Blog do Rev. Gibson da Costa. Os objetivos deste blog são compartilhar uma perspectiva cristã comprometida com a graça extravagante, a inclusão radical, e a compaixão inflexível; abordar a fé cristã através das lentes da teologia liberal cristã, e num espírito ecumênico e questionador; e contribuir com a voz daqueles cristãos que rejeitam o dogmatismo cego e a intolerância religiosa em sua jornada espiritual e, consequentemente, em suas relações sociais. Unitarismo, Cristianismo Unitarista.
domingo, 23 de outubro de 2011
Deus e o sofrimento humano
domingo, 4 de setembro de 2011
O Credo de Theophilus Lindsey
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
As crenças unitaristas e a linguagem litúrgica
sábado, 30 de julho de 2011
A Eucaristia e os Sacramentos para os unitaristas
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Entre nós, unitaristas, geralmente usamos dois diferentes nomes para nos referirmos a esse ritual de partilha de pão e vinho: Eucaristia ou (Santa) Comunhão – e, algumas vezes, ouvimos pessoas que vieram de alguma tradição evangélica chamá-lo de (Santa) Ceia (título este não muito comum entre nós). Seja como for, todos esses títulos saíram do Novo Testamento e enfatizam diferentes sentidos deste sacramento cristão.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Liturgia da Santa Comunhão - 20 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Sair do Armário - uma resposta à provocação de um amigo desconhecido
"Sair do armário" em minha visão política, religiosa, ideológica, não é forçar a minha verdade a outras pessoas. É simplesmente poder ser quem eu sou, e não ser discriminado legalmente nem agredido por isso. Não é ter direitos especiais, mas simplesmente ter os mesmos direitos, e estar sob as mesmas obrigações, que todas as outras pessoas têm e estão.
É bom que eu diga aqui que me oponho à criminalização de ideias homofóbicas. Apoio, sim, a criminalização da violência contra toda e qualquer pessoa - incluindo gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais e heterossexuais -, mas, para isso, não precisamos duma nova lei, já que a Constituição Federal afirma que todos são iguais perante a Lei. Acredito na liberdade de expressão e opinião. Acredito que as comunidades religiosas possam, sim, discriminar entre aqueles que delas queiram ser parte. Elas podem decidir que determinados comportamentos ou perfis não sejam condizentes com suas ideias. Logo, discordo de sua perspectiva a respeito do que deveria ser feito legalmente para punir a discriminação.
Bençãos, e tudo de bom!
Rev. Gibson da Costa
terça-feira, 31 de agosto de 2010
A Oração de Jesus - uma versão para hoje
Eterno Espírito,
Doador da vida,
Fonte de tudo o que é e de tudo o que será.
Pai e Mãe de todos nós,
Amoroso Deus, em quem está o céu:
Que teu nome ecoe no universo!
Que o caminho de tua justiça seja seguido pelos povos do mundo!
Que tua vontade celestial seja feita por todas as criaturas!
Que teu domínio de paz e liberdade sustenha nossa esperança e venha à terra.
Com o pão que precisamos hoje, alimenta-nos.
Nas mágoas que absorvemos uns dos outros, perdoa-nos.
Em tempos de tentação e aflição, fortalece-nos.
De provações muito difíceis, poupa-nos.
Da força de tudo que é mal, livra-nos.
Pois reinas na glória do poder que é o amor, agora e para sempre.
Amém.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Deus... a mais bela metáfora
É quase inevitável. A maioria das pessoas fora de meu universo religioso unitarista pensam que sou ateu (não que isso seja problema para mim). E isso é compreensível, já que a maioria das pessoas pensam haver uma única forma cristã de se pensar a respeito do “sagrado”, e meu discurso não corresponde a esse padrão esperado pela maioria. Por outro lado, para pessoas não religiosas ou que abraçam um pensamento onde não há espaço para um “sagrado”, posso soar como um teísta, independentemente de eu não ser adepto de um teísmo sobrenaturalista.
Devo reconhecer que “Deus” nunca é tema específico de meus textos ou de meus discursos públicos. E por muitas razões. Uma dessas razões é o fato de eu ser um ministro unitarista e, como tal, evitar (?) definir “Deus” para que, assim, o termo (que vejo como metafórico) possa servir de encarnação para diferentes visões acerca do “sagrado”. Se eu falasse acerca de Deus, definindo dogmaticamente o termo, estaria excluindo pessoas que compreendem “Deus” duma maneira diferente da minha. Uma segunda razão para evitar (?) falar especificamente a respeito de Deus é a forma como interpreto minha fé, o mundo ao meu redor (e do qual sou parte) e a relação entre minha fé e o mundo.
