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sábado, 18 de março de 2017

Pela Resistência da Compaixão: um convite aos meus irmãos e irmãs judeus, cristãos e muçulmanos

Nossa época evidencia o quanto nossas tradições de fé têm sido sequestradas pela retórica do medo, da desconfiança, da intolerância, do fanatismo e do ódio. Outro dia, por exemplo, ouvi um pregador falar tão entusiasticamente da “ira de deus” que suas palavras me causaram náusea. Ele proclamava um suposto ódio de seu “deus” a todos aqueles que não abraçavam sua visão teológica – e o mais assustador é que se tratava de um pregador duma tradicional igreja cristã.

A retórica daquele cristão, infelizmente, é compartilhada por muitos outros cristãos, judeus e muçulmanos – além de irmãs e irmãos de outras tradições de fé. O Deus que nossas tradições proclamam como “amor” é substituído por um deus faccioso de ódio, violência e vingança. Abandonamos o Deus do Universo e nos apegamos ao deus nacional; trocamos o Deus do amor e da paz pelo deus das metralhadoras e da guerra.

Como sempre repito, rejeito a ligação entre Igreja/Religião e Estado – justamente porque essa ligação subentende uma deidade e uma fé nacionais, tribalistas. Isso, contudo, não equivale a dizer que minha fé não seja política. Tudo o que se estabelece na convivência entre seres humanos é político – e isso inclui, necessariamente, tanto nossas comunidades de fé quanto as convicções e práticas que os membros dessas comunidades partilham entre si.

Já imaginaram o quão político é o mandamento judaico, cristão e muçulmano de amar e cuidar dos demais humanos? E ele é “político” principalmente porque só pode ser cumprido através de nossa relação com outras pessoas. É convivendo com elas e nos portando de certa maneira para com elas que podemos cumprir o espírito de nossa fé. Essa é uma exigência das tradições de fé judaicas, cristãs e muçulmanas.

Nas Escrituras dessas três tradições, encontramos exemplos claros desses mandamentos. Quando nos voltamos à Bíblia Hebraica, por exemplo, encontramos:

Não explore o imigrante nem o oprima… Não maltrate a viúva nem o órfão… Se você emprestar dinheiro a alguém do meu povo, a um pobre que vive ao seu lado, você não se comportará como agiota: vocês não devem cobrar juros. (Êxodo 22:20-24)

Não faça declarações falsas e não entre em acordo com o culpado para testemunhar em favor de uma injustiça. Não tome o partido dos poderosos para fazer o mal. E, num processo, não preste depoimento inclinando-se em favor dos poderosos, a fim de torcer o direito; nem favoreça o poderoso em seu processo. Se você encontrar, extraviados, o boi ou jumento de seu adversário, leve-os ao dono. … (Êxodo 23:1-4)

No Novo Testamento cristão, encontramos:

Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: 'Olho por olho e dente por dente!' Eu porém lhes digo: não se vinguem de quem faz mal a vocês. Pelo contrário: se alguém lhe dá um tapa na face direita, ofereça também a esquerda! Se alguém faz um processo para tomar de você a túnica, deixe também o manto! Se alguém obriga você a andar um quilômetro, caminhe dois quilômetros com ele! Dê a quem lhe pedir, e não vire as costas a quem lhe pedir emprestado. (Mateus 5:38-42)

Não paguem a ninguém o mal com o mal; a preocupação de vocês seja fazer o bem a todos. Se for possível, no que depende de vocês, vivam em paz com todos. … se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber… Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem. (Romanos 12:17-21)

Se alguém pensa que é religioso e não sabe controlar a língua, está enganando a si mesmo, e sua religião não vale nada. Religião pura e sem mancha diante de Deus, nosso pai, é esta: socorrer os órfãos e as viúvas em aflição, e manter-se livre da corrupção do mundo. (Tiago 1:26-27)

E se formos até o texto do Alcorão, lemos:

Em nome de Deus, o Compassivo, o Misericordioso. (1:1)

