ideia ariana da pré-existência da alma humana de Cristo, ou que ele originalmente possuísse uma natureza superangélica; ou que seus sofrimentos e morte fossem de alguma maneira considerados como propiciatórios, ou que honras divinas lhe fossem devidas. Tradicionalmente, o cristianismo unitarista anglófono rejeita essas visões como absurdas e afirma a simples humanidade de Jesus.

*O sacerdote anglicano Rev. Theophilus Lindsey (20 de junho de 1723 – 3 de novembro de 1808) foi o fundador da primeira igreja explicitamente unitarista da Inglaterra (em 1774).

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Os unitaristas em Recife


O Unitarismo iniciou sua história no Brasil ainda no século XIX, com os primeiros unitaristas tendo chegado à cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império, na década de 1820. Os primeiros unitaristas aqui estavam ligados a igrejas congregacionais, e reuniam-se em casas sem identificação exterior de local de culto.

Desde fins do século XIX, seis famílias unitaristas americanas viviam na cidade do Recife, onde, em suas casas, se reuniam semanalmente para adoração sob a liderança do missionário Rev. Hill.

A primeira igreja identificada como unitarista foi fundada em Recife em 6 de abril de 1933, pelo Rev. George Phelps - a Igreja Unitarista do Recife -, sendo composta por doze famílias unitaristas americanas e um grupo de quacres hicksitas. A Igreja Unitarista do Recife desenvolveu uma mistura muito particular de unitarismo anglicano (como é conhecida nossa tradição litúrgica high church) influenciado pelo pensamento quacre hicksita, que continua a ser a tradição da maior parte dos membros da Congregação Unitarista de Pernambuco até hoje.

O unitarismo altamente litúrgico e racionalista, tão característico da região de onde vieram os pais fundadores de nossa congregação, mesclou-se acidentalmente com o quaquerismo  livre dos hicksitas, tão característico da região de onde vieram os quacres que se juntaram a eles, e dessa junção surgiu a comunidade unitarista recifense - que, como sua igreja-mãe em Boston, afirmava ser “cristã unitarista em sua teologia, anglicana em sua liturgia, e congregacional em seu governo”, e adicionava a isso, “quacre em seu testemunho de paz”.

Os cristãos unitaristas formam um número ínfimo no Brasil, mas nos esforçamos para continuarmos fiéis àquele espírito esposado pelos fundadores de nossa comunidade.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

As crenças unitaristas e a linguagem litúrgica


Algumas perguntas me foram feitas acerca da liturgia na Congregação Unitarista de Pernambuco, e as respostas que dei àquelas perguntas me parecem apropriadas para uma discussão mais ampla acerca da compreensão litúrgica do Cristianismo Liberal como um todo.

Expliquei à pessoa que me questionara que nossa liturgia – assim como a liturgia de toda comunidade de fé – baseia-se em nossas compreensões teológicas (e filosóficas). A compreensão mais amplamente aceita em nossa comunidade é a de integridade. Nossas palavras e ações litúrgicas devem ser um reflexo da integridade de nossas crenças – que, em nosso caso, como teologicamente liberais, não estão acorrentadas ao dogma nem à tradição; nossas crenças são abertas à mudança.

Podemos pensar em, pelo menos, quatro princípios que nos guiam em nossas práticas litúrgicas:

1 – Nosso foco é um modus vivendi compassivo, e não crenças dogmáticas. A compaixão, que, para nós unitaristas, é a verdadeira religião (Miqueias 6:8; Tiago 1:27), faz-nos afirmar o valor e a dignidade de todos os seres humanos (Mateus 7:1-2; 25:37-40). A integridade que afirmamos exige que essa compaixão – esse amor, essa caritas – se expresse em nossas palavras e ações não apenas em nosso dia a dia, mas também em nossa liturgia na igreja. Logo, linguagens sexistas, racistas, homofóbicas, tribalistas, nacionalistas, violentas etc, não podem ser parte de nossa liturgia. É por esta razão que recusamos ler em nossas liturgias mesmo trechos das Escrituras que entendamos como exibindo tal tipo de linguagem.

2 – A maioria de nós unitaristas não compreende Deus como um ser sobrenatural que intervem na história humana. Há alguns de nós que certamente entendem Deus da maneira dita “tradicional”, mas a maioria de nós entendemos a Divindade como uma metáfora para os mais profundos valores humanos. A integridade que buscamos exige que sejamos cuidadosos e inclusivos para com todos em nossa liturgia; logo, nossa linguagem litúrgica tem de ser sensível às compreensões de todos os que fazem parte desta comunidade e que oram conosco.

