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sábado, 9 de abril de 2016

Esta manhã, bebi água de coco com Deus


Mais uma vez, me perguntam se creio em Deus. Mais uma vez, lhes digo que não sei o que querem dizer. O que significa dizer “Creio em Deus”? Quando alguém diz que crê em Deus, não me diz nada sobre a Realidade Divina, me diz apenas sobre si próprio(a). Ele(a) me diz sobre o que faz, e não sobre a Realidade na qual “crê”.

Ultimamente têm me perguntado em que “Deus” creio: se meu “Deus” era o mesmo da Bíblia; se o meu “Deus” era o mesmo de Joseph Smith; se o meu “Deus” era o mesmo do Corão; ou se era ateu. A verdade é que alguns leitores parecem ter uma obsessão com minha “falta de claridade em definir” minha crença. E eu que sempre imaginei que o que escrevo aqui e que a forma como discuto minha fé – aqui, no púlpito ou em outros espaços – fossem suficientemente claros ou, pelo menos, sugestivos de minha visão teológica (e teontológica)!

Como já escrevi inúmeras vezes, a forma como encaramos questões sobre aquilo que chamo de “aspecto misterioso” da realidade é condicionada pela forma como compreendemos o resto da realidade. Se alguém se preocupa tanto em querer uma definição objetiva sobre quem ou o quê seja o Divino, ao menos em minha visão, é porque tem uma compreensão de “verdade” diferente daquela que abraço.

Para que eu fosse capaz de definir Deus nos termos utilizados por alguns daqueles que me fazem aquele tipo de pergunta, teria de compreender a Divindade como uma entidade objetiva, mensurável, antropomorfa. Essa, entretanto, não é a forma como compreendo “Deus”; é a forma como compreendo você e eu, mas não a Divindade. Logo, aquela pergunta não faz sentido pleno para mim.

Mas se querem tanto saber quem é Deus, para mim, posso lhes garantir que somos relativamente próximos. Na verdade, nos sentamos esta manhã à bancada dum quiosque no calçadão da praia e tomamos uma água de coco gelada, enquanto falávamos sobre sua vida. Como ele estava cansado, ofereci-me para acompanhá-lo até seu edifício, dois quarteirões dali. Ele está, afinal, com quase oitenta anos!... Naquele momento, Deus era, para mim, um homem idoso que me contou suas memórias sobre a exploração imobiliária em seu bairro, e sobre como sua vida estava após a morte de sua esposa (com quem fora casado por cinquenta anos). Conversar com aquele homem foi sentir Aquela Presença que chamo de Deus.

Essa é uma das formas como compreendo “Deus”. Minha fé exige que eu enxergue o Divino em outras pessoas, e que aja para com elas como se elas fossem o “próprio Deus” – algo que parece bem mais difícil do que “acreditar” numa ideia específica do que ou quem seja Deus.

Como a metáfora bíblica do homem ter sido criado “à imagem e semelhança” de Deus é essencial para minha compreensão teológica, amar o ser humano é amar a Deus, e ser violento para com o ser humano é negar o próprio Divino. Assim, para mim, nossa fé em Deus define-se, na verdade, através da forma como nos relacionamos com “sua imagem e semelhança” entre nós: o que inclui as outras pessoas e nós mesmos, além do resto da Criação.

Há variadas formas de compreender o Divino, e todas elas podem ser úteis em diferentes contextos. Mas, na maioria das vezes, Divindade, Presença e Realidade são minhas metáforas favoritas para falar acerca de [daquela outra metáfora] “Deus”.

+Gibson

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Teologia do Processo 2

Um Deus de Processo
Iniciamos com uma experiência de pensamento: Quando você pensa em Deus, que imagens vêm à sua mente?

Como imaginamos Deus é importante. Se Deus é a realidade última, então a meta da vida espiritual é se tornar como o Deus que você adora. Como vemos Deus molda a maneira como pensamos a respeito do poder, saúde e doença, da natureza da verdade, e dos amigos e inimigos.

Falar a respeito de Deus é sempre um desafio. O teólogo Karl Barth certa vez falou da reflexão teológica a respeito de Deus como sendo semelhante a pintar um pássaro voando. Outra imagem de nosso conhecimento de Deus fala a respeito de deficientes visuais e elefantes. Cada pessoa pensa que a parte do elefante que ela toca é a verdadeira natureza do elefante. Essa imagem ajuda em termos de nosso conhecimento de Deus, exceto pelo fato de que um elefante vivo – e também um Deus vivo – está constantemente em movimento. Temos que correr em velocidade máxima para mantermos contato com o elefante. Nenhuma descrição pode limitar um elefante vivo, ou um Deus vivo.