Piedoso é aquele … que dá dos seus pertences... aos parentes, aos órfãos, aos necessitados, aos viajantes, aos mendigos; é aquele que resgata os cativos, que faz suas orações e que paga a contribuição destinada aos pobres, que cumpre com suas obrigações e é resistente nas dificuldades, no infortúnio e no perigo. Esses é que são os crentes e os piedosos. (2:177)

E Deus ordena a justiça, o fazer o bem aos outros e a generosidade para com os parentes; e proíbe a indecência, o ilícito e a opressão. E Ele ordena que vocês se lembrem disso! (16:90)

Deus está com os piedosos e com os que fazem o bem. (16:128)

É hora de nos voltarmos àquela fé proclamada em nossos textos sagrados. A fé do serviço, do amor, da reconciliação, da paz, da compaixão. Essa fé é incompatível com a retórica de ódio e violência que tem se tornado a linguagem política e religiosa mais ouvida nos meios de comunicação. É uma questão de sobrevivência para nossa dignidade comunal.

Se nos calarmos diante do que acontece, nos tornamos cúmplices da insanidade e da imoralidade política deste mundo. Voltar as costas a quem sofre, fechar as portas aos desabrigados e famintos, se aliar aos poderosos, clamar por armas, apoiar guerras e cultuar o poder do dinheiro e das corporações é rejeitar tudo o que nossas tradições nos ensinam sobre o Divino e sobre a compaixão.

É hora de escolhermos que caminho seguiremos: o caminho da paz ou das armas? Do perdão ou da vingança? Da compaixão ou do ódio?

+Gibson


domingo, 22 de janeiro de 2017

Professando minha "fé"


Assim também é a fé: sem as obras, ela está completamente morta. […] Mostre-me a sua fé sem as obras, e eu, com as minhas obras, lhe mostrarei a minha fé.” (Tiago 2:17-18)

Frequentemente, as pessoas demonstram uma enorme preocupação com a “crença” enquanto cerne da fé religiosa. Para eles, a “” consiste numa função intelectual de aceitação duma formulação de crença correta (a “ortodoxia”). Sua “fé” define-se pelas coisas nas quais declaram acreditar – e mesmo que não tenham consciência disso, enfatizam aquele aspecto da fé chamado em latim, na tradição teológica luterana, de “assensus” (que se refere ao ato de assentir, concordar, aprovar). Isso é demonstrável, por exemplo, nas inúmeras vezes que outras pessoas me perguntam no que creio. Elas esperam que eu professe uma lista de declarações fixas sobre diferentes aspectos teológicos, para que, assim, possam avaliar minha “fé” como “ortodoxa” ou “herética”.

Esperar que eu professe uma compreensão intelectual acabada da Realidade de Deus, da dimensão misteriosa ou dum porvir eterno não funciona para minha fé pessoal. Sou um cristão moldado por diferentes tradições cristãs, ordenado ao sacerdócio/ministério de cinco diferentes comunhões cristãs, e minha teologia pessoal é cada vez mais abençoada pela influência de outras tradições – cristãs ou não. Minha relação com amigos de outras tradições religiosas me ensina o quanto temos em comum e me faz compreender a “verdade” religiosa como algo que se encontra além de qualquer função intelectual.

Gosto de pensar que minha fé é multitradicional, isto é, bebe duma catolicidade mais extensa do que os limites de qualquer comunhão denominacional. Assim, meu unitarismo se entrelaça ao meu anglicanismo que aprende com meu luteranismo que se ilumina com meu restauracionismo que se pacifica com meu quakerismo que se integram à minha herança judaica liberal. De todos eles, e de minha herança cultural, emerge minha compreensão do Sagrado – que inclui não apenas Deus, mas também a humanidade e o todo da criação. Assim, o aspecto intelectual de minha fé não pode ser descrito como algo acabado, imutável; minha compreensão de fé, minha teologia, é, antes, um processo, um caminho, uma via.