3 – Para a maioria de nós unitaristas, Jesus é um mestre e um exemplo, e não um salvador sobrenatural enviado por Deus. Jesus “salva-nos” por meio de seus ensinamentos, e não por meio de uma morte para pagar por nossos “pecados”. Por causa disso, não fazemos uso dos tradicionais hinos cantados por outras igrejas cristãs – já que os mesmos estão moldados pela teologia da redenção; somos forçados por nosso anseio pela integridade a encontrar outras vozes para a nossa fé. Essa é a razão para a grande diferença musical em nossa comunidade – quando comparada a outras igrejas cristãs.

4 – Para nós unitaristas, o cristianismo não é o único caminho aceitável e autêntico para se chegar ao Divino ou para encontrar sentido na vida. A integridade que buscamos força-nos a honrar os caminhos que para outras pessoas são tão verdadeiros quanto o nosso é para nós próprios. Isso, mais uma vez, faz-nos rejeitar hinos ou afirmações que insinuem uma superioridade cristã em relação a outras pessoas, por exemplo.

O que nós unitaristas cremos, em essência, é que – mesmo fazendo uso de linguagem metafórica, muitas vezes – nossa linguagem litúrgica, que se expressa em palavras e atos, deve refletir nossas crenças; e essas crenças, em nosso caso, incluem a crença no valor e dignidade inerente de todos os seres humanos (homens, mulheres, de todos os gêneros e identidades de gênero, e de todas as orientações emociono-sexuais), uma crença na paz, na liberdade de pensamento, no exemplo deixado pelas palavras e ações atribuídos a Jesus de Nazaré – nosso mestre e modelo.

sábado, 30 de julho de 2011

A Eucaristia e os Sacramentos para os unitaristas


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"[...]Façam isto em memória de mim." (Lucas 22:19)

Entre nós, unitaristas, geralmente usamos dois diferentes nomes para nos referirmos a esse ritual de partilha de pão e vinho: Eucaristia ou (Santa) Comunhão – e, algumas vezes, ouvimos pessoas que vieram de alguma tradição evangélica chamá-lo de (Santa) Ceia (título este não muito comum entre nós). Seja como for, todos esses títulos saíram do Novo Testamento e enfatizam diferentes sentidos deste sacramento cristão.

Chamá-lo de Eucaristia – um termo tirado do Novo Testamento grego, e que significa ação de graças – lembra-nos que a gratidão à Providência é uma parte essencial tanto da espiritualidade cristã quanto da própria natureza deste ato sacramental.

Chamá-lo de Santa Comunhão lembra-nos que esse é um ato dos mais sagrados e íntimos em nossa tradição, tornando-nos um com Jesus Cristo e parte de seu corpo, a igreja.

Chamá-lo de Santa Ceia lembra-nos que este ato é uma refeição instituída pelo próprio Jesus e presidida por ele, em sua mesa, todas as vezes em que ela é celebrada.

Usar esses diferentes nomes para esse ritual que aqui celebramos todas as vezes que nos encontramos, é um reconhecimento de que nenhum desses títulos pode conter a riqueza de sentidos desse ato sagrado.

É importante que nos lembremos, antes de tudo, do sentido que damos ao termo que é usado para definir essa refeição sagrada: sacramento. Um sacramento tem sido definido, entre nós, como uma “encruzilhada” entre Deus e o homem – um ponto de encontro entre o humano e o sagrado. Um ato sacramental, como a Santa Comunhão ou o Batismo, por exemplo, distingue-se pelo seu uso de atos simbólicos, ou seja, de atos que expressam sentidos, e envolvem, além dos atos em si, palavras e (geralmente) objetos.

Muitos pensam que nós unitaristas não acreditamos em sacramentos e não os celebremos. Enganam-se os que assim pensam. Historicamente, tem havida uma ampla interpretação do que seja um sacramento e de seu papel em nosso meio. É verdade que a maioria de nós tem compreendido a participação externa em tais sacramentos como sendo não necessária para o genuíno discipulado cristão – uma genuína relação com o Divino – ou para a admissão à comunidade cristã; mas, por outro lado, ainda que não enxerguemos os sacramentos como uma espécie de exigência para estarmos de bem com Deus, a maioria esmagadora de nós os celebra continuamente como, pelo menos, um memorial à nossa fé. A realidade da prática sacramental em nossa congregação evidencia-se, por exemplo, quando pensamos no título recebido pelos ministros presbiterais em nossa comunidade: Ministro ou Ministra da Palavra e Sacramento.

Eu, particularmente, compreendo o todo da vida como sendo um sacramento. Pessoalmente, não acredito que um ato ou um momento seja mais sagrado que outro. Assim, prefiro enxergar todos os momentos de minha vida – mesmo aqueles que outros veriam como sendo profanos – como momentos sagrados, e todas as minhas ações como atos sagrados. Obviamente, não espero que todos compreendam a vida como eu a compreendo, nem que moldem suas compreensões teológicas às minhas; mas, duma certa maneira, não há uma distinção tão grande assim entre minha compreensão pessoal e aquela abraçada por nossa comunidade de fé como um todo.

