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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sair do Armário - uma resposta à provocação de um amigo desconhecido


Caro Amigo,

Sou gay. Isso é algo sabido por todos, mas que preciso reafirmar aqui. E a razão para isso é simplesmente por questão de integridade pessoal. Quero que fique muito claro a partir de que lugar falo.

Eu sou muito mais do que apenas minha orientação emociono-sexual. Sou um ser humano pleno, e minha emociono-sexualidade é apenas um aspecto de minha humanidade. Como um ser humano, é importante ter esse meu lado apreciado por outras pessoas de minha comunidade, da mesma maneira que ter todos os outros meus lados apreciados é importante. Quando digo “apreciado”, quero, em verdade, dizer “respeitado, reconhecido, afirmado, personalizado”. Não necessito que outras pessoas “aceitem” minha orientação emociono-sexual como algo belo e magnífico, quero apenas que aceitem o fato de essa orientação ser uma parte de minha identidade, da mesma forma que sua orientação emociono-sexual é parte de sua própria identidade.

Vejo o “sair do armário”, assim, como um rito de passagem para o ser um humano mais pleno, e sou feliz por ser parte de uma tradição religiosa que honra o “sair do armário” como um ritual sacramental. No Unitarismo, todos nós “saímos do armário” - heterossexuais, homossexuais, bissexuais ou transsexuais. Todos somos livres para, se quisermos, declarar à nossa comunidade o que descobrimos ser nossa orientação ou identidade sexual, já que a vemos como um dom divino.

“Sair do armário”, para alguns no “mundo lá fora”, parece ser sair à rua com uma bandeira colorida na mão, ao som de música eletrônica, circundado de personagens caricatos. Ou, talvez, seja essencialmente uma questão política. “Sair do armário” para um unitarista é ter a oportunidade de estar diante de sua comunidade e poder dizer “é este ou esta que eu sou e peço a vocês que me abençoem e fiquem do meu lado”. Em uma comunidade unitarista, um jovem gay, por exemplo, pode conhecer um outro jovem e pode contar com o cuidado, apreciação e apoio que qualquer outro jovem teria. Ele não precisa se esconder, como se estivesse fazendo algo errado e inaceitável, algo horrendo e maldito. Não. E é exatamente por isso que ele, assim como um jovem heterossexual também, tem a oportunidade de “sair do armário”, se quiser.

"Sair do armário" em minha visão política, religiosa, ideológica, não é forçar a minha verdade a outras pessoas. É simplesmente poder ser quem eu sou, e não ser discriminado legalmente nem agredido por isso. Não é ter direitos especiais, mas simplesmente ter os mesmos direitos, e estar sob as mesmas obrigações, que todas as outras pessoas têm e estão.


É bom que eu diga aqui que me oponho à criminalização de ideias homofóbicas. Apoio, sim, a criminalização da violência contra toda e qualquer pessoa - incluindo gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais e heterossexuais -, mas, para isso, não precisamos duma nova lei, já que a Constituição Federal afirma que todos são iguais perante a Lei. Acredito na liberdade de expressão e opinião. Acredito que as comunidades religiosas possam, sim, discriminar entre aqueles que delas queiram ser parte. Elas podem decidir que determinados comportamentos ou perfis não sejam condizentes com suas ideias. Logo, discordo de sua perspectiva a respeito do que deveria ser feito legalmente para punir a discriminação.

Creio que devamos sair, todos nós, de “nossos armários”. Nossos “armários” de medo. Nossos “armários” de dor. Nossos “armários” de receio. Nossos “armários” de solidão. Saiamos de nossos “casulos” de separação e nos afirmemos como membros de uma única família: a família humana – aquela família unida pelas mais diversas cores, línguas, nacionalidades, culturas, crenças, orientações emocionais e sexuais, idades, rendas financeiras, etc. Essas diferenças não deveriam nos separar, mas sim nos fortalecer. Elas são um dom divino.

Bençãos, e tudo de bom!

Rev. Gibson da Costa
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