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sábado, 31 de março de 2018

Feliz Páscoa: por uma fé viva em nossas ações

Nós somos um povo pascal. E isso, apesar de poder significar muitas coisas diferentes para diferentes pessoas, para a maioria de nós significa que estamos comprometidos com o espírito daquilo que cremos ter sido ensinado e exemplificado nos relatos sobre Jesus que lemos nas Escrituras cristãs.

Como todos vocês sabem, a maioria de nós unitaristas não compreende aqueles relatos da mesma forma que os cristãos que abraçam uma compreensão dita “ortodoxa”. Eu, certamente, me encontro entre esses. Como um unitarista, não compreendo a morte de Jesus de Nazaré como um sacrifício em favor da humanidade – essa doutrina, a propósito, é altamente ofensiva para mim, já que (entre outras coisas), para aceitá-la, teria de acreditar numa divindade moralmente antropomorfizada que não é capaz de perdoar sem exigir um pagamento por isso (um pagamento de sangue feito por uma pessoa inocente).

Não é isso que vejo e celebro na Páscoa.

Repetidamente, ao longo do Novo Testamento cristão, aprendemos que ser seguidor de Jesus é uma questão de ação no mundo. O autor do Evangelho de Mateus, por exemplo, atribui a Jesus as seguintes palavras:

Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas” (7:12).

E ainda:

“… ‘eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar’. Então lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ Então o Rei lhes responderá: ‘Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram’.” (7:35-40)

Em outro livro do Novo Testamento, encontramos:

Se alguém pensa que é religioso e não sabe controlar a língua, está enganando a si mesmo, e sua religião não vale nada. Religião pura e sem mancha diante de Deus, nosso pai, é esta: socorrer os órfãos e as viúvas em aflição, e manter-se livre da corrupção do mundo” (Tiago 1:26-27).

E mais adiante:

Assim também é a fé: sem as obras, ela está completamente morta” (Tiago 2:17).

Em outras palavras, é nas nossas relações com outras pessoas no dia a dia que vivemos nossa fé. É seguindo aquelas admoestações e mandamentos de amar e servir e cuidar que demonstramos nosso compromisso como seguidores e discípulos de Jesus. Não importa que perspectivas teológicas abracemos sobre quem é Jesus: o que realmente importa é se estamos realmente praticando aqueles ensinamentos que os autores das Escrituras atribuíram a ele.

Minha oração é que todos possamos “divinizar” nossas relações com as pessoas com as quais compartilhamos este planeta, e possamos encarnar em nossas ações o poder vivificante do testemunho pascoal.

Desejo a todos uma Feliz Páscoa, compartilhando aquelas conhecidas palavras de nossa oração de despedida da liturgia da Comunhão:

Cristo nasce em nós quando abrimos nossos corações à inocência e ao amor. Cristo vive em nós quando caminhamos a senda do perdão, reconciliação e compaixão. Cristo morre em nós quando nos rendemos à nossa própria arrogância, egoísmo e ódio. Cristo ressuscita em nós quando nossas almas se despertam da morte espiritual para se unirem à comunidade de amor, para entrar no reino divino aqui mesmo neste mundo. Saiamos em paz. Amém.

+Gibson

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A Páscoa e o Caminho de Jesus: o caminho do amor, da justiça, do serviço, do perdão, da compaixão, da paz


Como um cristão, partilho com outros cristãos a centralidade de Jesus para minha compreensão da dimensão espiritual da existência e de minha relação com Deus. Como um cristão liberal, contudo, enfatizo outros aspectos da narrativa cristã acerca da vida de Jesus de Nazaré: para mim, Jesus é Salvador por conta de seus ensinamentos, de seus exemplos e de sua convocação para vivermos uma vida de compaixão, serviço, amor e paz radicais – ou seja, ele é meu Salvador por causa de sua vida, e não por causa de sua morte. É vivendo como ele – independentemente de os relatos a seu respeito serem factuais ou não – que somos salvos, e não apenas fazendo um esforço intelectual para acreditar em certas coisas a seu respeito.

Somos ensinados a encontrar Jesus e servir a Deus no mundo. Esse ensinamento é repetido todas as vezes em que saímos das celebrações da Eucaristia, quando recitamos aquela benção final – que, pessoalmente, levo muito a sério:


Cristo nasce em nós quando abrimos nossos corações à inocência e ao amor. Cristo vive em nós quando caminhamos a senda do perdão, da reconciliação e da compaixão. Cristo morre em nós quando nos rendemos à nossa própria arrogância, egoísmo e ódio. Cristo ressuscita em nós quando nossas almas se despertam da morte espiritual para se juntarem à comunidade de amor, para entrarem no reino divino no meio do mundo. Saiamos em paz. Amém.