Isso fica claro no momento em que novos membros são recebidos em nossa congregação. Aqui, na Congregação Unitarista de Pernambuco, apesar de o Batismo ser observado pela maioria de nossos membros, não há uma exigência de que alguém deva ser batizado para ser aceito como membro de nossa congregação. Esse tem sido um costume em nossa igreja desde sua fundação, já que, desde o início, tem havido pessoas com as mais diversas compreensões teológicas sobre o sentido dos sacramentos em nosso meio. O mesmo se aplica à nossa compreensão da Santa Comunhão. Se observarem bem, verão que nem todos nós partilhamos do pão e do cálice em nossas celebrações. Os que não partilham desses elementos, não o fazem não por estarem em pecado. Não tomam desses símbolos simplesmente por não os verem como necessários à sua relação com a Providência. Esses cristãos unitaristas fieis compreendem cada momento, cada lugar, cada ato de suas vidas como sendo aquela encruzilhada – aquele ponto de encontro – com o Divino. E, para nós, não há nada de errado com isso. Nossa vida comunitária prova que é possível manter-se uma unidade convenial mesmo em meio a diferentes compreensões teológicas. Podemos enxergar nossa fé de diferentes maneiras e, mesmo assim, manter-nos unidos pelo que fazemos juntos, e não pela maneira como compreendemos cada aspecto de nossa fé e de nossa existência. O que nos unifica é nossa aliança – as promessas que fazemos uns aos outros diante de Deus – e não uma lista de crenças que nos mantenha artificialmente juntos.

As palavras geralmente rezadas em nossa celebração eucarística são um testemunho de nossa compreensão do valor daquele ato simbólico. Alguns de nós podem entender aqueles símbolos como sendo a presença real de Jesus entre nós. Outros de nós podem entendê-los como sendo um símbolo da presença espiritual de Jesus entre nós. Outros, ainda, talvez a maioria de nós, os compreendem como um memorial da união que Jesus espera entre seus discípulos e da unidade entre todos os seres humanos, representada por símbolos tão universais quanto o pão e o vinho. Essa compreensão de união é exibida em nossa recepção de absolutamente todas as pessoas aos símbolos eucarísticos: você não precisa ser um unitarista, não precisa ser membro desta congregação, nem membro de qualquer outra comunidade cristã para ter acesso à Santa Comunhão. Como esta é uma refeição presidida por Jesus, você é um convidado dele para participar dela. Se você recebe ou não a Comunhão, é entre você e Deus.

Quando servimos esses elementos – o pão e o vinho –, o fazemos “em nome de todos aqueles e aquelas que, conhecidos ou desconhecidos, lembrados ou esquecidos, viveram e morreram como verdadeiros servos da humanidade”; em nome do espírito de amor ensinado por Jesus; e em nome da Providência, da Presença Eterna, de Deus. Assim, crianças e adultos, jovens e velhos, homens e mulheres, crentes ou descrentes, esquerdistas ou direitistas, heterossexuais ou gays, pobres ou ricos, nacionais ou estrangeiros, pretos ou brancos, afinal, todas as pessoas são aceitas à mesa cristã. Elas não precisam compreender aquele ato e aqueles símbolos da mesma maneira – só precisam ter o mesmo desejo de amarem e servirem a humanidade e, assim, estarão cumprindo o maior mandamento que Jesus nos deu. Sim, pois mesmo o que se diz ateu, ao amar e servir a seu próximo, está, em verdade, amando e servindo ao Deus do universo.

Que ao fim deste ato sacramental hoje, possamos repetir com toda força em nossos corações, mentes e almas as palavras que sempre rezamos: Cristo nasce em nós quando abrimos nossos corações à inocência e ao amor. Cristo vive em nós quando caminhamos a senda do perdão, reconciliação e compaixão. Cristo morre em nós quando nos rendemos à nossa própria arrogância, egoísmo e ódio. Cristo ressuscita em nós quando nossas almas se despertam da morte espiritual para se unirem à comunidade de amor, para entrar no reino divino aqui mesmo neste mundo. Saiamos em paz. Amém.”


Rev. Gibson da Costa - Sermão proferido na Congregação Unitarista de Pernambuco

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Liturgia da Santa Comunhão - 20 de fevereiro de 2011


CHAMADO À ADORAÇÃO

Ministro: Deus esteja com vocês!
Todos: E com você também!

Ministro: Deus certamente está conosco quando abrimos nossos olhos e contemplamos a beleza que nos cerca, ou, se não podemos ver, podemos sentir a vida da qual somos parte.

Todos: Deus é a fonte de Vida do Universo!

Ministro: Deus está conosco todas as vezes que ousamos nos amar mutuamente, honrando o valor e dignidade de toda pessoa que nos cerca, cuidando do mais fraco, protegendo o mais vulnerável, amando como Jesus nos ensinou.

