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domingo, 23 de outubro de 2011

Deus e o sofrimento humano

Sempre fico muito aborrecido quando ouço pessoas – pessoas que creio estarem sinceramente muito bem intencionadas – insinuarem ou dizerem a outras que há um propósito para o sofrimento pelo qual passam, que Deus faz uso da dor para ensinar-nos alguma lição cósmica.

Para algumas dessas pessoas, tudo na vida acontece por uma razão espiritual. Para elas, Deus utiliza a dor e o sofrimento para tornar-nos pessoas melhores e mais elevadas espiritualmente. Elas acreditam que Deus faz uso das guerras, da violência, da tortura, da fome, dos desastres naturais para trazer-nos de volta aos “seus caminhos”.

Minha resposta, obviamente, tem sempre sido a de que não posso acreditar num Deus que utilize violência, tortura, e assassinato de seres humanos para ensinar-nos qualquer lição que seja. Não posso aceitar um plano divino que inclua estupro, homicídio, e tragédias, por exemplo. Essas pessoas me dizem que todos nós aprendemos com essas experiências e, logo, não podemos negar que tenham um sentido. Minha resposta a isso é que algumas pessoas realmente conseguem extrair algum aprendizado de situações trágicas como essas, mas outras (talvez a maioria) são destruídas e definham por dentro, nunca se recuperando.

Enquanto posso aceitar que crescemos e aprendemos com o sofrimento e com a dor, não posso aceitar uma religião que ensine que essa é a razão pela qual sofremos na vida. O grande problema com esse pensamento é que se tudo que ocorre tem uma razão de ser, então não há nada bom nem mau, e tudo é moralmente neutro. Não posso aceitar que a violência cometida contra uma pessoa ou contra um povo seja útil nem, especialmente, que seja o plano de um Deus inteligente e benevolente.

A coisa mais patética a respeito dessa forma de pensar é que ela culpa a vítima pelo que lhe ocorreu. A vítima da tragédia é culpada porque se ela tivesse sido mais inteligente, teria aprendido a vontade divina antes, e não precisaria passar por aquilo!

Às vezes, alguns aparecem com uma visão que parece ser mais sofisticada, dizendo que a razão para passarmos por sofrimento aqui é porque devemos ter feito algo errado numa vida passada. Esse pensamento os ajuda a manterem a ideia de que o mundo é justo e perfeito. Eu, entretanto, não acredito que o mundo seja justo nem perfeito. Desastres naturais acontecem. Pessoas boas adoecem e morrem.

Desastres naturais acontecem, por exemplo, porque é desta forma que o universo físico está estruturado, e não porque as pessoas que morreram nesses desastres mereciam morrer dessa forma, ou porque as pessoas que ficaram precisavam aprender uma lição. Pessoas morrem em decorrência de doenças porque nossos corpos físicos são mortais, limitados, e eventualmente desfalecerão, morrerão, e se desfarão em pó, e não porque seja um plano de Deus para ensinar aos sobreviventes uma lição. Eu não posso aceitar um Deus que ensine lições por meio do assassínio de crianças e adultos. Não posso apreciar uma religião que ensine ideias horríveis como essas.

Ao conversar com pessoas que acreditam nessas coisas, tenho o desejo de ajudá-las a abrirem suas mentes e tentarem enxergar um metro à sua frente. E oro para que usem o intelecto e a liberdade com os quais foram abençoadas para sonharem, viverem, sofrerem e mesmo morrerem de maneira mais digna.

+ Gibson

domingo, 4 de setembro de 2011

O Credo de Theophilus Lindsey


Há UM DEUS, uma única pessoa que é Deus, o único Criador e Senhor Soberano de todas as coisas.

O santo Jesus foi um homem da nação judaica, o servo desse Deus, altamente honrado e distinguido por ele.

O Espírito, ou Espírito Santo, não era uma pessoa ou ser inteligente, mas apenas o extraordinário poder ou dom de Deus, primeiro para nosso próprio Senhor Jesus Cristo em sua vida, e depois para os Apóstolos e muitos dos primeiros cristãos, para capacitá-los a pregar e propagar o Evangelho com sucesso.

Esse Credo é estritamente unitarista, ou o que seria chamado de sociniano. Nele não encontramos a ideia ariana da pré-existência da alma humana de Cristo, ou que ele originalmente possuísse uma natureza superangélica; ou que seus sofrimentos e morte fossem de alguma maneira considerados como propiciatórios, ou que honras divinas lhe fossem devidas. Tradicionalmente, o cristianismo unitarista anglófono rejeita essas visões como absurdas e afirma a simples humanidade de Jesus.

*O sacerdote anglicano Rev. Theophilus Lindsey (20 de junho de 1723 – 3 de novembro de 1808) foi o fundador da primeira igreja explicitamente unitarista da Inglaterra (em 1774).

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

As crenças unitaristas e a linguagem litúrgica


Algumas perguntas me foram feitas acerca da liturgia na Congregação Unitarista de Pernambuco, e as respostas que dei àquelas perguntas me parecem apropriadas para uma discussão mais ampla acerca da compreensão litúrgica do Cristianismo Liberal como um todo.

Expliquei à pessoa que me questionara que nossa liturgia – assim como a liturgia de toda comunidade de fé – baseia-se em nossas compreensões teológicas (e filosóficas). A compreensão mais amplamente aceita em nossa comunidade é a de integridade. Nossas palavras e ações litúrgicas devem ser um reflexo da integridade de nossas crenças – que, em nosso caso, como teologicamente liberais, não estão acorrentadas ao dogma nem à tradição; nossas crenças são abertas à mudança.