Essas palavras sempre tiveram um poder incrível para me fazer refletir sobre o sentido de minha fé. Elas me relembram que minha fé deve ser expressa por meio de minhas ações, em minha vida com outras pessoas. Elas refletem aqueles dois pequenos trechos da Carta de Tiago, que aprendi a amar ainda na adolescência:


Se alguém pensa que é religioso e não sabe controlar a língua, está enganando a si mesmo, e sua religião não vale nada. Religião pura e sem mancha diante de Deus, nosso pai, é esta: socorrer os órfãos e as viúvas em aflição, e manter-se livre da corrupção do mundo. (Tiago 1:26-27)

Assim também é a fé: sem as obras, ela está completamente morta. (Tiago 2:17)


A fé dos seguidores de Jesus, o Cristo, é a fé que deve se materializar no mundo real, dentre outros seres humanos e com toda a Criação. Se é verdade que os seres humanos são “imagem” de Deus, então não há como servirmos a Deus sem servirmos aos outros seres humanos; se os seres humanos foram feitos “à imagem e semelhança” de Deus, então não há como amarmos ao Deus invisível sem amarmos aos seres visíveis, como bem nos ensina aquele trecho neotestamentário:


Se alguém diz: “Eu amo a Deus”, e, no entanto, odeia o seu irmão, esse tal é mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. E este é justamente o mandamento que dele recebemos: quem ama a Deus, ame também o seu irmão. (1 João 4:20-21)


Apesar disso parecer uma simplificação do que é ser um discípulo de Jesus, posso afirmar – por experiência própria – que é o maior desafio que se pode enfrentar. Ser seguidor de Jesus significa, nesse contexto, tomar o seu “hodos” – o seu “caminho”, a sua “via” (em grego). Significa rejeitar tudo e todos os que oferecem um caminho paralelo que nos afaste desse “hodos” de Jesus.

Assim, nossa liturgia, novamente nos mostra que caminho é esse que nos comprometemos a trilhar quando nos tornamos parte da comunidade cristã – a Igreja. As promessas que fazemos na Aliança Batismal rezam:


Você permanecerá nos ensinamentos dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações?
Sim, com a ajuda de Deus.

Você perseverará na resistência ao mal e, sempre que pecar, se arrependerá e retornará ao Senhor?
Sim, com a ajuda de Deus.

Você proclamará, por meio de palavras e exemplo, as Boas Novas de Deus em Cristo?
Sim, com a ajuda de Deus.

Você buscará e servirá Cristo em todas as pessoas, amando o seu próximo como a si mesmo?
Sim, com a ajuda de Deus.

Você defenderá a justiça e a paz para todas as pessoas, e respeitará a dignidade de cada ser humano?
Sim, com a ajuda de Deus.


Com essas palavras, nos comprometemos a seguir o caminho de Jesus, ao mesmo tempo em que reconhecemos que não somos capazes de fazê-lo sozinhos. Afirmar que o faremos “com a ajuda de Deus” é afirmar que essa ajuda nos é concedida em comunidade, na “comunhão” da comunidade de fé – mas também na comunhão de todas aquelas pessoas que igualmente se comprometem a servir, a cuidar e a defender outros seres humanos.

E o que isso significa, no mundo real? Significa muitas coisas. Se olharmos para o mundo ao nosso redor, e nos lembrarmos das promessas que fizemos quando fomos batizados ou confirmados, e que reafirmamos todas as vezes que partilhamos da Eucaristia/Santa Comunhão, saberemos o que devemos escolher.

Será que virar as costas aos desempregados e mais pobres, supostamente em defesa da economia de mercado, está plenamente de acordo com as promessas que fizemos na Aliança Batismal ou com as passagens das Escrituras que falam sobre o amor e o cuidado para com o próximo?

Será que defender o direito ao porte de armas, apoiar guerras, expor ideias racialistas/racistas, fechar as fronteiras aos mais fracos, submeter-se a ideologias nacionalistas, dar voz à xenofobia, manifestar homofobia, ou discriminar pessoas por quaisquer outras razões está de acordo com os ensinamentos de nossa fé e com a Aliança que fizemos com Deus e com nossa comunidade de fé?

A única resposta que posso encontrar para essas perguntas é um retumbante “Não!”. Nenhuma ideologia política, nenhuma nação, nenhum partido, nenhuma organização (incluindo a própria igreja institucional), nenhuma religião, nenhuma etnia, nenhuma cor de pele, nenhuma orientação emotivossexual, nenhum sistema econômico, nenhum interesse corporativista, etc, é mais importante do que o ser humano e a Criação – que são a “imagem” de Deus.