Todos: Quando amamos, somos a presença de Deus no mundo!

Ministro: Como me apresentarei a Deus? Como me ajoelharei diante do Deus das alturas? Virei a ele com sacrifícios de animais? Devo trazer a ele dinheiro ou joias?

Todos: Ó homem, já foi explicado o que é bom e o que Deus exige de você: praticar a justiça, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus! (Miqueias 6:8)


Coral: Jesus disse: dou a vocês um novo mandamento. Amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. (João 13:34)

Ministro:
Oremos:
Amado Deus, Jesus nos ensinou que, sem amor, nossas ações não valem nada. Envia teu Espírito e derrama em nossos corações o dom do amor, o verdadeiro laço de paz e de toda bondade; em nome do mesmo Jesus que, com seus ensinamentos e exemplos, nos aponta o caminho para tua presença. Amém.


[MÚSICA]


Ministro: Meus amigos e minhas amigas, as Escrituras nos ensinam a amar incondicionalmente e a cuidar daqueles que nos cercam, alegrando-nos com os que se alegram, chorando com os que choram, vivendo em harmonia com todos, não nos deixando levar pela mania de grandeza, nem nos considerando mais sábios que os outros, nos preocupando em fazer sempre o bem ao próximo, vivendo sempre em paz com todos, nunca sendo vencidos pelo mal, mas sempre vencendo o mal com o bem (Romanos 12:10-21). Entretanto, somos imperfeitos, e ficamos muito longe dessa expectativa. Por isso, analisemos nossas vidas, e confessemos a Deus nossos erros, falhas e pecados, deixando o Espírito divino criar em nós o desejo de sermos a Presença de Deus na vida de todas as pessoas que nos cercam.


Todos: Amado Deus, confessamos que não temos te amado com todo nosso coração, mente, e força, e não temos amado nosso próximo como a nós mesmos. Em teu amor, perdoa-nos pelo que temos sido, ajuda-nos a consertar o que somos, e molda o que seremos, para que possamos nos alegrar em nossa vida, amando incondicionalmente e abrindo nossas mentes, nossas mãos e nossos corações todos os dias de nossas vidas.


Ministro: Eu vos declaro, como tantas vezes fez Jesus em seu próprio tempo, que vocês estão e são perdoados. Que o Deus de amor, que perdoa todos os vossos erros, vos fortaleça em todo bem e, pelo poder do seu Espírito, vos preserve na vida eterna.

Todos: Amém.

E já que Deus nos perdoou, nos perdoemos uns aos outros. A paz de Deus esteja com todos vocês.

Todos: E com você também!

[Todos compartilham uns com os outros, em palavras e gestos, sinais de paz e reconciliação.]


[MÚSICA]

ORAÇÃO DE ILUMINAÇÃO: Diácono Elias Santana

Diácono: Oremos.
Ó Deus, nos diz o que precisamos ouvir, e nos mostra o que devemos fazer, para que possamos curar o mundo e trazer a tua Presença entre nós.

Todos: Amém!

Diácono: Ouçam o que o Espírito está dizendo à igreja.

PRIMEIRA LEITURA: Sandra Lima - Levítico 19:1-2, 9-18.

[Depois da leitura:]
Leitora: Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus.


SALMO: Cantado pelos Humiliati e pela congregação - 119:33-40


SEGUNDA LEITURA: Cristina Wolfenson - 1 Coríntios 3:10-11, 16-23

[Depois da leitura:]
Leitora: Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus.


[CÂNTICO DE PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO – pelos Humiliati]


EVANGELHO: Diácona (Alicia Phelps) - Mateus 5:38-48

Diácona: O Evangelho de nosso senhor Jesus Cristo de acordo com Mateus.
Todos: Glória a ti, ó Deus!

[Depois da leitura:]
Diácona: O Evangelho do Senhor!
Todos: Glória a Deus!


SERMÃO: Ministro (Rev. Gibson da Costa)


DOXOLOGIA:

Ministro: Ao rei dos séculos, ao Deus incorruptível, invisível e único, honra e glória para sempre!
Todos: Amém!


[MÚSICA]


AFIRMAÇÃO DE FÉ:

Ministro: Não estamos sozinhos.
Todos: Vivemos no mundo de Deus.
Ministro: Cremos em Deus,
Todos: que criou e está criando, que nos enviou Jesus como anunciador de Sua palavra, para reconciliar e renovar, que opera em nós e em outros através do Espírito.
Ministro: Confiamos em Deus,
Todos: que nos convoca à igreja, para celebrar a vida e sua plenitude, para amar e servir aos outros, para buscar justiça e resistir ao mal, para proclamar a mensagem de Jesus, nosso modelo de amor incondicional.
Ministro: Na vida, na morte, na vida além da morte, Deus está conosco.
Todos: Não estamos sozinhos. Graças a Deus.