É bom esclarecer que quando uso o termo “fé” aqui, me refiro à experiência religiosa – e não a crenças doutrinárias. A experiência religiosa, em minha concepção, é o processo de abraçar o mistério que nos cerca e envolve. É o processo de reconhecer que há algo “sagrado” (outro termo que prefiro deixar aberto a interpretações) nesta vida que vivemos – que há um Mais neste universo imperfeito, incompleto e acidental que nos leva a querer aperfeiçoá-lo (o universo) com nossas próprias criações (científicas, artísticas etc).
Esse “sagrado” reconhecido por nossas experiências religiosas (o fenômeno religioso ou a religião, se preferir) e explicado das maneiras mais diversas possíveis, e chamado de “Deus” pela maioria de nós, é o que chamo de “essência da experiência humana”.
Deus, em minha visão, não é uma pessoa; não é um criador ou um senhor; não é um pai ou um rei celestial que deva ser honrado. Deus é uma metáfora – a mais bela metáfora criada pela experiência humana. Como metáfora, não vejo nenhum problema em nos referirmos a essa Realidade como se fora uma pessoa, atribuindo-lhe características humanas – como amor, cuidado, paternidade, etc. Mas, para mim, tudo isso é apenas parte da bela metáfora criada por nossa experiência.
Deus é um caminho “sagrado” de vida que nos faz mergulhar no interior de nós mesmos para que possamos descobrir o que é ser humano.
Em minha opinião, a humanidade criou a noção de “Deus” não apenas porque precisasse explicar a razão de ser das coisas numa era não-científica (isso também), mas porque precisava de um modelo ideal para o que os seres humanos poderiam ser (amorosos, misericordiosos, hospitaleiros etc), mesmo que com certos traços das distorções humanas (intolerância, violência, autoritarismo etc).
Tudo o que sei a respeito do universo do qual sou parte exclui a perspectiva de um Ser que tenha criado tudo isso com propósito e plano definidos. Aparentemente, somos resultados acidentais de uma desordem cósmica – se você se interessa por física e cosmologia contemporâneas, saberá do que estou falando. Isso, entretanto, de maneira alguma diminui nossa importância e a importância da Metáfora que construímos para dar um sentido ao todo.
O fato de eu não acreditar que esteja aqui por determinação de uma deidade suprema, de não acreditar que haja um Ser controlando nossos destinos, faz com que meu sentimento de reverência pelo desconhecido e meu senso de responsabilidade para com o mundo aumentem ainda mais.
Deus pode não ser mais aquilo no que se acreditava antes de nossas descobertas científicas (que demoliram antigas concepções acerca do nosso universo, tornando, assim, antigas crenças religiosas insustentáveis, mas que também futuramente demolirão muitas crenças científicas que abraçamos agora), mas ainda há espaço para o “mistério”. Alguém, por exemplo, consegue explicar o que é a vida, afinal de contas? Alguém consegue explicar para onde vai a matéria engolida por buracos negros no espaço?... Ainda há espaço para o mistério!
Deus é, no fim de tudo, uma Realidade dentro da qual existimos e somos (Atos 17:28); é a própria Força de Vida que causa explosões estelares e as subsequentes criações que resultarão dessas explosões; é o processo de evolução da vida que tem estado presente há bilhões de anos neste planeta.
Deus é uma Metáfora para o mistério da vida que ainda não desvendamos, e que, certamente, continuará a nos inquietar por muito tempo – talvez, quem sabe, pelo resto da existência dos seres humanos. Prefiro que continue assim, um tremendo mistério que envolva-nos e que nos lembre que não podemos conhecer tudo e ter todas as respostas.
Rev. Gibson da Costa, D.D. - Ministro da Congregação Unitarista de Pernambuco
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Revelação?
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quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Religião e ciência
“A religião que teme a ciência desonra a Deus e comete suicídio. Ela reconhece que não é igual à verdade plena, que legisla e tiraniza sobre uma vila do império de Deus, mas não é a lei imutável universal. Todo influxo de ateísmo, de ceticismo, torna-se, assim, útil como uma pílula de mercúrio a atacar e remover uma religião morta, e a abrir caminho para a verdade.”
Rev. Ralph Waldo Emerson – ministro unitarista do século XIX, teólogo, poeta, filósofo, pensador
A igreja na concepção unitarista
"A nossa igreja é uma igreja da razão – não porque a mente seja livre de erros, mas porque o diálogo de mente com mente, e da mente consigo mesma, refina o pensamento religioso.
A nossa igreja é uma igreja de obra moral – não porque pensemos que a moralidade seja uma religião suficiente, mas porque não conhecemos uma melhor maneira de mostrar nossa gratidão a Deus, e nossa confiança uns nos outros.