Podemos pensar em, pelo menos, quatro princípios que nos guiam em nossas práticas litúrgicas:

1 – Nosso foco é um modus vivendi compassivo, e não crenças dogmáticas. A compaixão, que, para nós unitaristas, é a verdadeira religião (Miqueias 6:8; Tiago 1:27), faz-nos afirmar o valor e a dignidade de todos os seres humanos (Mateus 7:1-2; 25:37-40). A integridade que afirmamos exige que essa compaixão – esse amor, essa caritas – se expresse em nossas palavras e ações não apenas em nosso dia a dia, mas também em nossa liturgia na igreja. Logo, linguagens sexistas, racistas, homofóbicas, tribalistas, nacionalistas, violentas etc, não podem ser parte de nossa liturgia. É por esta razão que recusamos ler em nossas liturgias mesmo trechos das Escrituras que entendamos como exibindo tal tipo de linguagem.

2 – A maioria de nós unitaristas não compreende Deus como um ser sobrenatural que intervem na história humana. Há alguns de nós que certamente entendem Deus da maneira dita “tradicional”, mas a maioria de nós entendemos a Divindade como uma metáfora para os mais profundos valores humanos. A integridade que buscamos exige que sejamos cuidadosos e inclusivos para com todos em nossa liturgia; logo, nossa linguagem litúrgica tem de ser sensível às compreensões de todos os que fazem parte desta comunidade e que oram conosco.

3 – Para a maioria de nós unitaristas, Jesus é um mestre e um exemplo, e não um salvador sobrenatural enviado por Deus. Jesus “salva-nos” por meio de seus ensinamentos, e não por meio de uma morte para pagar por nossos “pecados”. Por causa disso, não fazemos uso dos tradicionais hinos cantados por outras igrejas cristãs – já que os mesmos estão moldados pela teologia da redenção; somos forçados por nosso anseio pela integridade a encontrar outras vozes para a nossa fé. Essa é a razão para a grande diferença musical em nossa comunidade – quando comparada a outras igrejas cristãs.

4 – Para nós unitaristas, o cristianismo não é o único caminho aceitável e autêntico para se chegar ao Divino ou para encontrar sentido na vida. A integridade que buscamos força-nos a honrar os caminhos que para outras pessoas são tão verdadeiros quanto o nosso é para nós próprios. Isso, mais uma vez, faz-nos rejeitar hinos ou afirmações que insinuem uma superioridade cristã em relação a outras pessoas, por exemplo.

O que nós unitaristas cremos, em essência, é que – mesmo fazendo uso de linguagem metafórica, muitas vezes – nossa linguagem litúrgica, que se expressa em palavras e atos, deve refletir nossas crenças; e essas crenças, em nosso caso, incluem a crença no valor e dignidade inerente de todos os seres humanos (homens, mulheres, de todos os gêneros e identidades de gênero, e de todas as orientações emociono-sexuais), uma crença na paz, na liberdade de pensamento, no exemplo deixado pelas palavras e ações atribuídos a Jesus de Nazaré – nosso mestre e modelo.

sábado, 30 de julho de 2011

A Eucaristia e os Sacramentos para os unitaristas


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"[...]Façam isto em memória de mim." (Lucas 22:19)

Entre nós, unitaristas, geralmente usamos dois diferentes nomes para nos referirmos a esse ritual de partilha de pão e vinho: Eucaristia ou (Santa) Comunhão – e, algumas vezes, ouvimos pessoas que vieram de alguma tradição evangélica chamá-lo de (Santa) Ceia (título este não muito comum entre nós). Seja como for, todos esses títulos saíram do Novo Testamento e enfatizam diferentes sentidos deste sacramento cristão.

Chamá-lo de Eucaristia – um termo tirado do Novo Testamento grego, e que significa ação de graças – lembra-nos que a gratidão à Providência é uma parte essencial tanto da espiritualidade cristã quanto da própria natureza deste ato sacramental.

Chamá-lo de Santa Comunhão lembra-nos que esse é um ato dos mais sagrados e íntimos em nossa tradição, tornando-nos um com Jesus Cristo e parte de seu corpo, a igreja.

Chamá-lo de Santa Ceia lembra-nos que este ato é uma refeição instituída pelo próprio Jesus e presidida por ele, em sua mesa, todas as vezes em que ela é celebrada.

Usar esses diferentes nomes para esse ritual que aqui celebramos todas as vezes que nos encontramos, é um reconhecimento de que nenhum desses títulos pode conter a riqueza de sentidos desse ato sagrado.

É importante que nos lembremos, antes de tudo, do sentido que damos ao termo que é usado para definir essa refeição sagrada: sacramento. Um sacramento tem sido definido, entre nós, como uma “encruzilhada” entre Deus e o homem – um ponto de encontro entre o humano e o sagrado. Um ato sacramental, como a Santa Comunhão ou o Batismo, por exemplo, distingue-se pelo seu uso de atos simbólicos, ou seja, de atos que expressam sentidos, e envolvem, além dos atos em si, palavras e (geralmente) objetos.

Muitos pensam que nós unitaristas não acreditamos em sacramentos e não os celebremos. Enganam-se os que assim pensam. Historicamente, tem havida uma ampla interpretação do que seja um sacramento e de seu papel em nosso meio. É verdade que a maioria de nós tem compreendido a participação externa em tais sacramentos como sendo não necessária para o genuíno discipulado cristão – uma genuína relação com o Divino – ou para a admissão à comunidade cristã; mas, por outro lado, ainda que não enxerguemos os sacramentos como uma espécie de exigência para estarmos de bem com Deus, a maioria esmagadora de nós os celebra continuamente como, pelo menos, um memorial à nossa fé. A realidade da prática sacramental em nossa congregação evidencia-se, por exemplo, quando pensamos no título recebido pelos ministros presbiterais em nossa comunidade: Ministro ou Ministra da Palavra e Sacramento.