Se isso soa político demais ao seu ouvido, resta-me reafirmar que a fé cristã é uma fé política. Ela só pode ser praticada em comunidade. Por isso ela é política. Os ensinamentos sobre amar ao próximo só podem ser materializados em nossas relações, na Igreja e no mundo. E todos os que ensinam algo que contradiz esse ensinamento básico da fé cristã, de amor e serviço ao próximo, só podem estar errados – ou, do contrário, eles estão certos e as Escrituras e a tradição cristã estão erradas!

Minha oração é que nesta Páscoa nos lembremos do “caminho” de Jesus. Que nos recordemos das promessas que fazemos na Aliança Batismal. Que nos lembremos que não podemos, coerentemente, “servir a dois senhores” opostos.

Deus nos ajude a seguirmos o caminho do Nazareno: o caminho do amor, da justiça, do serviço, do perdão, da compaixão, da paz.

Feliz Páscoa e bençãos a todas e todos!

+Gibson


domingo, 27 de março de 2016

O Jesus que salva: notas sobre temas pascais, dum ministro unitarista


A Paixão comercializada

Como muitos sabem, sou um cinéfilo e, como tal, tendo a não apenas assistir a muitos filmes assim como também a me envolver em conversas sobre eles com meus amigos. Hoje, lembrei-me das acirradas discussões que tivemos, em 2004, acerca do filme A Paixão de Cristo [The Passion of the Christ], de Mel Gibson. Lembro-me que quando o filme foi lançado nos Estados Unidos, centenas e centenas de igrejas cristãs das mais diferentes tradições organizavam idas coletivas ao cinema para assisti-lo. Para muitas daquelas pessoas aquele parecia ser um exercício espiritual, uma forma de experiência sacramental na qual se efetuava um encontro com Cristo. Eu, contrariamente, senti-me majoritariamente ofendido tanto pelo filme quanto pelo que percebi como uma comercialização explícita da fé. [De certa forma, não tão diferente do que ocorre hoje, no Brasil, com o filme Os Dez Mandamentos, de Alexandre Avancini, e não tão diferente do que ocorre com a Paixão de Cristo, de Nova Jerusalém, em Pernambuco.]

As críticas que fiz em 2004, em conversas informais e no púlpito, ainda são válidas. Quando a fé cede à força do consumismo, corre-se o risco de abrir mão do que há de mais belo na tradição, e de deixar de encontrar novos sentidos para o encontro com o Divino. Transformar as narrativas das tradições sagradas em mercadoria que possa ser vendida e comprada, num entretenimento fomentador duma “religiosidade” imediatista, é baratear a experiência com o Divino e, portanto, consigo mesmo – e para mim, como um unitarista, tal tipo de experiência (com o Divino e/ou consigo mesmo) deve envolver tanto as emoções quanto a razão.

Será, então, que filmes, a seleção de astros e estrelas do cinema ou da TV, e o merchandising produzido para acompanhá-los, são realmente feitos com a finalidade primordial de servirem de testemunho religioso e para a “edificação espiritual” dos espectadores?... Eu, com todo respeito às experiências de outras pessoas – e mesmo acreditando firmemente que toda e qualquer experiência possa ser espiritual –, duvido disso! Por mais que as obras possam, sim, ser utilizadas como instrumentos pedagógicos para a espiritualidade de alguém, e por mais que o trabalho dos participantes seja belo, agradável, inspirador e merecedor de reconhecimento, a forma como essas obras muitas vezes são promovidas pode contribuir para a espetacularização duma compreensão literalista da tradição cristã – se foram divulgadas, como muitas vezes o são, como expressão da “verdade da fé”.


A diversidade do Cristo

A observação aparentemente incompassiva que faço sobre esses tipos de entretenimento relaciona-se com as diferentes compreensões que os diferentes cristãos abraçam acerca de sua própria fé. Ela não reflete uma verdade inquestionável; reflete, antes, minhas percepções particulares. E as cito aqui por terem sido tema de conversas que mantive esta semana com amigos e paroquianos. Tenho sempre dito que a diversidade de compreensões na grande tenda da tradição cristã é o que a torna fascinantemente bela para mim. Essa diversidade é o que faz com que me refira a “Cristianismos”, no plural, em vez de “Cristianismo”, no singular. As diferentes tradições teológicas cristãs oferecem as mais variadas compreensões acerca dos mais variados temas, incluindo os concernentes à vida, ensinamentos, morte e ressurreição de Jesus – temas tão importantes para as diferentes celebrações do calendário da Igreja cristã, como a Páscoa.