Acredito em revelação, que “Deus ainda está falando”, como diz o slogan de uma de minhas denominações. Só que isso pode significar algo totalmente diferente do que alguns poderiam pensar. Nunca ouvi, literalmente, a “voz de Deus” – ou seja, nunca ouvi uma voz mensurável falando comigo, vinda do céu. Mas, ainda assim, julgo ouvir a voz divina: a ouço quando me sinto compelido a ouvir alguém que precisa ser ouvida(o); a ouço quando escuto uma música que me inspira ou consola; a ouço quando sou inspirado por alguém a fazer o que certo; a ouço quando alguém me oferece o consolo que eu preciso. Esse tipo de audição é o que chamo de “influência divina” ou “presença do Espírito Santo”. Essa Presença divina é aquela influência que me convida a participar do “Tikkun olam” (a restauração, reparo, cura do mundo), ensinado por minha herança judaica liberal, ou da construção de “Sião” (comunidade de compaixão, solidariedade e honra do valor e dignidade de todas as pessoas), como ensina minha tradição cristã restauracionista.

É isso que prefiro enxergar como minha fé. Menos uma crença, e mais uma esperança que me compele a tornar o aqui e agora no templo para a habitação do Divino. Menos uma lista de declarações sobre o desconhecido, e mais um desafio para tornar toda a minha vida uma manifestação de minha “fé”. E confesso publicamente, aqui, que essa é a coisa mais difícil que se pode tentar – mas é um desafio transformador!

Como um unitarista, é óbvio que me ocupo da intelectualização de minha “fé”. Essa é também, a propósito, parte de minha ocupação no ministério religioso e no ensino teológico. Mas me preocupo muito mais em viver minha “fé” do que em articulá-la intelectualmente. Em minha tradição anglicana, temos uma expressão para isso: “lex orandi lex credendi” – a lei da oração [é] a lei da crença – ou seja, é na oração que expressamos nossa crença; e como nossa própria vida deve ser uma oração, é na forma como vivemos nossas vidas que expressamos nossa crença teológica (como bem afirma o autor da Carta de Tiago).

+Gibson

quarta-feira, 12 de março de 2014

Judeu ou cristão: a herança duma família inter-religiosa - resposta a uma mensagem

Caro Prof. A. Toffer,

Gostei muito de saber sobre sua experiência e de sua esposa como uma família interreligiosa. Tenho a impressão de que uma grande parcela das famílias de hoje saibam o que significa ter um pai, uma mãe, e, talvez, mesmo filhos, que professem religiões distintas umas das outras – e os desafios que podem advir dessa diversidade, quando há uma preocupação com a educação religiosa dos filhos. Minha própria experiência de conviver entre o Judaísmo e o Cristianismo me ensinou a lidar com isso, e foi o que me guiou no projeto que deu origem ao livro “Building Bridges: Jews and Christians in Interfaith Marriages” [Construindo Pontes: judeus e cristãos em casamentos interreligiosos].

Escrevi aquele livro em 2004, e lancei apenas uma edição limitada on demand – cerca de duas mil cópias, se me recordo bem. Ele se baseou em palestras que proferi numa paróquia da Igreja Episcopal e num templo judaico Reformista, nos Estados Unidos, endereçadas a famílias formadas por pais cristãos e judeus. As discussões centravam-se na construção dum ambiente de respeito e honra pela diferença e em como lidar com a educação religiosa dos filhos. Os exemplos incluídos no livro eram de pessoas reais, que compartilharam suas experiências nas palestras, além de minha própria experiência. A publicação foi distribuída, posteriormente, apenas aos participantes das palestras, e o que restou foi doado a interessados. Não o fiz para ser vendido em livrarias. Acho surpreendente que você tenha conseguido uma cópia num sebo – muito legal!

É bom que eu esclareça, entretanto, que eu era muito jovem quando escrevi aquilo – tinha 26 anos – e, portanto, algumas de minhas perspectivas mudaram. Então, se reescrevesse aquele livro, teria quase uma década de experiência para enriquecê-lo!

Nunca pensei em traduzir o livro para português, porque não acho que aquele tema seja tão recorrente no Brasil como o é nos Estados Unidos ou em outros países anglófonos. Em minha comunidade de fé, por exemplo, há algumas famílias formadas por judeus e cristãos, mas, como eles já são parte duma comunidade extremamente aberta para essas diferenças, suas questões são respondidas no dia a dia de sua vida com outros membros da comunidade.