Eu, particularmente, compreendo o todo da vida como sendo um sacramento. Pessoalmente, não acredito que um ato ou um momento seja mais sagrado que outro. Assim, prefiro enxergar todos os momentos de minha vida – mesmo aqueles que outros veriam como sendo profanos – como momentos sagrados, e todas as minhas ações como atos sagrados. Obviamente, não espero que todos compreendam a vida como eu a compreendo, nem que moldem suas compreensões teológicas às minhas; mas, duma certa maneira, não há uma distinção tão grande assim entre minha compreensão pessoal e aquela abraçada por nossa comunidade de fé como um todo.

Isso fica claro no momento em que novos membros são recebidos em nossa congregação. Aqui, na Congregação Unitarista de Pernambuco, apesar de o Batismo ser observado pela maioria de nossos membros, não há uma exigência de que alguém deva ser batizado para ser aceito como membro de nossa congregação. Esse tem sido um costume em nossa igreja desde sua fundação, já que, desde o início, tem havido pessoas com as mais diversas compreensões teológicas sobre o sentido dos sacramentos em nosso meio. O mesmo se aplica à nossa compreensão da Santa Comunhão. Se observarem bem, verão que nem todos nós partilhamos do pão e do cálice em nossas celebrações. Os que não partilham desses elementos, não o fazem não por estarem em pecado. Não tomam desses símbolos simplesmente por não os verem como necessários à sua relação com a Providência. Esses cristãos unitaristas fieis compreendem cada momento, cada lugar, cada ato de suas vidas como sendo aquela encruzilhada – aquele ponto de encontro – com o Divino. E, para nós, não há nada de errado com isso. Nossa vida comunitária prova que é possível manter-se uma unidade convenial mesmo em meio a diferentes compreensões teológicas. Podemos enxergar nossa fé de diferentes maneiras e, mesmo assim, manter-nos unidos pelo que fazemos juntos, e não pela maneira como compreendemos cada aspecto de nossa fé e de nossa existência. O que nos unifica é nossa aliança – as promessas que fazemos uns aos outros diante de Deus – e não uma lista de crenças que nos mantenha artificialmente juntos.

As palavras geralmente rezadas em nossa celebração eucarística são um testemunho de nossa compreensão do valor daquele ato simbólico. Alguns de nós podem entender aqueles símbolos como sendo a presença real de Jesus entre nós. Outros de nós podem entendê-los como sendo um símbolo da presença espiritual de Jesus entre nós. Outros, ainda, talvez a maioria de nós, os compreendem como um memorial da união que Jesus espera entre seus discípulos e da unidade entre todos os seres humanos, representada por símbolos tão universais quanto o pão e o vinho. Essa compreensão de união é exibida em nossa recepção de absolutamente todas as pessoas aos símbolos eucarísticos: você não precisa ser um unitarista, não precisa ser membro desta congregação, nem membro de qualquer outra comunidade cristã para ter acesso à Santa Comunhão. Como esta é uma refeição presidida por Jesus, você é um convidado dele para participar dela. Se você recebe ou não a Comunhão, é entre você e Deus.

Quando servimos esses elementos – o pão e o vinho –, o fazemos “em nome de todos aqueles e aquelas que, conhecidos ou desconhecidos, lembrados ou esquecidos, viveram e morreram como verdadeiros servos da humanidade”; em nome do espírito de amor ensinado por Jesus; e em nome da Providência, da Presença Eterna, de Deus. Assim, crianças e adultos, jovens e velhos, homens e mulheres, crentes ou descrentes, esquerdistas ou direitistas, heterossexuais ou gays, pobres ou ricos, nacionais ou estrangeiros, pretos ou brancos, afinal, todas as pessoas são aceitas à mesa cristã. Elas não precisam compreender aquele ato e aqueles símbolos da mesma maneira – só precisam ter o mesmo desejo de amarem e servirem a humanidade e, assim, estarão cumprindo o maior mandamento que Jesus nos deu. Sim, pois mesmo o que se diz ateu, ao amar e servir a seu próximo, está, em verdade, amando e servindo ao Deus do universo.

Que ao fim deste ato sacramental hoje, possamos repetir com toda força em nossos corações, mentes e almas as palavras que sempre rezamos: Cristo nasce em nós quando abrimos nossos corações à inocência e ao amor. Cristo vive em nós quando caminhamos a senda do perdão, reconciliação e compaixão. Cristo morre em nós quando nos rendemos à nossa própria arrogância, egoísmo e ódio. Cristo ressuscita em nós quando nossas almas se despertam da morte espiritual para se unirem à comunidade de amor, para entrar no reino divino aqui mesmo neste mundo. Saiamos em paz. Amém.”


Rev. Gibson da Costa - Sermão proferido na Congregação Unitarista de Pernambuco

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Liturgia da Santa Comunhão - 20 de fevereiro de 2011


CHAMADO À ADORAÇÃO

Ministro: Deus esteja com vocês!
Todos: E com você também!

Ministro: Deus certamente está conosco quando abrimos nossos olhos e contemplamos a beleza que nos cerca, ou, se não podemos ver, podemos sentir a vida da qual somos parte.

Todos: Deus é a fonte de Vida do Universo!

Ministro: Deus está conosco todas as vezes que ousamos nos amar mutuamente, honrando o valor e dignidade de toda pessoa que nos cerca, cuidando do mais fraco, protegendo o mais vulnerável, amando como Jesus nos ensinou.

Todos: Quando amamos, somos a presença de Deus no mundo!

Ministro: Como me apresentarei a Deus? Como me ajoelharei diante do Deus das alturas? Virei a ele com sacrifícios de animais? Devo trazer a ele dinheiro ou joias?