Apesar de ser um cristão unitarista – e, por isso, poder ser visto pela maioria como um “heteredoxo” ou “herege” – e, assim, não poder concordar com aqueles meus irmãos cristãos que chamam Jesus Cristo de “Deus”, concordo com o que eles possivelmente queiram dizer quando o identificam dessa forma. Como afirmado pelo unitarista Rev. James Freeman Clarke, em 1841, em Jesus também identifico uma manifestação de Deus. Nele encontro Deus reconciliando o mundo a Si. Em Jesus encontro uma imagem do Deus invisível que não encontro de forma tão explícita em ninguém ou nada mais. Desta forma, as palavras, atos e caráter atribuídos a Jesus Cristo são as palavras, atos e caráter [que atribuo à minha compreensão] de Deus. Como um cristão, posso dizer que ver o Jesus retratado pela Tradição é ver Deus [¹]. Nesse aspecto, pelo menos, como um unitarista, compartilho da fé professada por cristãos de outras expressões – mesmo aqueles que me acusam de heresia e/ou apostasia.

É minha convicção que todas as nossas compreensões da Divindade só podem ser parciais. Nossas ideias sobre Deus e sua relação com a criação – o que inclui nossas ideias sobre Jesus – são contextuais e relativas; isto é, dependem de quem somos e de nossos contextos pessoais e/ou comunitários, sincrônica e diacronicamente considerados [*]. Assim, se você tiver mais de 35 anos, como eu, já deve ter percebido que suas compreensões acerca da Divindade – para não citar aquelas acerca do mundo ao seu redor – mudaram ao longo do tempo. Essas compreensões provavelmente emergiram do encontro entre suas experiências com o Divino e as coisas que você aprendeu sobre o mundo, das ideias teológicas/filosóficas/políticas/científicas às quais foi exposto(a), das comunidades de fé às quais se juntou, dos livros que leu, das pessoas com as quais conviveu ou conheceu, dos desafios que enfrentou, enfim, das suas experiências de vida. Por mais imutáveis que possam parecer nossas diferentes formas de fé religiosa, elas, na verdade, não o são.

Além dessa mutabilidade característica de nossas ideias pessoais, também não se pode desconsiderar a mutabilidade das ideias ensinadas pelas diferentes tradições de fé – o que inclui as diferentes comunhões/denominações cristãs ao redor do mundo e ao longo do tempo, em comparação com as demais e com as diferentes expressões em seu próprio interior. Assim, nunca poderemos conhecer plenamente todas as compreensões cristãs possíveis acerca da própria tradição cristã – a não ser, obviamente, que sejamos suficientemente arrogantes para supor que nossa expressão de fé seja a única “verdadeira”, que apenas a nossa tradição seja “a verdade” de Deus. Nós unitaristas tradicionalmente rejeitamos a essa visão – e eu, pessoalmente, não tenho nenhuma simpatia para com qualquer dogmatismo exclusivista, seja relativo ao(s) próprio(s) Cristianismo(s), seja no que tange à sua relação com outras tradições religiosas.


Jesus vive e salva

No(s) Cristianismo(s), a ideia de “salvação” relaciona-se diretamente à pessoa de Jesus Cristo. Dependendo da compreensão que se tenha sobre a identidade de Jesus e do sentido de sua morte e ressurreição, se professará uma compreensão soteriológica – isto é, de como ocorre/opera-se a “salvação”. Assim, não há uma visão única do sentido da Páscoa cristã, como, por exemplo, o filme de Mel Gibson ou as diferentes representações populares da “Paixão” Brasil afora poderiam sugerir; há diferentes formas legítimas de compreender Deus, Jesus Cristo, o Espírito Santo, a Páscoa, a salvação etc.

O falecido teólogo e professor Marcus J. Borg, sob quem tive o privilégio de estudar e aprender muitíssimo, discute, num de seus mais populares livros [²], três das grandes tradições teológicas cristãs acerca da morte e ressurreição de Cristo – discutidas pelo teólogo e bispo luterano sueco Gustaf Aulen, num livro publicado em 1931 [**]. A primeira dessas compreensões, chamada, em latim, de Christus Victor [Cristo Vitorioso], mantém uma relação com a narrativa bíblica do êxodo e aponta como a mais importante obra de Cristo sua vitória sobre aquilo que escraviza a humanidade, incluindo o pecado, a morte e o “diabo”. A segunda é chamada de substitutiva ou objetiva, para a qual a morte de Cristo é um sacrifício que possibilita o perdão de Deus, e na qual essa morte é enxergada através da narrativa sacerdotal/sacrificial. A terceira, correlacionada à narrativa do exílio, retrata a Jesus nem como alguém que triunfe sobre o que nos escraviza nem como um sacrifício pelos nossos pecados, mas como um revelador da verdade [***] – isto é, como revelador de Deus, como luz que nos salva da escuridão do exílio, de sua morte e ressurreição como uma revelação do caminho de retorno, como uma revelação do “processo espiritual interno que nos traz a uma relação experiencial com o Espírito de Deus”; ou seja, Jesus é compreendido como a encarnação do caminho de retorno do exílio. [³]