Para que fique clara minha posição, não sou um “messiânico”. Não sou um judeu que se tornou um seguidor de Jesus como o Moschiah; nem sou um cristão que resolveu se “judaizar” – i.e., que resolveu seguir certos aspectos da Halachah. Sou um judeu cristão ou um cristão judeu (quão herético não é isso?!): até certo ponto vivi simultaneamente as duas tradições, até ter maturidade suficiente para decidir o que era minha fé pessoal – o Cristianismo –; sem, no entanto, completamente abandonar a mentalidade e certos aspectos culturais judaicos. Assim, costumo dizer que sou religiosamente um cristão compromissado e devoto, e intelectual e culturalmente um judeu questionador e “encrenqueiro”. Minha fé é o Cristianismo, mas esse é moldado pela herança do Talmud e do debate que herdei da tradição judaica.

Esse reconhecimento de minhas múltiplas heranças de fé – o Reformismo e o Reconstrucionismo, pelo lado judaico; e o Anglicanismo e o Unitarismo, pelo lado cristão – é extremamente difícil de ser compreendido e/ou apreciado por outras pessoas, especialmente aquelas que não me conhecem. As pessoas, sejam judias ou cristãs, se sentem desconfortáveis e desafiadas por isso. E essa é uma das razões pelas quais falo muito pouco sobre isso em público hoje em dia (apesar de, geralmente, falar sobre algumas de minhas experiências pessoais, para que possa haver uma ligação humana entre eu e meus ouvintes ou leitores). Se falar sobre minhas múltiplas heranças cristãs já cria um certo desconforto para alguns, imagine quando incluo o Judaísmo nessa equação! E entre os judeus, reconhecer qualquer ligação com o Cristianismo já me tornaria um “herege”!

Para mim, as reações que a maioria dos fiéis demonstra são compreensíveis. Afinal de contas, há um importante aspecto identitário na religião, especialmente quando se trata duma religião “étnica” como o Judaísmo. O sentido identitário das tradições judaicas estão atreladas à própria experiência histórica do chamado “povo judeu” (uma expressão que não aprecio muito, por carregar em si uma noção essencialista de identidade) com a Igreja cristã ao longo dos séculos, e é isso que torna algo aparentemente tão simples como uma árvore de natal uma afronta tão dolorosa para muitos judeus. Entretanto, não custa lembrar que a questão da identidade judaica não é tão simples quanto professar um credo religioso. E isso é muito importante para famílias como as nossas.

A pergunta é: quem é judeu, afinal de contas? E a resposta depende de a quem, onde e quando você pergunta. Dizer que judeus são aqueles que professam o Judaísmo é uma meia verdade, já que não há um “Judaísmo” único, e as divisões religiosas entre os judeus são tão graves quanto a que há – na imaginação judaica – entre judeus e não-judeus. Na realidade, é razoável dizer que, se pensássemos nos judeus como um “povo”, o que mais os dividiria seria os “judaísmos” (i.e., as diferentes expressões da fé judaica). A religião, assim, é, para a maioria daqueles judeus que cresceram expostos à sua tradição, um aspecto secundário da identidade judaica.

O senso identitário judaico emerge muito mais do nascimento do que dum compromisso pessoal com um credo religioso. É da história familiar que se constrói uma ligação com os demais judeus, e essa ligação se estende através das gerações passadas até os patriarcas. E isso é parte do senso identitário não apenas de judeus comprometidos com as tradições religiosas propriamente judaicas, mas também daqueles que não se veem como religiosos e – em minha experiência – daqueles que professam outra fé que não o(s) Judaísmo(s).

A lei judaica oferece uma resposta simples à questão identitária. A identidade judaica define-se por meio do nascimento ou da conversão. No que concerne à sua experiência, e também à minha, as tradições ortodoxas definem como judeu aquele que tenha nascido de pai e mãe judeus, ou, de uma mãe judia e de um pai não-judeu (as tradições liberais consideram o filho duma mãe não-judia como judeu, desde que o pai seja judeu e o filho tenha sido criado como judeu). Essa identidade atrelada à ligação histórica familiar é – para a maioria dos intérpretes da lei judaica – inapagável, mesmo que você não pratique ou professe o Judaísmo. Assim, para mim, não deixo de ser judeu apenas por não praticar o Judaísmo como religião, já que minha ligação com outros judeus ser de outra natureza.