Todos: Ó homem, já foi explicado o que é bom e o que Deus exige de você: praticar a justiça, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus! (Miqueias 6:8)


Coral: Jesus disse: dou a vocês um novo mandamento. Amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. (João 13:34)

Ministro:
Oremos:
Amado Deus, Jesus nos ensinou que, sem amor, nossas ações não valem nada. Envia teu Espírito e derrama em nossos corações o dom do amor, o verdadeiro laço de paz e de toda bondade; em nome do mesmo Jesus que, com seus ensinamentos e exemplos, nos aponta o caminho para tua presença. Amém.


[MÚSICA]


Ministro: Meus amigos e minhas amigas, as Escrituras nos ensinam a amar incondicionalmente e a cuidar daqueles que nos cercam, alegrando-nos com os que se alegram, chorando com os que choram, vivendo em harmonia com todos, não nos deixando levar pela mania de grandeza, nem nos considerando mais sábios que os outros, nos preocupando em fazer sempre o bem ao próximo, vivendo sempre em paz com todos, nunca sendo vencidos pelo mal, mas sempre vencendo o mal com o bem (Romanos 12:10-21). Entretanto, somos imperfeitos, e ficamos muito longe dessa expectativa. Por isso, analisemos nossas vidas, e confessemos a Deus nossos erros, falhas e pecados, deixando o Espírito divino criar em nós o desejo de sermos a Presença de Deus na vida de todas as pessoas que nos cercam.


Todos: Amado Deus, confessamos que não temos te amado com todo nosso coração, mente, e força, e não temos amado nosso próximo como a nós mesmos. Em teu amor, perdoa-nos pelo que temos sido, ajuda-nos a consertar o que somos, e molda o que seremos, para que possamos nos alegrar em nossa vida, amando incondicionalmente e abrindo nossas mentes, nossas mãos e nossos corações todos os dias de nossas vidas.


Ministro: Eu vos declaro, como tantas vezes fez Jesus em seu próprio tempo, que vocês estão e são perdoados. Que o Deus de amor, que perdoa todos os vossos erros, vos fortaleça em todo bem e, pelo poder do seu Espírito, vos preserve na vida eterna.

Todos: Amém.

E já que Deus nos perdoou, nos perdoemos uns aos outros. A paz de Deus esteja com todos vocês.

Todos: E com você também!

[Todos compartilham uns com os outros, em palavras e gestos, sinais de paz e reconciliação.]


[MÚSICA]

ORAÇÃO DE ILUMINAÇÃO: Diácono Elias Santana

Diácono: Oremos.
Ó Deus, nos diz o que precisamos ouvir, e nos mostra o que devemos fazer, para que possamos curar o mundo e trazer a tua Presença entre nós.

Todos: Amém!

Diácono: Ouçam o que o Espírito está dizendo à igreja.

PRIMEIRA LEITURA: Sandra Lima - Levítico 19:1-2, 9-18.

[Depois da leitura:]
Leitora: Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus.


SALMO: Cantado pelos Humiliati e pela congregação - 119:33-40


SEGUNDA LEITURA: Cristina Wolfenson - 1 Coríntios 3:10-11, 16-23

[Depois da leitura:]
Leitora: Palavra do Senhor.
Todos: Graças a Deus.


[CÂNTICO DE PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO – pelos Humiliati]


EVANGELHO: Diácona (Alicia Phelps) - Mateus 5:38-48

Diácona: O Evangelho de nosso senhor Jesus Cristo de acordo com Mateus.
Todos: Glória a ti, ó Deus!

[Depois da leitura:]
Diácona: O Evangelho do Senhor!
Todos: Glória a Deus!


SERMÃO: Ministro (Rev. Gibson da Costa)


DOXOLOGIA:

Ministro: Ao rei dos séculos, ao Deus incorruptível, invisível e único, honra e glória para sempre!
Todos: Amém!


[MÚSICA]


AFIRMAÇÃO DE FÉ:

Ministro: Não estamos sozinhos.
Todos: Vivemos no mundo de Deus.
Ministro: Cremos em Deus,
Todos: que criou e está criando, que nos enviou Jesus como anunciador de Sua palavra, para reconciliar e renovar, que opera em nós e em outros através do Espírito.
Ministro: Confiamos em Deus,
Todos: que nos convoca à igreja, para celebrar a vida e sua plenitude, para amar e servir aos outros, para buscar justiça e resistir ao mal, para proclamar a mensagem de Jesus, nosso modelo de amor incondicional.
Ministro: Na vida, na morte, na vida além da morte, Deus está conosco.
Todos: Não estamos sozinhos. Graças a Deus.


ORAÇÃO DO POVO: Diácono Lars Channing


[MÚSICA]


CELEBRAÇÃO DA COMUNHÃO

Ministro: Desde tempos antigos, celebramos este banquete de pão e vinho. Na noite antes de sua morte, Jesus e seus amigos se reuniram ao redor da mesa. Ele tinha falado sobre um Deus que queria salvar todo o mundo; da cruz que deve ser carregada; do cálice que deve ser esvaziado; e da alegria encontrada pelos que amam. E agora, ele falava da comunhão em seu amor, que é maior que a morte; e da escuridão que encontram aqueles que se afastam do amor. Aquele foi um banquete de pão e vinho. O pão, feito de grãos de trigo, deveria ser partido; como seu corpo foi partido e morreu. O vinho, extraído da uva, deveria ser bebido por todos; como suas palavras foram bebidas por todos que o ouviam. Aqueles que partilharam daquele banquete, entendiam o significado do momento. Eles entendiam: a escuridão da traição; o poder da comunhão num amor mais poderoso que a morte; a paz daqueles que permanecem em seu amor. O banquete de pão e vinho é a comunhão neste amor que encontramos em Jesus, no qual partilhamos por meio dele; a comunhão com os que já se foram; a comunhão com os que estão longe; a comunhão com os que estão próximos; a comunhão com todos aqueles que virão depois de nós.