Não é necessário um grande conhecimento de História da Igreja para perceber qual conjunto de compreensões acima parece ser dominante tanto no meio cristão quanto na compreensão que a sociedade como um todo tem do(s) Cristianismo(s). A narrativa sacerdotal – aquela que vê a morte de Cristo como um sacrifício necessário ao perdão da humanidade por Deus, de forma substitutiva (em lugar de outros), isto é, que Jesus teria carregado sobre si a culpa dos pecadores e sofrido a pena que mereciam (a morte) – está explícita na maioria das representações da morte de Jesus (nos hinos, nas declarações de fé, nos sermões, nos filmes, nas peças teatrais etc). Apesar de essa linguagem sacerdotal/sacrificial já estar presente no próprio Novo Testamento, essa compreensão só se tornou dominante na Igreja ocidental a partir duma obra escrita por Anselmo, Cur Deus Homo?, de 1097. Ela resgata e cristianiza não apenas as antigas ideias sacrificiais de tradições religiosas mais antigas, mas também as ideias e linguagem do Direito Romano.

Obviamente, a linguagem sacrificial e legalista utilizada para se referir ao Divino em sua relação com a Criação – quando, por exemplo, se afirma que Deus exigiria a morte dum inocente para que sua ira não se voltasse contra a humanidade pecadora – é uma compreensão legítima da fé cristã. Essa é, também, a compreensão oficial da maioria das tradições cristãs ocidentais. Mas isso não muda o fato de que, para mim, é uma compreensão repulsiva. Pessoalmente, me recusaria a adorar uma deidade que expressasse “seu amor” através da exigência de sacrifícios de sangue – e isso porque, se esse fosse o caso, eu seria mais compassivo que essa deidade. Logo, a linguagem metafórica do “sacrifício” e do “sangue” não apela à minha espiritualidade nem à minha integridade intelectual – independentemente de onde se encontre e de quem a tenha utilizado. Tenho de utilizar outras imagens para me referir ao meu encontro com o Divino.

Como a metáfora do exílio é cara à minha compreensão do Divino – porque apela às minhas próprias experiências de vida –, você pode imaginar qual daqueles conjuntos de compreensões molda minha visão daquilo que é celebrado na Páscoa. Como tenho afirmado muitas vezes, compreender a fé cristã como uma Jornada ou um Caminho é muito importante para a forma como compreendo e falo sobre minha fé. Jesus, em minha compreensão, me salva não por ter sido imolado como sacrifício por meus pecados, mas porque os ensinamentos e as ações que lhes foram atribuídos me mostram o Caminho para Deus, e guiam minha Jornada.

Esse Jesus humano, que possivelmente experienciou muitas das limitações e desafios que eu mesmo experiencio – independentemente de quão factuais ou não factuais sejam os relatos a seu respeito –, é meu Salvador por ser minha janela para a “face de Deus” e minha porta para sua presença. É por isso que sou um cristão, é por isso que celebro a Páscoa. Jesus é meu Salvador porque a tradição a seu respeito faz com que queira abandonar minha indiferença ao sofrimento de migrantes paralegais e refugiados. Ele é meu Salvador porque as narrativas a seu respeito me fazem querer ser mais preocupado com os que sofrem rejeição por não corresponderem às minhas próprias expectativas. Ele é meu Salvador porque o que se diz a seu respeito me faz crer que tenha materializado o amor à humanidade de forma plena – e, assim, me ensina que essa é a única forma de “amar” o Eterno.

Hoje celebro a salvação oferecida pela companhia do homem Jesus em minha Jornada rumo a Deus. Jesus, refugiado, pobre, rabino compassivo e não sofisticado, profeta rejeitado, filho de Deus, Salvador de minha fé e de minha relação com a humanidade.

Ele verdadeiramente vive. Aleluia!

Cristo nasce em nós quando abrimos nossos corações à inocência e ao amor. Cristo vive em nós quando caminhamos a senda do perdão, reconciliação e compaixão. Cristo morre em nós quando nos rendemos à nossa própria arrogância, egoísmo e ódio. Cristo ressuscita em nós quando nossas almas se despertam da morte espiritual para se unirem à comunidade de amor, para entrar no reino divino aqui mesmo neste mundo. Saiamos em paz. Amém.”



Notas:

[*] Considerar algo de forma sincrônica significa considerá-lo(a) através de seus diferentes aspectos. Considerar algo de forma diacrônica significa vislumbrá-lo(a) através do seu desenvolvimento ao longo do tempo.

[**] A tradução em inglês é referenciada pelo próprio Borg: AULEN, Gustaf. Christus Victor. Tradução ao inglês de A. G. Hebert. Nova York, EUA: Macmillan, 1969. [Originalmente publicado em 1931.]