Teólogos e guias espirituais descrevem Deus em termos da polaridade apofática e catafática, ou seja, por um lado, nenhuma linguagem pode descrever Deus (Deus está além da linguagem e transcende nossa experiência) e, por outro lado, tudo aponta para Deus (todas as palavras e experiências revelam algo sagrado).

O Pensamento do Processo descreve Deus em termos de relação dinâmica. Deus é o ser relacional último – Deus molda toda experiência, possibilitando a cada experiência do momento uma riqueza de possibilidades, levando cada momento à plenitude e beleza. Deus também recebe cada experiência e é moldado pelo universo evolutivo.

Tradicionalmente, as palavras onipresença, onisciência, e onipotência têm sido usadas para descrever a relação de Deus com o mundo. Apesar de esses termos virem da influência da tradição filosófica grega e não das tradições bíblicas, elas expressam a insuperabilidade, soberania, e imparidade de Deus. A Teologia do Processo oferece novas maneiras de descrever a experiência e poder divinos de formas a preservar os discernimentos mais profundos da tradição teológica cristã. A Teologia do Processo convida os cristãos a explorarem o significado de palavras como “eterno” e “imutável” a partir de novas perspectivas.

Onisciência tem a ver com a experiência que Deus tem do mundo. A Teologia do Processo leva a onisciência à sério. Deus verdadeiramente experiencia o mundo. Experienciar é ser moldado pelo que experienciamos. Sendo onisciente, Deus é moldado por todas as coisas. Tudo realmente faz uma diferença para Deus. Por exemplo, quando rezamos, nossas orações fazem uma diferença para Deus e traz algo “novo” à experiência de Deus. Deus tece nossas orações com os eventos do mundo para trazer as melhores possibilidades. Sem nossas orações e bons pensamentos, Deus não pode ser plenamente ativo em nosso mundo. Não locais em natureza, nossas orações criam um campo de ressonância, um ambiente positivo em torno daqueles por quem oramos, que abre a porta para maiores revelações da presença e poder de Deus.

Falando a respeito do conhecimento divino, o conhecimento de Deus não cria o futuro, e Deus não conhece o futuro de antemão. Deus conhece todas as possibilidades como possíveis, e todas as realidades como reais. O conhecimento de Deus é eterno – tudo que fazemos é entesourado por Deus. Nós realmente podemos fazer algo belo por Deus.

A experiência que Deus tem do mundo está constantemente mudando e crescendo. Nossas vidas são nossos presentes para Deus. Um aspecto da ética envolve o que contribuímos para a experiência que Deus tem do mundo. Enquanto o Pensamento do Processo afirma que a experiência de Deus está sempre mudando, o Pensamento do Processo também afirma que há certos constantes na natureza divina: o amor, meta de beleza, e inteireza da experiência de Deus são imutáveis.

Freqüentemente os teólogos têm glorificado a imutabilidade e eternidade como os maiores valores religiosos. Diferentemente, a Teologia do Processo afirma que um Deus mutante, que pode ser ocasionalmente “surpreendido” pelo mundo é um Deus realmente vivente, que inicia novas possibilidades para moldar um mundo mutante.

Deus experiencia tanto a dor quanto a alegria do universo. Nossa dor realmente importa para Deus, nossas orações moldam a experiência divina. Como diz Whitehead, Deus é “o co-sofredor que entende”.

Onipresença (presente em todo lugar) sugere que onde quer que estejamos, Deus está presente. Esta é a sabedoria do Salmo 139: “Se subo ao céu, tu aí estás; se me deito no abismo, aí te encontro”. Deus está presente como a influência primária em cada momento, vida, e no processo evolutivo. A consciência de Deus é universal – experienciamos Deus em termos do ideal de Deus para o momento e da experiência que Deus tem do universo, mesmo quando não estamos cientes de Deus. As práticas espirituais têm a intenção de trazer à consciência o que está sempre presente, apesar de constantemente variável, em nossa experiência – o Deus Vivente “no qual todas as coisas vivem, movem e têm sua existência”.

A natureza da presença divina leva à questão do poder de Deus, tipicamente entendido em termos de onipotência. Existir é fazer uma diferença. A questão é: que diferença faz Deus em nossas vidas e no mundo? Freqüentemente as palavras “a vontade de Deus” são usadas para descrever o poder de Deus no mundo. De acordo com alguns teólogos, o poder de Deus é todo-determinante: seja pela ação divina ou pela permissão divina, Deus leva a cabo todas as coisas. Deus é, assim, a fonte de todo bem e de todo mal. Outros, como Rick Warren, afirmam que Deus planeja todos os detalhes de nossas vidas “sem nosso 'input' ”.

Diferentemente, o Pensamento do Processo vê o poder divino como relacional em vez de coercivo. Deus trabalha dentro da ecologia da vida para trazer à tona as melhores possibilidades. Como um(a) bom/boa “pai”/”mãe”, Deus promove a liberdade e criatividade em sua criação.