Você me pergunta como lido com isso enquanto um ministro religioso, e como creio que conheça bem a obra de Immanuel Kant, utilizá-lo-ei para dar-lhe uma ideia de minha solução ao problema. Kant, no texto “O que é a Ilustração?” [Was ist Aufklärung?], escreve:

“[…] Do mesmo modo também o sacerdote está obrigado a fazer seu sermão aos discípulos do catecismo ou à comunidade, de conformidade com o credo da Igreja a que serve, pois foi admitido com esta condição. Mas, enquanto sábio, tem completa liberdade, e até mesmo o dever, de dar conhecimento ao público de todas as suas ideias, cuidadosamente examinadas e bem intencionadas, sobre o que há de errôneo naquele credo, e expor suas propostas no sentido da melhor instituição da essência da religião e da Igreja. Nada existe aqui que possa constituir um peso na consciência. Pois aquilo que ensina em decorrência de seu cargo como funcionário da Igreja, expõe-no como algo em relação ao qual não tem o livre poder de ensinar como melhor lhe pareça, mas está obrigado a expor segundo a prescrição de um outro e em nome deste. Poderá dizer: nossa igreja ensina isto ou aquilo; estes são os fundamentos comprobatórios de que ela se serve. […]”

Nesse pequeno trecho, ele compartilha uma ideia que tenho abraçado em meu compromisso com a Igreja. Enquanto um ministro ordenado duma comunidade de fé, quando ensino ou celebro liturgias no contexto daquela comunidade, estou limitado aos compromissos que assumi com ela. Em minha espiritualidade pessoal, não devo explicações a outros. Logo, se escolhesse seguir as regras de cashrut, acender velas de shabat, manter mezuzot às portas de minha casa, etc, ao mesmo tempo em que mantenho todas as minhas tradições cristãs, esse seria um problema apenas meu, já que não interferiria em nada com a vida de outras pessoas. Escolho apenas ser honesto sobre minha compreensão de fé com meus paroquianos e amigos. Qualquer um que conheça minhas perspectivas teológicas, não verá nenhuma contradição nisso. Ademais, é também uma questão de integridade intelectual, no que tange ao meu lidar comigo mesmo.

No final das contas é muito semelhante à maneira como cristãos e judeus, por exemplo, lidam com sua tradição de fé e a cultura da qual são parte. Sempre há uma mescla das duas, mesmo para aqueles que acreditam estar à parte do chamado “mundo secular”. Isso é semelhante ao que pode ocorrer num lar onde há mais de uma tradição cultural (o que inclui a religião). Se todos cederem um pouco, criando um espaço de diálogo e apreciação pela diferença, a família é fortalecida. No caso duma família judaico-cristã, por exemplo, pode haver o cuidado para não se criar ofensas por meio de símbolos religiosos, pode-se alterar expressões utilizadas em orações judaicas e cristãs para haver uma inclusão e não exclusão, etc – mas essas sugestões você pode encontrar no livro. É tudo uma questão atitudinal. Minha experiência é que, de qualquer jeito, uma família religiosamente mista já não é “ortodoxa” (nem para a perspectiva judaica nem cristã), então não estará fazendo mal nenhum se ajustar certas tradições para manter-se unida. O fato é que isso não é nem um pouco fácil e exige um grande esforço não só por parte dos pais, como também de seus familiares – que afetarão a maneira como os filhos compreenderão sua identidade familiar.

Seja como for, se eu puder ajudar com algo mais específico, conte comigo – só não esqueça de deixar um e-mail para contato, ou, melhor, escreva-me por meio de meu e-mail (que você pode encontrar no meu perfil ao lado). Há comunidades judaicas em São Paulo que podem ajudá-los com questões referentes à educação judaica de seus filhos, e onde o fato de serem uma família religiosamente mista não será um empecilho para encontrarem apoio pastoral. Mas, se tiver interesse nos contatos, me escreva em privado.

Um grande abraço, e saiba que manterei você e sua família em minhas orações e pensamentos.


+Gibson