[***] Aulen a chamara de subjetiva, mas Borg não concordava com a forma como o teólogo sueco a descrevera.


Referências

[1] CLARKE, James Freeman. The Well-Instructed Scribe, or, Reform and Conservatism: A Sermon Preached at the Installation of Rev. George F. Simmons, and Rev. Samuel Ripley, as Pastor and Associate Pastor Over The Union Congregational Society in Waltham, Mass. October 27, 1841. Boston, EUA: Benjamin H. Greene, 1841. p.11.

[2] BORG, Marcus J. Meeting Jesus Again for the First Time: the Historical Jesus & the Heart of Contemporary Faith. Nova York, EUA: HarperCollins, 1994.

[3] Ibid., p.128.


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Nesta Páscoa, experienciemos uma ressurreição!


"Ele ressuscitou, como havia dito!" (Mateus 28:6)


A Páscoa carrega consigo múltiplos sentidos que, associados ao Natal, completam a linguagem metafórica do nascimento, morte e ressurreição na tradição cristã. Por isso mesmo, independentemente da interpretação que lhe associemos, ela é essencial à narrativa cristã.

Pessoalmente, rejeito as noções de sacrifício expiatório, de substituição penal, de resgate etc. Elas são irreconciliáveis com minha compreensão de Deus e de Jesus. O que quero dizer com isso é que, para mim, Jesus não morreu para que eu pudesse ser perdoado por Deus. Mas, mesmo rejeitando essa compreensão visceralmente violenta da divindade, a linguagem pascoal ainda é fundamentalmente bela e inspiradora.

A linguagem pascoal é uma linguagem sacramental, uma linguagem que aponta para aliança entre a humanidade e a Divindade, e entre a humanidade e ela mesma. Essa aliança se constrói no processo de nascimento, morte e ressurreição. Como discípulos de Cristo, somos metaforicamente convidados a morrer para aquilo que nos separa de Deus e ressuscitar para uma nova vida em Cristo. E esse é o chamado mais difícil que podemos aceitar.

Essa ressurreição à qual somos convocados é uma vida que revele e respeite a presença e a atividade reconciliadora de Deus na criação. É uma vida de afirmação e respeito à dignidade das pessoas, de proteção à sacralidade da criação, e de alívio ao sofrimento físico e espiritual daqueles ao nosso redor – não importando quem sejam ou onde estejam. Quando nossa vida se torna partícipe desse processo divino, aí podemos dizer que conhecemos o espírito da Páscoa, pois então Jesus terá verdadeiramente ressuscitado em nosso coração.

Que nesta Páscoa possamos experienciar nós mesmos uma ressurreição em nosso interior. É minha oração.

Feliz Páscoa!

+Gibson

terça-feira, 15 de abril de 2014

Páscoa 2014: Nascimento, Morte, Ressurreição e a Coreografia Pascoal


A tradição cristã é, para mim, uma multiplicidade de narrativas de nascimento, morte e ressurreição. Isso fica muito claro quando pensamos naquelas duas datas mais importantes do calendário cristão, o Natal e a Páscoa, e como elas moldam o mover da fé cristã na coreografia da relação entre o Divino e nós, e entre nós e o resto da criação. A entrega à linguagem metafórica do nascimento, morte e ressurreição de Cristo em celebrações como o Natal e a Páscoa é um exercício espiritual importante para cristãos liberais como eu, geralmente vistos apenas como questionadores das narrativas cristãs ditas “ortodoxas”.

Em minha compreensão, a jornada cristã é um caminho de nascimento, morte e ressurreição que se repete continuamente na vida daquele que se compromete com o Caminho. E as diferentes interpretações cristológicas, das mais variadas tradições cristãs, incorporam essa metáfora do nascimento, morte e ressurreição em sua linguagem teológica. Em minha própria experiência, nossa jornada cristã pode ser deveras enriquecida se dermos ouvidos a essas diferentes narrativas.

Assim, numa compreensão mais “ortodoxa”, Deus toma sobre si nossa humanidade por meio da Encarnação – na pessoa de Jesus Cristo –, sofre e dá sua vida em favor da Criação, e, em seguida, ressuscita; e esse movimento garante uma companhia salvadora, isto é, o sofrimento de Cristo não elimina o nosso sofrimento, mas torna-se uma via por meio da qual podemos caminhar em meio ao sofrimento, com ele como nosso companheiro. Sua morte e ressurreição, nessa narrativa, torna-se nossa libertação do temor, já que o amor é mais forte que o ódio, e a vida mais poderosa que a morte. É por isso que, nessa narrativa, é tão essencial a afirmação duma ressurreição física do Cristo – ou seja, Jesus Cristo ressuscita dentre os mortos não apenas espiritualmente, mas fisicamente.