Bons pais dão espaço para o crescimento: da mesma forma, o poder de Deus abre espaço para a liberdade humana.

Deus não determina todas as coisas. Deus trabalha gentilmente no processo evolutivo para realizar criaturas mais complexas, capazes de experienciar maiores e mais intensas formas de experiência e beleza. A causa em um universo do Processo nunca é unilateral, mas multi-fatorial e relacional. Deus é um dos fatores, não o único fator, em cada momento de experiência. O poder de Deus é aquele do ideal, do companheirismo amoroso, e não de determinismo soberano. Nosso 'input' realmente importa para Deus. Ao nos aliarmos com a visão de Deus para nossas vidas, abrimos novas possibilidades para a ação divina. Ao nos afastarmos de Deus, limitamos o que Deus pode fazer em nossas vidas. O futuro é aberto, mas Deus também estará presente em cada momento futuro, buscando as possibilidades mais elevadas para cada e toda criatura.

Para resumir, a Teologia do Processo faz as seguintes afirmações a respeito de Deus:

· Deus está presente amorosamente em cada momento da vida.
· Deus busca a beleza, complexidade e inteireza em cada momento da vida.
· Deus realmente experiencia o mundo: a experiência de Deus é moldada pelo mundo.
· O poder divino é relacional, e não coercivo.
· Cada momento surge de muitos fatores, o mais significante dos quais é a presença de Deus naquele momento.

QUESTÕES PARA ESTUDO PESSOAL:

1) Como você entende o poder de Deus em sua vida e no mundo?

2) Como você entende o poder da oração? Suas orações fazem alguma diferença para Deus?

3) Como você entende as causas das doenças e das tragédias? Que Deus desempenha na saúde e na doença?

4) Como você responde à afirmação de Whitehead de que Deus é “o co-sofredor que entende”?

5) Onde você experiencia a presença de Deus em sua vida? Onde você experiencia a possibilidade divina?

Teologia do Processo 1

O que é a Teologia do Processo?

Cada um de nós vê o mundo por meio de certas lentes teológicas, espirituais, e experienciais. Essas lentes moldam o que vemos e como interpretamos os eventos de nossas vidas. Essas lentes são tão íntimas que freqüentemente supomos que a realidade seja exatamente como a vemos. Nossas imagens da realidade – as lentes por meio das quais vemos a realidade – originam-se de muitos fatores: família de origem, química pessoal, lembranças inconscientes, nível de educação, contexto social e político, e tradição religiosa. Enquanto algumas lentes são sadias e afirmadoras da vida, outras diminuem nosso senso de valor, limitam nossas possibilidades, e nos alienam de Deus, da natureza, de nossos corpos, e de outras pessoas.

As tradições religiosas afirmam que nossas imagens da realidade podem – mais ou menos – se aproximar das realidades mais profundas da vida. Na verdade, uma tradição religiosa sadia nos oferece:
· Uma visão ou imagem da realidade
· Uma promessa de que podemos experienciar essa realidade
· Práticas que nos permitem experienciar as realidades que nossa tradição religiosa ou teologia descreve

Sendo assim, nossas visões de Deus e do mundo moldam nosso caráter e inspiram certas formas de comportamento.

A vida humana, de acordo com os ensinos da maioria das tradições religiosas, não é estática, mas mutável. As pessoas podem experienciar “conversões”, “despertares”, e “iluminações”. Podemos mudar nossas visões da realidade e, assim, mudar nossos valores, comportamentos, e percepções por meio de nossas crenças e práticas. Como afirma o apóstolo Paulo: “não se amoldem às estruturas deste mundo, mas transformem-se pela renovação da mente”... (Romanos 12:2). Doutrinas, rituais, apoio comunitário, e práticas de fé diárias moldam – e transformam – nossas imagens da realidade, e eventualmente nossas ações. Nós nos acreditamos em novos comportamentos, e agimos em novas crenças!

A Teologia do Processo afirma uma visão ímpar da fé cristã. A Teologia do Processo reflete uma interação criativa e dinâmica da escritura, da tradição cristã, da razão, da experiência, e o melhor pensamento cultural e científico de nosso tempo (Este é o quadrilátero Wesleyano tradicional, mais um fator, a cultura como uma quinta fonte de revelação divina e de ponderação religiosa). A Teologia do Processo nos convida a explorarmos a realidade em termos de relacionamentos vívidos e dinâmicos que se apliquem a toda experiência possível. De acordo com o pai da Teologia e Filosofia do Processo modernos, a filosofia especulativa, ou a metafísica, lembra o vôo de um avião: se inicia no solo com uma experiência concreta, se eleva às alturas da generalização, ganhando uma perspectiva da realidade, e então retorna ao solo da experiência concreta com novas interpretações do mundo.