Amigos e amigas, em fé e amor, todos vocês são convidados a esta Comunhão, independentemente de pertencerem a esta igreja, a qualquer outra, ou a nenhuma. Todos os que anseiam viver em comunhão com Jesus e com seus ensinamentos são bem-vindos.

Agora ousemos dizer juntos uma adaptação da oração que Jesus ensinou a todos aqueles que se juntavam à vida no Espírito:

Todos:
Eterno Espírito,
Doador da vida,
Fonte de tudo o que é e de tudo o que será.
Pai e Mãe de todos nós,
Amoroso Deus, em quem está o céu:

Que teu nome ecoe no universo!
Que o caminho de tua justiça seja seguido pelos povos do mundo!
Que tua vontade celestial seja feita por todas as criaturas!
Que teu domínio de paz e liberdade sustenha nossa esperança e venha à terra.

Com o pão que precisamos hoje, alimenta-nos.
Nas mágoas que absorvemos uns dos outros, perdoa-nos.
Em tempos de tentação e aflição, fortalece-nos.
De provações muito difíceis, poupa-nos.
Da força de tudo que é mal, livra-nos.

Pois reinas na glória do poder que é o amor, agora e para sempre.

Amém.

[Silêncio]

Diácona: Neste ofício, comemoramos uma grande amizade e um grande sacrifício. Nos reunimos aqui para ter comunhão com Deus através do exemplo de Jesus, para que possamos renovar e aprofundar nossa relação com ele, e aumentar o poder e sinceridade de nosso discipulado. O amor pelos outros e o desejo de servi-los foi a grande paixão de sua vida. Pensamos nele não apenas em relação a seus próprios discípulos, com quem ele partilhou o dom de seu espírito, mas também em sua relação com os homens e as mulheres de seu tempo, a quem ele deu o melhor de si, tanto em palavra quanto em ação. O que mais o distinguiu foi a ênfase que deu à comunhão espiritual. Amizade com ele não significava apenas ajuda prática e simpatia, mas também encorajamento e apoio espiritual. Ele afirmava insistentemente que os famintos devem ser alimentados, que os nus devem ser vestidos, que os doentes devem ser visitados; mas ele não insistia menos, por causa disso, que as almas das mulheres e dos homens devem ser alimentadas, para que possam partilhar as riquezas da vida eterna. Em tudo o que disse e fez Jesus apelou à vida do espírito. Todas as mulheres e homens eram para ele suas irmãs e irmãos em Deus, e nesta ideia ele baseou sua relação com eles. Amor a Deus e amor à humanidade não eram princípios que se podiam escolher. Eles eram os princípios mais importantes da humanidade, sem os quais uma vida verdadeira era impossível.

Hoje, sejam quais forem nossas perplexidades ou dificuldades, ainda reconhecemos a verdade e a beleza do princípio cristão. Nossa natureza espiritual nos convoca ao ministério de amor e serviço. Frequentemente, nossos ideais são negados no domínio da vida prática e diária. Entretanto, não podemos nos envergonhar do claro testemunho de nossas almas ao amor a Deus e à humanidade como sendo as coisas supremas da vida. Como Jesus, devemos a elas nossa plena lealdade; e oramos para que enquanto partilhamos dos símbolos de seu ministério e sacrifício, possamos compartilhar da amizade de seu espírito, e sejamos fortificados e purificados em nossas almas por meio de nossa comunhão com ele. Que sejamos um neste ministério do Espírito, em nosso discipulado cristão, com todas as mulheres e homens fiéis de todas as eras, de todo lugar e de toda fé que têm amado e servido a humanidade no espírito de Jesus.

Ministro: Enquanto Jesus comia com seus discípulos em uma sala, tomou um pão, agradeceu a Deus, o partiu e distribuiu a eles, dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês. Façam isto em memória de mim”. Depois ele fez o mesmo com o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança do meu sangue. Façam isto em memória de mim”.

[O ministro ergue o pão e diz:]
Ministro: E então, como todos partilham do pão da vida e são filhos de Deus, partimos este pão como um sinal e símbolo de Jesus, de todos os que têm fielmente servido a Deus e à humanidade, e como uma lembrança de nosso desejo de servirmos uns aos outros em perfeito amor.

Todos: Neste momento de lembrança e partilha, possa nosso desejo de servir a Deus e à humanidade ser renovado dentro de nós.

[O ministro ergue o cálice e diz:]
Ministro: Como somos todos feitos de um sangue e juntos partilhamos este mundo, tomamos este cálice como sinal e símbolo de Jesus, de todos os que têm testemunhado sobre a unidade da humanidade, e como uma lembrança de nosso desejo de que, como temos recebido gratuitamente, gratuitamente daremos.

[O pão e o cálice são distribuídos.]

[Quando todos os que desejarem tiverem tomado do pão e do vinho, haverá um momento de oração silenciosa.]

Ministro: Eterno Deus, te damos graças por nos teres posto no caminho de tantas mulheres e homens bons e fiéis. Lembramos de todos aqueles que, desde o começo do mundo, têm trabalhado pela justiça e têm caminhado contigo, todos cujas vidas têm sido marcado pela mesma beleza que estava em Jesus. Que a nuvem de testemunhos seja para nós um exemplo da vida com Deus, e que por meio da fé, esperança e amor, possamos estar unidos a eles e a ti, agora e eternamente.