Numa outra compreensão, que alguns chamariam “herética”, mais associada à minha própria tradição teológica liberal, a narrativa do nascimento, morte e ressurreição de Cristo tem uma ligação com a própria relação entre a humanidade e o Divino. A Encarnação divina sempre ocorre na vida humana, e o encontro humano com o Divino exige um contínuo ciclo de morte para aquilo que nos separa de Deus – isto é, “nossa própria arrogância, egoísmo e ódio”, como rezamos em nossa celebração eucarística –, e a ressurreição ocorre “quando nossas almas despertam da morte espiritual para se unirem à comunidade de amor, para entrar no reino divino aqui mesmo neste mundo”.

Essas duas narrativas apontam para dois aspectos do Caminho cristão. O próprio Deus ensinou-nos a coreografia da existência, rendendo-se à sua própria trajetória de vir, ir-se e levar-nos consigo. Nós, seguindo seu caminho, adentramos o mundo, trazendo conosco a centelha divina; somos chamados a sepultar aquelas coisas que impedem o movimento divino em nossa própria vida (nossa “arrogância, egoísmo, e ódio”); e somos revividos para uma vida na qual possamos trazer o divino para o nosso relacionamento conosco mesmos, com outras pessoas e com o todo da Criação. E o ciclo de repetições do calendário cristão nos ajuda a lembrarmos que precisamos, metaforicamente, morrer novamente para que um novo “eu” ressurja. E essa é uma dança que não podemos dançar sozinhos. Precisamos da companhia de Deus e de outras pessoas nessa coreografia.

Portanto, minha oração nesta Páscoa é que possamos nos lembrar que não podemos dançar com Deus solitariamente. A Trindade pascoal, para mim, consiste na relação entre o Divino, nosso próximo e nós mesmos. A coreografia pascoal é dançada em trio: Deus, a Criação e a humanidade.

As celebrações pascoais na Igreja e em nossas casas é bela e doce, mas não está completa se houver pessoas solitárias e famintas lá fora. Não estaremos dançando a coreografia pascoal se conscientemente não convidarmos à nossa dança outras pessoas; se não encarnarmos em nossas ações aquela hospitalidade ensinada por Jesus de Nazaré. E hospitalidade não significa esperar que outros se tornem como nós para que se sentem à nossa mesa – ou seja, não significa que outras pessoas devam se converter à minha fé, ou falar minha língua/sotaque, ter minha nacionalidade ou cor, professar minhas crenças filosóficas ou políticas, ter as mesmas (des)vantagens socioeconômicas que eu, etc; hospitalidade cristã significa, simplesmente, estar com nossa mentes, mãos e corações abertos para absolutamente todos.

Que possamos, metaforicamente, morrer e ressuscitar nesta Páscoa, e que o novo “eu” que ressurgir de nossas cinzas possa encarnar o espírito de Jesus, com seu amor incondicional a todos, absolutamente todos, como nos ensina a tradição.

+Gibson

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Minha Mensagem de Páscoa


Frequentemente, quando falamos acerca das grandes tradições religiosas mundiais, tendemos a unificar cada uma delas, como se fossem grandes blocos maciços. Assim, nos referimos ao Cristianismo como se este fosse uma coisa única, como se pudéssemos listar características que definem o Cristianismo e que devem ser subscritas por todos aqueles que desejam ser reconhecidos como cristãos.

Infelizmente, esse não é um equívoco cometido apenas por aqueles que olham para as tradições religiosas – e especificamente para o Cristianismo – a partir de fora, ou apenas em nossas conversas informais. Esse equívoco é cometido dentro do próprio corpo de fiéis cristãos que formam aquilo que chamamos de Igreja (num sentido bem largo e amplo para o termo, o sentido que geralmente dou a ele). Na história cristã encontraremos repetidos esforços para a definição do que vem a ser o “verdadeiro” Cristianismo e de quem são os “verdadeiros” cristãos; e, obviamente, todas as vezes que encontramos declarações do que seria a “verdadeira” fé cristã, necessariamente encontramos lá uma cerca de exclusão – um sistema de renúncia de fraternidade àqueles que pensam diferentemente de nós.

Chamo essa atitude exclusivista para com aqueles cristãos fiéis que pensam de maneira diferente de “equívoco” porque acredito plenamente que isso fere o espírito do Evangelho. Para mim, não há um Cristianismo; há Cristianismos. É só pensar nas várias tradições que formam a Cristandade: a Ortodoxia Oriental, o Catolicismo Romano, o Luteranismo, o Anglicanismo, a tradição Reformada – em suas mais diversas formas, o Anabaptismo, o Quaquerismo, o Unitarismo, o Restauracionismo, e tantas outras formas de Cristianismo. Cada uma dessas peças do grande tabuleiro que forma a tradição cristã tem sua própria compreensão do que é ser cristão e de qual seja a ênfase da mensagem cristã. Cada uma delas e, consequentemente, cada um dos indivíduos que delas são parte, é fiel ao chamado de Cristo de sua própria maneira, e moldados por suas próprias compreensões e convicções.

