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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Deus, Semântica e Ciência - resposta a uma provocação


Na última semana, recebi um e-mail de um leitor desconhecido que dizia o seguinte:

Meu caro, procurando saber um pouco sobre o "humanismo", achei seu blog e a grande lista de seus "interesses"; assim, não pude deixar de escrever pra dizer uma coisa séria, que certamente você já leu alguma vez: " 1 LEMBRA-TE também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento;
...7 E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.13 De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.14 Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau."
 (Livro de Eclesiastes, capítulo 12, versos 1, 7, 13, 14)
  Abraço,
que você possa ter um encontro pessoal com o nosso CRIADOR ETERNO.


Desde muito cedo em minha vida, compreendi que era fácil irritar intelectualmente outras pessoas apenas por minha escolha semântica, mesmo que muitas vezes não discordássemos em se tratando do tema que estivesse em discussão.

Minhas compreensões linguística, emociono-sensorial, filosófica, teológica, política, e científica do mundo foram sendo (propositalmente) articuladas duma forma que tornasse claro aos meus interlocutores que não poderiam me enquadrar num formato pré-determinado. [Culpa da minha herança Não-Conformista!] A principal marca disso tem sido meu uso semântico, ou, se preferir, ao sentido que dou aos termos que utilizo para dar voz aos meus sentimentos e pensamentos. Um exemplo mais imediato disse poderia ser a maneira como iniciei este parágrafo: por que escolhi aqueles termos e por que escolhi ordená-los da maneira como fiz naquela primeira sentença deste parágrafo? Isso, per se, já seria fonte de longas discussões entre alguns de meus colegas de ofício e eu.

A grande maioria das pessoas erroneamente me interpretam como um “relativista” (seja lá o que entendem por essa palavra!) – em grande parte, por eu fazer uso frequente do termo e de similares – e, assim, pensam que renuncio à noção de “verdade”, sejam aquelas afirmadas pelas mais variadas tradições teológicas judaico-cristã-islâmicas ou aquelas afirmadas pelas mais variadas tradições intelectuais seculares da Civilização Ocidental. [Novamente, minha escolha semântica aqui não foi inocente: ela dá voz a profundas crenças filosófico-políticas minhas!] Essas pessoas não compreendem o uso que faço da ideia de “relativismo”, assim como não compreendem minha compreensão de “verdade”. Por conta dessa incompreensão, muitas vezes tenho de oferecer uma resposta àqueles que me criticam aqui ou em outros meios, especialmente quando percebo claramente que o ponto de fricção entre nós baseia-se numa incompreensão semântica.

Entretanto, o caso agora é diferente. Não recebi uma mensagem “evangelizadora” de alguém que tenha se indignado com alguma afirmação teológica explícita de minha parte, ou que tenha sido motivado por uma incompreensão semântica qualquer. Não! A razão dada para seu mover foi a “grande lista de interesses” que meu interlocutor encontrou em meu perfil (em meu blog), e que reproduzo a seguir:

“Ministro unitarista, teólogo, liturgista, escritor, compositor, pacifista radical, professor, apaixonado defensor dos direitos civis, amante de música mundial e cinema independente, liberal-democrata, fã do sorvete Häagen-Dazs. Outros interesses: Filosofia da Religião, Educação Liberal, Artes Liberais (Trivium, Quadrivium), Astronomia, Evolução Cósmica, Cosmologia, Astrobiologia, Astrofísica, Grande História, World History, História das Religiões, História das Ciências, Teoria da História, História Sociocultural, História do Livro, Judaísmo Reformista, Talmud, Literatura, Linguística, Crítica Textual, Filosofia do Processo, Teologia do Processo, Complexidade, Linguística Computacional, Teoria dos Jogos, Software Livre, GNU/Linux.”


Como veem, não se inclui dentre meus interesses algo como ateísmo e anti-religionismo, ou coisas que chocariam a maioria dos seguidores das tradições jordânicas (leia-se: Judaísmo, Cristianismo, e Islã) como satanismo ou bruxaria. Não. O que afirmo ser meu interesse são aquelas coisas que são parte de minha herança espiritual, intelectual, cultural e política (e gastronômica?) – interesses até certo ponto moldados por minha crença numa Realidade (Deus) relacional, numa Realidade que revela-se no processo de indagação humana, numa Realidade que se faz presente na dúvida e no silêncio, numa Realidade que se move nas descobertas científicas (mesmo que essas aparentemente, e só aparentemente, levem a uma rejeição necessária dessa mesma Realidade).

O que esse meu interlocutor faz, na verdade, é apenas reforçar estereótipos associados a certos cristãos, especialmente aquele de anti-intelectualismo. E isso é uma vergonha! Isso só me diz que ele não entende a tradição bíblica, nem o Judaísmo ou o Cristianismo – se os entendesse, não se sentiria ameaçado pelo conhecimento humano, nem imaginaria que interessar-se pelo conhecimento científico seja renunciar a Deus!

Quanto a mim, certamente lembro-me de meu Criador – mas meu Criador não exige contentamento, meu Criador impulsiona-me à relação com o todo, mesmo com o conhecimento; é aprendendo mais que glorifico ao Eterno!

+Gibson
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