Junta-nos ou espalha-nos, ó Deus, de acordo com tua vontade. Faz-nos uma igreja, uma igreja com mentes, mãos e corações abertos, uma igreja que leva este mundo à sério, pronta para trabalhar e para sofrer, ou até mesmo sangrar por ele.

Todos: Cristo nasce em nós quando abrimos nossos corações à inocência e ao amor. Cristo vive em nós quando caminhamos a senda do perdão, reconciliação e compaixão. Cristo morre em nós quando nos rendemos à nossa própria arrogância, egoísmo e ódio. Cristo ressuscita em nós quando nossas almas se despertam da morte espiritual para se unirem à comunidade de amor, para entrar no reino divino aqui mesmo neste mundo. Saiamos em paz. Amém.

[MÚSICA]

Congregação Unitarista de Pernambuco - 20 de fevereiro de 2011.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sair do Armário - uma resposta à provocação de um amigo desconhecido


Caro Amigo,

Sou gay. Isso é algo sabido por todos, mas que preciso reafirmar aqui. E a razão para isso é simplesmente por questão de integridade pessoal. Quero que fique muito claro a partir de que lugar falo.

Eu sou muito mais do que apenas minha orientação emociono-sexual. Sou um ser humano pleno, e minha emociono-sexualidade é apenas um aspecto de minha humanidade. Como um ser humano, é importante ter esse meu lado apreciado por outras pessoas de minha comunidade, da mesma maneira que ter todos os outros meus lados apreciados é importante. Quando digo “apreciado”, quero, em verdade, dizer “respeitado, reconhecido, afirmado, personalizado”. Não necessito que outras pessoas “aceitem” minha orientação emociono-sexual como algo belo e magnífico, quero apenas que aceitem o fato de essa orientação ser uma parte de minha identidade, da mesma forma que sua orientação emociono-sexual é parte de sua própria identidade.

Vejo o “sair do armário”, assim, como um rito de passagem para o ser um humano mais pleno, e sou feliz por ser parte de uma tradição religiosa que honra o “sair do armário” como um ritual sacramental. No Unitarismo, todos nós “saímos do armário” - heterossexuais, homossexuais, bissexuais ou transsexuais. Todos somos livres para, se quisermos, declarar à nossa comunidade o que descobrimos ser nossa orientação ou identidade sexual, já que a vemos como um dom divino.

“Sair do armário”, para alguns no “mundo lá fora”, parece ser sair à rua com uma bandeira colorida na mão, ao som de música eletrônica, circundado de personagens caricatos. Ou, talvez, seja essencialmente uma questão política. “Sair do armário” para um unitarista é ter a oportunidade de estar diante de sua comunidade e poder dizer “é este ou esta que eu sou e peço a vocês que me abençoem e fiquem do meu lado”. Em uma comunidade unitarista, um jovem gay, por exemplo, pode conhecer um outro jovem e pode contar com o cuidado, apreciação e apoio que qualquer outro jovem teria. Ele não precisa se esconder, como se estivesse fazendo algo errado e inaceitável, algo horrendo e maldito. Não. E é exatamente por isso que ele, assim como um jovem heterossexual também, tem a oportunidade de “sair do armário”, se quiser.

"Sair do armário" em minha visão política, religiosa, ideológica, não é forçar a minha verdade a outras pessoas. É simplesmente poder ser quem eu sou, e não ser discriminado legalmente nem agredido por isso. Não é ter direitos especiais, mas simplesmente ter os mesmos direitos, e estar sob as mesmas obrigações, que todas as outras pessoas têm e estão.


É bom que eu diga aqui que me oponho à criminalização de ideias homofóbicas. Apoio, sim, a criminalização da violência contra toda e qualquer pessoa - incluindo gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais e heterossexuais -, mas, para isso, não precisamos duma nova lei, já que a Constituição Federal afirma que todos são iguais perante a Lei. Acredito na liberdade de expressão e opinião. Acredito que as comunidades religiosas possam, sim, discriminar entre aqueles que delas queiram ser parte. Elas podem decidir que determinados comportamentos ou perfis não sejam condizentes com suas ideias. Logo, discordo de sua perspectiva a respeito do que deveria ser feito legalmente para punir a discriminação.

Creio que devamos sair, todos nós, de “nossos armários”. Nossos “armários” de medo. Nossos “armários” de dor. Nossos “armários” de receio. Nossos “armários” de solidão. Saiamos de nossos “casulos” de separação e nos afirmemos como membros de uma única família: a família humana – aquela família unida pelas mais diversas cores, línguas, nacionalidades, culturas, crenças, orientações emocionais e sexuais, idades, rendas financeiras, etc. Essas diferenças não deveriam nos separar, mas sim nos fortalecer. Elas são um dom divino.

Bençãos, e tudo de bom!

Rev. Gibson da Costa

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Oração de Jesus - uma versão para hoje

Eterno Espírito,

Doador da vida,

Fonte de tudo o que é e de tudo o que será.

Pai e Mãe de todos nós,

Amoroso Deus, em quem está o céu:


Que teu nome ecoe no universo!

Que o caminho de tua justiça seja seguido pelos povos do mundo!

Que tua vontade celestial seja feita por todas as criaturas!

Que teu domínio de paz e liberdade sustenha nossa esperança e venha à terra.


Com o pão que precisamos hoje, alimenta-nos.

Nas mágoas que absorvemos uns dos outros, perdoa-nos.

Em tempos de tentação e aflição, fortalece-nos.

De provações muito difíceis, poupa-nos.

Da força de tudo que é mal, livra-nos.


Pois reinas na glória do poder que é o amor, agora e para sempre.