ORAÇÃO DO POVO: Diácono Lars Channing


[MÚSICA]


CELEBRAÇÃO DA COMUNHÃO

Ministro: Desde tempos antigos, celebramos este banquete de pão e vinho. Na noite antes de sua morte, Jesus e seus amigos se reuniram ao redor da mesa. Ele tinha falado sobre um Deus que queria salvar todo o mundo; da cruz que deve ser carregada; do cálice que deve ser esvaziado; e da alegria encontrada pelos que amam. E agora, ele falava da comunhão em seu amor, que é maior que a morte; e da escuridão que encontram aqueles que se afastam do amor. Aquele foi um banquete de pão e vinho. O pão, feito de grãos de trigo, deveria ser partido; como seu corpo foi partido e morreu. O vinho, extraído da uva, deveria ser bebido por todos; como suas palavras foram bebidas por todos que o ouviam. Aqueles que partilharam daquele banquete, entendiam o significado do momento. Eles entendiam: a escuridão da traição; o poder da comunhão num amor mais poderoso que a morte; a paz daqueles que permanecem em seu amor. O banquete de pão e vinho é a comunhão neste amor que encontramos em Jesus, no qual partilhamos por meio dele; a comunhão com os que já se foram; a comunhão com os que estão longe; a comunhão com os que estão próximos; a comunhão com todos aqueles que virão depois de nós.

Amigos e amigas, em fé e amor, todos vocês são convidados a esta Comunhão, independentemente de pertencerem a esta igreja, a qualquer outra, ou a nenhuma. Todos os que anseiam viver em comunhão com Jesus e com seus ensinamentos são bem-vindos.

Agora ousemos dizer juntos uma adaptação da oração que Jesus ensinou a todos aqueles que se juntavam à vida no Espírito:

Todos:
Eterno Espírito,
Doador da vida,
Fonte de tudo o que é e de tudo o que será.
Pai e Mãe de todos nós,
Amoroso Deus, em quem está o céu:

Que teu nome ecoe no universo!
Que o caminho de tua justiça seja seguido pelos povos do mundo!
Que tua vontade celestial seja feita por todas as criaturas!
Que teu domínio de paz e liberdade sustenha nossa esperança e venha à terra.

Com o pão que precisamos hoje, alimenta-nos.
Nas mágoas que absorvemos uns dos outros, perdoa-nos.
Em tempos de tentação e aflição, fortalece-nos.
De provações muito difíceis, poupa-nos.
Da força de tudo que é mal, livra-nos.

Pois reinas na glória do poder que é o amor, agora e para sempre.

Amém.

[Silêncio]

Diácona: Neste ofício, comemoramos uma grande amizade e um grande sacrifício. Nos reunimos aqui para ter comunhão com Deus através do exemplo de Jesus, para que possamos renovar e aprofundar nossa relação com ele, e aumentar o poder e sinceridade de nosso discipulado. O amor pelos outros e o desejo de servi-los foi a grande paixão de sua vida. Pensamos nele não apenas em relação a seus próprios discípulos, com quem ele partilhou o dom de seu espírito, mas também em sua relação com os homens e as mulheres de seu tempo, a quem ele deu o melhor de si, tanto em palavra quanto em ação. O que mais o distinguiu foi a ênfase que deu à comunhão espiritual. Amizade com ele não significava apenas ajuda prática e simpatia, mas também encorajamento e apoio espiritual. Ele afirmava insistentemente que os famintos devem ser alimentados, que os nus devem ser vestidos, que os doentes devem ser visitados; mas ele não insistia menos, por causa disso, que as almas das mulheres e dos homens devem ser alimentadas, para que possam partilhar as riquezas da vida eterna. Em tudo o que disse e fez Jesus apelou à vida do espírito. Todas as mulheres e homens eram para ele suas irmãs e irmãos em Deus, e nesta ideia ele baseou sua relação com eles. Amor a Deus e amor à humanidade não eram princípios que se podiam escolher. Eles eram os princípios mais importantes da humanidade, sem os quais uma vida verdadeira era impossível.

Hoje, sejam quais forem nossas perplexidades ou dificuldades, ainda reconhecemos a verdade e a beleza do princípio cristão. Nossa natureza espiritual nos convoca ao ministério de amor e serviço. Frequentemente, nossos ideais são negados no domínio da vida prática e diária. Entretanto, não podemos nos envergonhar do claro testemunho de nossas almas ao amor a Deus e à humanidade como sendo as coisas supremas da vida. Como Jesus, devemos a elas nossa plena lealdade; e oramos para que enquanto partilhamos dos símbolos de seu ministério e sacrifício, possamos compartilhar da amizade de seu espírito, e sejamos fortificados e purificados em nossas almas por meio de nossa comunhão com ele. Que sejamos um neste ministério do Espírito, em nosso discipulado cristão, com todas as mulheres e homens fiéis de todas as eras, de todo lugar e de toda fé que têm amado e servido a humanidade no espírito de Jesus.