Para algumas dessas tradições cristãs, é essencial crer que as palavras dos credos históricos da Igreja cristã representem uma verdade factual, objetiva. Assim, quando alcançamos essa época do Ano Cristão, quando celebramos a Páscoa – compreendida pela maioria dos cristãos como uma celebração da vitória de Cristo sobre a morte por meio de sua ressurreição dentre os mortos –, essas tradições enfatizam em suas liturgias o poder transformador da fé intelectual, da fé enquanto assensus (assentimento, aceitação, crença).

Considero esse aspecto da fé – o assensus – como muito importante, especialmente se o aliarmos ao seu lado prático (nossas ações), que a Carta de São Tiago, por exemplo, afirma ser condição essencial para a validade da mesma (Tiago 2:17). Contudo, não compreendo esse aspecto intelectual da fé como sendo mais importante que o espírito de comunhão ensinado, de acordo com os registros dos autores dos Evangelhos, pelo próprio Jesus. Assim, para mim, minha fé só está viva se posso encontrar um assento para meu próximo em minha mesa; só é válida se for capaz de alargar meu círculo de irmandade também para aqueles que acreditam de forma diferente, ou que não acreditam de forma alguma.

Não posso deixar de pensar em Martinho Lutero como uma de minhas primeiras inspirações para essa compreensão. Ele ensinou que a diferença entre a Lei e o Evangelho era a seguinte: a Lei nos diz o que fazer, e o Evangelho nos diz o que Cristo faz. Apesar de eu ter um problema com esse tipo de discurso que parece identificar a tradição hebraica (a Lei) – de onde saiu o “Evangelho”, devo enfatizar –, como uma forma de legalismo incompassivo (noção essa que considero, no mínimo, equivocada), ele esclarece muito aquilo que acredito ser o cerne da mensagem cristã: eu, enquanto ministro cristão, não posso (ou não devo) pregar o que os cristãos devem fazer ou acreditar, já que isso seria pregar a “Lei” – na compreensão de Lutero, sequer devo exigir que se acredite, mesmo no Evangelho; o que posso e devo fazer, é simplesmente proclamar aquilo que Jesus (supostamente) disse e fez, e esperar que essa narrativa se transforme em assensus no coração daquele que ouve.

Como um unitarista, não estou tão preocupado com se meus ouvintes acreditarão ou não em minhas palavras acerca de Jesus. Na verdade, é muito mais comum que, assim como eu, suas mentes sejam um tanto endurecidas para o aspecto assensus da fé. Mesmo assim, vos direi como entendo essa data tão importante para a tradição cristã – a Páscoa:

Em minha compreensão da mensagem de Jesus e de seus discípulos, a morte e a ressurreição desempenham o papel mais importante da linguagem do Evangelho. Esses termos, quando combinados, possuem uma força metafórica inerente à narrativa cristã. Na narrativa sobre o próprio Jesus, ele morre e em seguida volta à vida (de forma gloriosa), e, assim, torna-se o modelo daquilo que acontecerá com os que ouvirem sua voz. Nós também podemos morrer e, em seguida, voltarmos a viver. Devemos morrer para tudo aquilo que nos separa do Divino – o ódio, a cobiça, a não-compaixão, a servidão, o temor, o descuido para com o próximo e para com a criação, a falta de integridade, o exclusivismo, a noção de superioridade espiritual ou seja lá qual for, etc –, e permitir que Jesus (ou qualquer outro ou outra que possa nos ajudar a experienciar o Caminho) nos mostre o Caminho que nos levará de volta à vida – compaixão, caridade, misericórdia, justiça, amor, hospitalidade, etc. Essa nova vida é a Ressurreição que celebro nesta data. A Ressurreição de Cristo, que não posso garantir que tenha ocorrido enquanto evento histórico, é uma metáfora da ressurreição que Deus – aquele Mistério inominável e tremendo – opera em meu coração e mente todas as vezes que me abro para recebê-lo. E essa ressurreição, e a nova vida que ela traz, está aberta a absolutamente todas as pessoas: o que inclui crentes e descrentes, ateus e agnósticos, homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, ortodoxos e hereges (como eu)... essa, para mim, parece ser a mensagem de Cristo; esse, para mim, é o Evangelho; esse é o meu Cristianismo! Não se trata de apenas uma crença intelectual, é uma opção de vida, é um estado de espírito!

Feliz Páscoa! Bençãos a todas e todos!

+Gibson