A nossa igreja é uma igreja de consciência – não porque acreditemos que a consciência seja infalível, mas porque ela é o local de encontro entre Deus e o espírito humano.
A nossa igreja é uma igreja adogmática – não porque não tenhamos crenças, mas porque não seremos restringidos em nossas crenças."
Rev. Wallace W. Robbins - ministro unitarista, falecido em 1988
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Compromisso Cristão Brasileiro
Nós, cristãos livres brasileiros, declaramos nossa intenção de fortalecer nossos laços e dar uma voz comum ao nosso movimento. Para tanto, assumimos o compromisso de nos guiarmos pelos seguintes princípios:
• Encontramos nos ensinamentos atribuídos a Jesus e nos relatos a respeito de sua vida nossa porta para o caminho que nos leva a Deus, sem, contudo, deixar de reconhecer que outras pessoas podem encontrar seu caminho para Deus por meio de outras portas e que, para elas, seu caminho é tão verdadeiro quanto o nosso é para nós;
• Reconhecemos e afirmamos a dignidade e o valor de TODOS os indivíduos, convidando todas as pessoas a fazerem parte de nossa comunidade sem insistir que se tornem como nós para que sejam aceitas;
• A busca por compreensão através do questionamento é, para nós, mais valiosa e graciosa do que a certeza dogmática e, por esta razão, encontramos nossos laços de união no espírito das Boas Novas de Jesus e não em afirmações ou definições dogmáticas;
• Reconhecemos que a maneira como nos tratamos e a maneira como tratamos outras pessoas e a criação como um todo é a expressão mais plena do que acreditamos;
• Comprometemo-nos a trabalhar pela justiça e paz entre todas as pessoas, protegendo e restaurando a integridade de toda a criação de Deus, e levando eperança àqueles que Jesus chamou de os “menores” de suas irmãs e irmãos;
• Reconhecemos que seguir Jesus exige amor altruísta, resistência consciente ao mal, e renúncia de privilégios.
Princípios Religiosos da Associação Unitarista Brasileira
1. A presença divina se faz conhecer de incontáveis maneiras. O Unitarismo promove uma busca livre e responsável por verdade, sentido, comunhão, e amor.
2. A razão é um dom divino. O Unitarismo abraça a razão e sua progênie, incluindo a aventura científica que investiga o universo.
3. A liberdade é um dom divino. O Unitarismo auxilia no esforço de se encontrar uma forma de exercitar esse dom de maneira responsável, construtiva, e ética.
4. Conscientes da complexidade da criação, dos limites da compreensão humana e da capacidade humana para o mal em nome da religião, declaramos que a liberdade de consciência, o uso da razão, a tolerância religiosa, e a paz devam ser uma parte central de qualquer experiência religiosa.
5. A experiência religiosa é mais satisfatória no contexto de uma tradição. Nossa tradição religiosa é a tradição Unitarista, que enfatiza a importância da razão na religião, a tolerância, a unidade da experiência humana, e a unicidade de Deus.
6. A revelação é contínua. A religião deve buscar inspiração não apenas em sua própria tradição, mas em outras tradições religiosas, na filosofia e nas artes. Apesar de dar o devido valor às lições aprendidas no passado e à importância da tradição religiosa, a religião não deve ficar estagnada, mas deve empregar a razão e a experiência religiosa para evoluir de uma maneira construtiva, iluminada e satisfatória.
7. Conscientes das necessidades espirituais e materiais de outros homens e mulheres, do mal ao qual possam estar sujeitos e das tragédias que possam estar sofrendo, obras de misericórdia e compaixão devem ser parte de qualquer experiência religiosa.
8. O Unitarismo afirma o valor e a dignidade inerentes a todos os seres humanos. Por isso, esforçamo-nos para que usemos de eqüidade, justiça, e compaixão em nossas relações, mantendo nossas mentes, mãos e corações abertos para receber a todos.
9. Nossa crença no valor e na dignidade inerentes de todos os seres humanos leva-nos a entender a violência, as guerras, a exploração, o racismo, o machismo, a xenofobia, e a homofobia, em todas as suas formas, como incompatíveis com nossa tradição unitarista.
10. A vida da humanidade está entrelaçada com a vida deste planeta, da mesma forma que está seu futuro. Por essa razão, o Unitarismo afirma nossa responsabilidade em cuidar do bem-estar de nosso meio-ambiente natural, e zelar para que os recursos naturais presentes neste planeta, assim como a vida de outros animais e vegetais, possam perdurar em segurança enquanto existirmos.