Ministro: Enquanto Jesus comia com seus discípulos em uma sala, tomou um pão, agradeceu a Deus, o partiu e distribuiu a eles, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês. Façam isto em memória de mim”. Depois ele fez o mesmo com o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança do meu sangue. Façam isto em memória de mim”.

[O ministro ergue o pão e diz:]
Ministro: E então, como todos partilham do pão da vida e são filhos de Deus, partimos este pão como um sinal e símbolo de Jesus, de todos os que têm fielmente servido a Deus e à humanidade, e como uma lembrança de nosso desejo de servirmos uns aos outros em perfeito amor.

Todos: Neste momento de lembrança e partilha, possa nosso desejo de servir a Deus e à humanidade ser renovado dentro de nós.

[O ministro ergue o cálice e diz:]
Ministro: Como somos todos feitos de um sangue e juntos partilhamos este mundo, tomamos este cálice como sinal e símbolo de Jesus, de todos os que têm testemunhado sobre a unidade da humanidade, e como uma lembrança de nosso desejo de que, como temos recebido gratuitamente, gratuitamente daremos.

[O pão e o cálice são distribuídos.]

[Quando todos os que desejarem tiverem tomado do pão e do vinho, haverá um momento de oração silenciosa.]

Ministro: Eterno Deus, te damos graças por nos teres posto no caminho de tantas mulheres e homens bons e fiéis. Lembramos de todos aqueles que, desde o começo do mundo, têm trabalhado pela justiça e têm caminhado contigo, todos cujas vidas têm sido marcado pela mesma beleza que estava em Jesus. Que a nuvem de testemunhos seja para nós um exemplo da vida com Deus, e que por meio da fé, esperança e amor, possamos estar unidos a eles e a ti, agora e eternamente.

Junta-nos ou espalha-nos, ó Deus, de acordo com tua vontade. Faz-nos uma igreja, uma igreja com mentes, mãos e corações abertos, uma igreja que leva este mundo à sério, pronta para trabalhar e para sofrer, ou até mesmo sangrar por ele.

Todos: Cristo nasce em nós quando abrimos nossos corações à inocência e ao amor. Cristo vive em nós quando caminhamos a senda do perdão, reconciliação e compaixão. Cristo morre em nós quando nos rendemos à nossa própria arrogância, egoísmo e ódio. Cristo ressuscita em nós quando nossas almas se despertam da morte espiritual para se unirem à comunidade de amor, para entrar no reino divino aqui mesmo neste mundo. Saiamos em paz. Amém.

[MÚSICA]

Congregação Unitarista de Pernambuco - 20 de fevereiro de 2011.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

A obra da igreja

Thomas Starr King


Esta é minha visão da obra da Igreja – tornar os homens internamente cristãos, fazendo-os direcionar sua afeição ao que é puro e santo, e depois enviá-los como agentes reformadores da sociedade, para que possam trabalhar da melhor maneira que seus instintos os direcionarem.”


Thomas Starr King (1824-1864), Carta a Randolph Ryer, 11 de junho de 1849 – ministro unitarista

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

A igreja na concepção unitarista

"A nossa igreja é uma igreja da razão – não porque a mente seja livre de erros, mas porque o diálogo de mente com mente, e da mente consigo mesma, refina o pensamento religioso.


A nossa igreja é uma igreja de obra moral – não porque pensemos que a moralidade seja uma religião suficiente, mas porque não conhecemos uma melhor maneira de mostrar nossa gratidão a Deus, e nossa confiança uns nos outros.


A nossa igreja é uma igreja de consciência – não porque acreditemos que a consciência seja infalível, mas porque ela é o local de encontro entre Deus e o espírito humano.


A nossa igreja é uma igreja adogmática – não porque não tenhamos crenças, mas porque não seremos restringidos em nossas crenças."


Rev. Wallace W. Robbins - ministro unitarista, falecido em 1988

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

História Unitarista: O Movimento da Religião Livre

O Movimento da Religião Livre no Unitarismo:
Abrindo as Portas Para os Não-Cristãos


Durante o século XIX, a reputação do Unitarismo como uma religião inclusiva e adogmática atraiu muitos não-cristãos, muitos dos quais poderiam ser descritos como teístas científicos ou deístas. Eles ansiavam encontrar um lugar onde pudessem se reunir e adorar, mas não conseguiam encontrá-lo nas igrejas tradicionais. Era natural que encontrassem esse lugar que buscavam nas igrejas unitaristas, onde eles encontravam a força e o encorajamento da comunidade, mesmo que o foco dos sermões e liturgias fossem cristãos. Em alguns lugares, congregações liberais que não eram cristãs em caráter se formaram, e estas se associaram às organizações unitaristas. Os não-cristãos eram uma minoria até boa parte do século XX, mas eles provaram ter uma voz muito forte, e alguns fatos garantiram sua sobrevivência e influência dentro do Unitarismo.