A palavra “processo” descreve o cerne desta visão viva e inspiradora da realidade. Inicialmente articulada por pensadores como Alfred North Whitehead, Charles Hartshorne, Bernard Loomer, e mais tarde por teólogos como John Cobb, Schubert Ogden, e David Griffin, a Teologia do Processo faz as seguintes afirmações:

· O relacionamento é algo básico e essencial da realidade. Não somos seres atômicos isolados. Em vez disso, cada momento surge de sua experiência de seu ambiente. O ambiente, incluindo o mais recente passado pessoal da ocasião, no caso dos humanos, é a fonte material da qual cada ocasião “cria” sua experiência momentânea e sua dádiva para o futuro.

· A realidade é dinâmica – seres vivos estão num constante processo de transformação criativa. A experiência é dinâmica; o que é imutável é envolvido pelo mutável. Enquanto tanto a eternidade quanto o processo são reais, o processo envolve e torna concreto o eterno no mundo do tempo. Quanto maior a possibilidade de mudança e crescimento, mais evoluída a criatura – pessoas vivas são mais “vivas” que as pedras porque sua complexidade permite-lhes abraçar mais realidade com maior discernimento experiencial e sensibilidade.

· A experiência é universal, e não limitada à vida humana. A existência implica que haja experiencia, apesar de a existência não significar necessariamente consciência. Por exemplo, um feto experiencia sua mãe e uma célula experiencia seu ambiente – valoriza certas coisas e evita outras, apesar de ainda não ser auto-consciente. Por exemplo, não sabemos se experiências pré-natais moldam o futuro de uma criança. O Pensamento do Processo também nos diz que não-humanos, sejam golfinhos ou cigarras, também experienciam o mundo de maneiras singulares.

· Experiência e valores estão intimamente relacionados. Apesar de “a vida ser uma pilhagem” (Whitehead), nosso reconhecimento da realidade da experiência nos conclama à “reverência à vida” (Schweitzer). Apesar de pedras e árvores não possuírem centros de experiência, elas são compostas de elementos de sentimento. Elas são “sociedades de entidades reais” livremente unidas. Nós não estamos sozinhos no mundo, mas somos parte de um universo de experiência, variando desde as mais simples às mais divinas formas de experiência.

· A liberdade é real, mas condicionada. Existir é experienciar o mundo de uma perspectiva singular. Cada momento de experiência abraça seu ambiente, e molda aquela experiência de sua própria forma. Até mesmo os organismos mais simples têm um elemento de novidade, já que apesar da repetição de seu ambiente, somente eles experimentam o mundo neste lugar e tempo. A cada momento somos capazes de escolher novamente – moldando nossas respostas de novas maneiras. Nossas escolhas moldam os dados de nossa experiência de novas maneiras. Cada momento de experiência é uma síntese criativa do mundo do qual surge. Apesar de nossa liberdade como humanos estar sempre condicionada pelo passado, como corporificado por nosso próprio passado assim como pelo mundo do qual emergimos, nunca somos vítimas de nosso ambiente e de nossa história passada. De uma perspectiva cristã, podemos asseverar que em parceria com Deus, podemos experienciar transformação pessoal e social.

· Deus é o exemplo básico da natureza dinâmica, relacional, e criativa da vida. Deus não é uma exceção à natureza da realidade, mas o primeiro exemplo de interdependência, relação, e criatividade. O Deus vivo molda e é moldado por todas as coisas. Deus não está afastado, mas está presente em cada situação, provendo possibilidades criativas no contexto do universo emergente. O poder de Deus não é coercivo, mas relacional em sua natureza. Deus age dentro do mundo vivo, dinâmico, e relacional para trazer as possibilidades mais elevadas de liberdade e criatividade entre as criaturas. Deus é a fonte última do processo evolutivo.

QUESTÕES PARA SEU ESTUDO PESSOAL:

1) Como você entende a natureza da liberdade? Qual o papel do passado na formação do presente? De que formas transcendemos as experiências passadas?

2) Refletindo sobre sua compreensão da escritura: você reconhece qualquer tema do Pensamento do Processo no testemunho da escritura – relacionamento, mudança dinâmica, liberdade?

3) O que significa dizer que se tem um “relacionamento” com Deus? O que isso significa do ponto de vista de Deus? E do nosso ponto de vista? Você tem experienciado Deus em sua vida?

4) Você acha que não-humanos são capazes de experienciar o mundo? Que diferença faz se não-humanos também forem centros de experiência? Os não-humanos podem ter um relacionamento significativo com Deus?

5) O que significa sugerir que o universo influencie cada momento de sua experiência?

6) Se o relacionamento é algo básico, como isso molda nossas práticas religiosas?

7) Se o mundo é dinâmico e evolui, como isso molda nossa compreensão de verdade e doutrina?