Amém.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Deus... a mais bela metáfora

É quase inevitável. A maioria das pessoas fora de meu universo religioso unitarista pensam que sou ateu (não que isso seja problema para mim). E isso é compreensível, já que a maioria das pessoas pensam haver uma única forma cristã de se pensar a respeito do “sagrado”, e meu discurso não corresponde a esse padrão esperado pela maioria. Por outro lado, para pessoas não religiosas ou que abraçam um pensamento onde não há espaço para um “sagrado”, posso soar como um teísta, independentemente de eu não ser adepto de um teísmo sobrenaturalista.


Devo reconhecer que “Deus” nunca é tema específico de meus textos ou de meus discursos públicos. E por muitas razões. Uma dessas razões é o fato de eu ser um ministro unitarista e, como tal, evitar (?) definir “Deus” para que, assim, o termo (que vejo como metafórico) possa servir de encarnação para diferentes visões acerca do “sagrado”. Se eu falasse acerca de Deus, definindo dogmaticamente o termo, estaria excluindo pessoas que compreendem “Deus” duma maneira diferente da minha. Uma segunda razão para evitar (?) falar especificamente a respeito de Deus é a forma como interpreto minha fé, o mundo ao meu redor (e do qual sou parte) e a relação entre minha fé e o mundo.


É bom esclarecer que quando uso o termo “” aqui, me refiro à experiência religiosa – e não a crenças doutrinárias. A experiência religiosa, em minha concepção, é o processo de abraçar o mistério que nos cerca e envolve. É o processo de reconhecer que há algo “sagrado” (outro termo que prefiro deixar aberto a interpretações) nesta vida que vivemos – que há um Mais neste universo imperfeito, incompleto e acidental que nos leva a querer aperfeiçoá-lo (o universo) com nossas próprias criações (científicas, artísticas etc).


Esse “sagrado” reconhecido por nossas experiências religiosas (o fenômeno religioso ou a religião, se preferir) e explicado das maneiras mais diversas possíveis, e chamado de “Deus” pela maioria de nós, é o que chamo de “essência da experiência humana”.


Deus, em minha visão, não é uma pessoa; não é um criador ou um senhor; não é um pai ou um rei celestial que deva ser honrado. Deus é uma metáfora – a mais bela metáfora criada pela experiência humana. Como metáfora, não vejo nenhum problema em nos referirmos a essa Realidade como se fora uma pessoa, atribuindo-lhe características humanas – como amor, cuidado, paternidade, etc. Mas, para mim, tudo isso é apenas parte da bela metáfora criada por nossa experiência.


Deus é um caminho “sagrado” de vida que nos faz mergulhar no interior de nós mesmos para que possamos descobrir o que é ser humano.


Em minha opinião, a humanidade criou a noção de “Deus” não apenas porque precisasse explicar a razão de ser das coisas numa era não-científica (isso também), mas porque precisava de um modelo ideal para o que os seres humanos poderiam ser (amorosos, misericordiosos, hospitaleiros etc), mesmo que com certos traços das distorções humanas (intolerância, violência, autoritarismo etc).


Tudo o que sei a respeito do universo do qual sou parte exclui a perspectiva de um Ser que tenha criado tudo isso com propósito e plano definidos. Aparentemente, somos resultados acidentais de uma desordem cósmica – se você se interessa por física e cosmologia contemporâneas, saberá do que estou falando. Isso, entretanto, de maneira alguma diminui nossa importância e a importância da Metáfora que construímos para dar um sentido ao todo.


O fato de eu não acreditar que esteja aqui por determinação de uma deidade suprema, de não acreditar que haja um Ser controlando nossos destinos, faz com que meu sentimento de reverência pelo desconhecido e meu senso de responsabilidade para com o mundo aumentem ainda mais.


Deus pode não ser mais aquilo no que se acreditava antes de nossas descobertas científicas (que demoliram antigas concepções acerca do nosso universo, tornando, assim, antigas crenças religiosas insustentáveis, mas que também futuramente demolirão muitas crenças científicas que abraçamos agora), mas ainda há espaço para o “mistério”. Alguém, por exemplo, consegue explicar o que é a vida, afinal de contas? Alguém consegue explicar para onde vai a matéria engolida por buracos negros no espaço?... Ainda há espaço para o mistério!


Deus é, no fim de tudo, uma Realidade dentro da qual existimos e somos (Atos 17:28); é a própria Força de Vida que causa explosões estelares e as subsequentes criações que resultarão dessas explosões; é o processo de evolução da vida que tem estado presente há bilhões de anos neste planeta.


Deus é uma Metáfora para o mistério da vida que ainda não desvendamos, e que, certamente, continuará a nos inquietar por muito tempo – talvez, quem sabe, pelo resto da existência dos seres humanos. Prefiro que continue assim, um tremendo mistério que envolva-nos e que nos lembre que não podemos conhecer tudo e ter todas as respostas.




Rev. Gibson da Costa, D.D. - Ministro da Congregação Unitarista de Pernambuco

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Revelação?

Frederic Henry Hedge


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O propósito da revelação não é decidir questões especulativas, dependendo de boas interpretações de palavras, mas incutir um novo espírito nas coisas humanas, ilustrar grandes princípios de importância prática com novas sanções. Os princípios são eternos; os dogmas nos quais se encarnam são limitados e temporários.”

Frederic Henry Hedge (1805-1890), “Razão na Religião” (1865), p. 408 – ministro unitarista

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Religião e ciência


Rev. Ralph Waldo Emerson


A religião que teme a ciência desonra a Deus e comete suicídio. Ela reconhece que não é igual à verdade plena, que legisla e tiraniza sobre uma vila do império de Deus, mas não é a lei imutável universal. Todo influxo de ateísmo, de ceticismo, torna-se, assim, útil como uma pílula de mercúrio a atacar e remover uma religião morta, e a abrir caminho para a verdade.”