Durante a década de 1860, o "movimento da religião livre" ganhou força nas igrejas unitaristas. Apoiadores desse movimento tinham a intensão de levar a liberdade religiosa à sua conclusão lógica: uma abertura completa a todos os sentimentos e persuasões religiosos. Em 1865, no primeiro congresso anual da Conferência Nacional de Igrejas Unitaristas em Nova York, eles tentaram convencer a assembléia a permitir que todas as igrejas liberais, cristãs ou não, pudessem se tornar membros da Conferência. Entretanto, a maioria não era a favor disso, e no preâmbulo da nova constituição, o caráter cristão da organização foi afirmado. No ano seguinte, o assunto continuou a ser debatido em sermões, panfletos, e periódicos. No congresso anual seguinte, Francis Ellingwood Abbott propôs um novo preâmbulo para a constituição da Conferência, que declarava que as igrejas da Conferência, "desconsiderando todas as diferenças sectárias ou teológicas, e oferecendo uma irmandade cordial a todos os que se juntarem a elas na obra cristã, se unem em uma organização comum, a ser conhecida como A Conferência Nacional de Igrejas Unitaristas e Outras Igrejas Cristãs". A emenda foi rejeitada. Entretanto, por sugestão de James Freeman Clarke, concordou-se em mudar o nome da associação para A Conferência Nacional de Igrejas Unitaristas e Outras Igrejas Cristãs. Foi explicado que a expressão "Outras Igrejas Cristãs" não intencionava "excluir sociedades religiosas que não tenham uma distinta organização eclesiástica, e que não sejam nominalmente cristãs, se essas desejam cooperar com a Conferência no que ela considera como obra cristã".

Muitos dos progressistas não estavam satisfeitos com a concessão, e no trem de volta a Boston, um grupo deles decidiu organizar uma associação para eles mesmos que garantisse a liberdade religiosa que eles estavam buscando e lhes provesse uma forma de expressar suas idéias. Em 30 de maio de 1867, nasceu a Associação Religiosa Livre. Octavius Brooks Frothingham foi nomeado como o presidente. Outros membros notáveis eram Cyrus A. Bartol, Francis Ellingwood Abbott, William J. Potter, John Weiss, David Wasson, John White Chadwick, Louisa May Alcott e Ralph Waldo Emerson. O grupo defendia a universalidade da religião e defendia que todas as fases da opinião religiosa devessem ser representadas em sua membresia e plataforma. Na revisão de sua constituição em 1872, declarou-se que "nada no nome ou constituição da Associação poderá ser interpretado como se limitasse a membresia a qualquer teste de opinião ou crença especulativas, ou como se definisse a posição da Associação, coletivamente considerada, com referência a qualquer opinião ou crença, ou como se interferisse de qualquer outra maneira na absoluta liberdade de pensamento e expressão que é o direito natural de cada ser racional". Os dois principais jornais da organização eram "The Radical", editado por Sidney H. Morse, e "The Index", editado por Francis E. Abbott. Sempre se argumentava nas páginas desses periódicos que era hora de ir além do Cristianismo e abraçar um teísmo universal que rejeitasse qualquer tentativa de se manter uma teologia com a qual todos concordassem e permitisse que cada indivíduo encontrasse Deus de sua própria maneira. Alguns enfatizavam a intuição; outros enfatizavam o avanço da ciência.

Nos anos seguintes, a Conferência Nacional se esforçou para trazer os membros da Associação Religiosa Livre de volta à Conferência. Entretanto, todas as tentativas forma mal-sucedidas, já que ou as concessões não eram suficientemente conciliatórias para o movimento da religião livre ou eram radicais demais para os cristãos. A tensão entre os dois grupos permaneceu grande pois muitos membros da Associação Religiosa Livre continuaram a ocupar púlpitos unitaristas e a freqüentar igrejas unitaristas. Uma controvérsia surgiu em 1873, quando os nomes de ministros associados à ARL começaram a ser removidos da lista de ministros no Livro Anual da Associação Unitarista Americana. Depois de uma forte reação, decidiu-se que nenhum nome deveria ser removido a não ser que o ministro em questão o requisitasse ou que ele tivesse oficialmente deixado a denominação.

A Associação Religiosa Livre eventualmente desapareceu, mas alguns de seus membros se tornaram notáveis filósofos desse período, e sua palavra teve um impacto sobre seus antigos associados nas igrejas unitaristas. Durante a década de 1880, a controvérsia surgiu mais uma vez na Conferência Unitarista do Oeste, mesmo que de uma forma um pouco diferente. Enquanto ainda enfatizando o teísmo universal, um significativo elemento humanista também começou a se formar, que deixou de lado o conceito de "Deus" e se focou na ética. A influência do movimento da religião livre podia ser vista claramente na decisão de 1882 de se aceitar para a Conferência Unitarista do Oeste o lema "Liberdade, Irmandade, e Caráter em Religião", que é muito similar ao lema da Associação Religiosa Livre ("Liberdade e Irmandade na Religião"). Os líderes do movimento no Oeste eram Jenkin Lloyd Jones e William Channing Gannett, cujas opiniões eram expressas em seu jornal, "Unity", e aqueles em simpatia com eles eram alcunhados de "Unity men". Sua influência muito preocupou os cristãos, e Jabez T. Sunderland, o secretário da Conferência Unitarista do Oeste, publicou um panfleto em 1886 intitulado "O Problema no Oeste", no qual ele falava de sua apreensão a respeito da situação das coisas: "Este novo Unitarismo tem demonstrado uma especial simpatia pelo movimento da Religião Livre e pelo movimento ético, tem buscado se diferenciar do Unitarismo do Leste como se fora algo "mais amplo" e "mais avançado" que aquele, tem há muito sido averso ao uso do nome cristão, e pelos últimos anos tem cada vez mais se distanciado até mesmo de uma base teísta, até agora declara abertamente que mesmo a crença em Deus não deva mais ser declarada como algo essencial do Unitarismo... que o Unitarismo deve defender crenças éticas e crenças em assim-chamados "princípios", mas não crenças em qualquer coisa que o comprometa com o teísmo ou o cristianismo".

Apesar das objeções de Sunderland, o movimento Unity permaneceu forte, e no congresso anual da Conferência Unitarista do Oeste naquele ano, por um voto de 34 a 10, uma resolução foi adotada, composta por William Channing Gannett, que declarava: "A Conferência Unitarista do Oeste condiciona sua membresia a nenhum teste dogmático, mas recebe a todos que queiram juntar-se a ela a fim de estabelecer verdade, retidão, e amor no mundo". Muitas das igrejas mais conservadoras na conferência ficaram insatisfeitas com a direção que a Conferência tomara e deixaram-na. No congresso seguinte em 1887, uma tentativa foi feita para se efetuar uma reconciliação, e Gannett compôs uma declaração adicional, "Coisas Nas Quais Comumente Acreditamos". Essa declaração não satisfez os conservadores, e a controvérsia continuou por alguns anos mais.

Finalmente, no congresso anual da Conferência Nacional em 1894, todas as partes concordaram em adotar um novo preâmbulo para a constituição, que declarava: "A Conferência reconhece o fato de que a tradição e política de seus constituintes seja Congregacional. Portanto, declara que nada nesta constituição seja considerada como um teste de autoridade; e cordialmente convidamos à nossa irmandade qualquer um que, mesmo diferindo de nós em crença, esteja em simpatia geral com nosso espírito e nossas metas práticas". Esta declaração preparou o terreno para o que estava por vir.
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A Congregação Unitarista de Pernambuco apóia a liberdade religiosa. Entendemos que há diferentes, e mesmo assim legítimos, caminhos para Deus, e reconhecemos que outras tradições religiosas, crenças, filosofias, e textos religiosos enfatizam amor a Deus e à humanidade. Seguimos princípios religiosos que permitem que pessoas com outros conceitos monoteístas de Deus, fora da tradição cristã, e não-cristãos possam ser membros. Neste respeito, abraçamos o movimento da religião livre. Entretanto, apesar de crermos que a absoluta liberdade religiosa seja um direito que deva ser garantido pelo Estado e pela sociedade, não cremos que a absoluta liberdade religiosa seja em si uma religião. Uma organização religiosa é um grupo de pessoas que praticam uma religião distinta, e não um grupo de pessoas de diferentes religiões fazendo algo que não seja a prática de uma religião distinta. James Freeman Clarke disse certa vez: "A Religião Livre sacrifica o poder motivo derivado da associação e simpatia religiosa em favor de uma maior liberdade intelectual". Essa é uma armadilha na qual caiu o movimento da religião livre, e o resultado é que a religião distinta do Unitarismo se diluiu e se perdeu em muitas partes do mundo.

A Congregação Unitarista de Pernambuco promove o Unitarismo como a religião distinta que ele é. Mantemos uma tradição de fé distinta, monoteísta, e enraizada na tradição ocidental. Isso não significa que definimos conceitos de Deus e outros temas religiosos; e não significa que rejeitemos grupos religiosos e indivíduos que não sejam parte de nossa tradição. Ser abertos a outras interpretações e compreensões de Deus é parte da tradição unitarista. Entretanto, a Congregação Unitarista de Pernambuco é uma instituição que promove e ensina a tradição unitarista e honra as bases cristãs dessa tradição. O fundamento dessa tradição é a fé em um Deus.