Rev. Ralph Waldo Emersonministro unitarista do século XIX, teólogo, poeta, filósofo, pensador

A igreja na concepção unitarista

"A nossa igreja é uma igreja da razão – não porque a mente seja livre de erros, mas porque o diálogo de mente com mente, e da mente consigo mesma, refina o pensamento religioso.


A nossa igreja é uma igreja de obra moral – não porque pensemos que a moralidade seja uma religião suficiente, mas porque não conhecemos uma melhor maneira de mostrar nossa gratidão a Deus, e nossa confiança uns nos outros.


A nossa igreja é uma igreja de consciência – não porque acreditemos que a consciência seja infalível, mas porque ela é o local de encontro entre Deus e o espírito humano.


A nossa igreja é uma igreja adogmática – não porque não tenhamos crenças, mas porque não seremos restringidos em nossas crenças."


Rev. Wallace W. Robbins - ministro unitarista, falecido em 1988

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Compromisso Cristão Brasileiro

“Ó homem, já foi explicado o que é bom e o que o Senhor exige de você: praticar a justiça, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus.” (Miqueias 6:8)


Nós, cristãos livres brasileiros, declaramos nossa intenção de fortalecer nossos laços e dar uma voz comum ao nosso movimento. Para tanto, assumimos o compromisso de nos guiarmos pelos seguintes princípios:

• Encontramos nos ensinamentos atribuídos a Jesus e nos relatos a respeito de sua vida nossa porta para o caminho que nos leva a Deus, sem, contudo, deixar de reconhecer que outras pessoas podem encontrar seu caminho para Deus por meio de outras portas e que, para elas, seu caminho é tão verdadeiro quanto o nosso é para nós;

• Reconhecemos e afirmamos a dignidade e o valor de TODOS os indivíduos, convidando todas as pessoas a fazerem parte de nossa comunidade sem insistir que se tornem como nós para que sejam aceitas;

• A busca por compreensão através do questionamento é, para nós, mais valiosa e graciosa do que a certeza dogmática e, por esta razão, encontramos nossos laços de união no espírito das Boas Novas de Jesus e não em afirmações ou definições dogmáticas;

• Reconhecemos que a maneira como nos tratamos e a maneira como tratamos outras pessoas e a criação como um todo é a expressão mais plena do que acreditamos;

• Comprometemo-nos a trabalhar pela justiça e paz entre todas as pessoas, protegendo e restaurando a integridade de toda a criação de Deus, e levando eperança àqueles que Jesus chamou de os “menores” de suas irmãs e irmãos;

• Reconhecemos que seguir Jesus exige amor altruísta, resistência consciente ao mal, e renúncia de privilégios.


Este texto foi originalmente redigido e assinado em 1° de julho de 2009, em Recife, PE, por ministros e membros de diferentes grupos cristãos. O movimento que se estruturou a partir de então e com a liderança dos ministros da Congregação Unitarista de Pernambuco passou a se chamar de "Cristãos Livres Brasileiros". Originalmente publicado aqui em http://cristianismoprogressista.blogspot.com/2009/07/compromisso-cristao-brasileiro.html

Princípios Religiosos da Associação Unitarista Brasileira

1. A presença divina se faz conhecer de incontáveis maneiras. O Unitarismo promove uma busca livre e responsável por verdade, sentido, comunhão, e amor.


2. A razão é um dom divino. O Unitarismo abraça a razão e sua progênie, incluindo a aventura científica que investiga o universo.


3. A liberdade é um dom divino. O Unitarismo auxilia no esforço de se encontrar uma forma de exercitar esse dom de maneira responsável, construtiva, e ética.


4. Conscientes da complexidade da criação, dos limites da compreensão humana e da capacidade humana para o mal em nome da religião, declaramos que a liberdade de consciência, o uso da razão, a tolerância religiosa, e a paz devam ser uma parte central de qualquer experiência religiosa.


5. A experiência religiosa é mais satisfatória no contexto de uma tradição. Nossa tradição religiosa é a tradição Unitarista, que enfatiza a importância da razão na religião, a tolerância, a unidade da experiência humana, e a unicidade de Deus.


6. A revelação é contínua. A religião deve buscar inspiração não apenas em sua própria tradição, mas em outras tradições religiosas, na filosofia e nas artes. Apesar de dar o devido valor às lições aprendidas no passado e à importância da tradição religiosa, a religião não deve ficar estagnada, mas deve empregar a razão e a experiência religiosa para evoluir de uma maneira construtiva, iluminada e satisfatória.


7. Conscientes das necessidades espirituais e materiais de outros homens e mulheres, do mal ao qual possam estar sujeitos e das tragédias que possam estar sofrendo, obras de misericórdia e compaixão devem ser parte de qualquer experiência religiosa.


8. O Unitarismo afirma o valor e a dignidade inerentes a todos os seres humanos. Por isso, esforçamo-nos para que usemos de eqüidade, justiça, e compaixão em nossas relações, mantendo nossas mentes, mãos e corações abertos para receber a todos.


9. Nossa crença no valor e na dignidade inerentes de todos os seres humanos leva-nos a entender a violência, as guerras, a exploração, o racismo, o machismo, a xenofobia, e a homofobia, em todas as suas formas, como incompatíveis com nossa tradição unitarista.


10. A vida da humanidade está entrelaçada com a vida deste planeta, da mesma forma que está seu futuro. Por essa razão, o Unitarismo afirma nossa responsabilidade em cuidar do bem-estar de nosso meio-ambiente natural, e zelar para que os recursos naturais presentes neste planeta, assim como a vida de outros animais e vegetais, possam perdurar em segurança enquanto existirmos.



(Associação Unitarista Brasileira)