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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Deus e minha ética espiritual: divagações teológicas

Frequentemente sou interpretado erroneamente por meus leitores ou ouvintes no que tange à minha compreensão do Divino e da fé religiosa. Compreendo que muito dessa confusão se deva ao meu (proposital) hábito de brincar com as palavras, às quais atribuo uma elasticidade que nem todos estão dispostos a atribuir; mas, por outro lado, também acredito que deva-se à falta de disposição que alguns têm de se esforçarem para entender o que penso.

Deus, enquanto noção, é uma dessas palavras que compreendo como possuidora duma elasticidade que estou disposto a explorar o quanto posso. Como tenho repetido há alguns anos, “Deus”, em minha compreensão, é a mais bela metáfora já criada pela mente humana; uma metáfora tão real para a experiência humana que, infeliz e contraditoriamente, chegamos a nos matar para defendermos nossas interpretações particulares dela.

Deus – o Divino, a Realidade, a Providência, o Eterno etc – é uma realidade inquestionavelmente presente em minha experiência pessoal. Não que eu compreenda esta realidade como sendo um Ser – Deus, para mim, não é um Ser. Deus também não tem uma natureza pessoal, apesar de eu não ter problema nenhum em fazer uso duma linguagem metaforicamente pessoal para referir-me ao Divino. Compreendo essa realidade como se tratando mais dum Processo Transpessoal do que duma pessoa. Mas essa é apenas minha interpretação pessoal – bem, na verdade, não propriamente “minha interpretação”, mas a interpretação de muitos outros que adotei (com minhas próprias adaptações) como minha.

Que diferença faz minha visão para a forma como escolho viver minha fé? Muita. As ideias ortodoxas sobre a relação entre Divino e humanidade, que se espelham, por exemplo, nas leis religiosas que regem o comportamento dos fieis, não fazem muito sentido para mim – isto é, se forem usadas como bases únicas para nossas escolhas comportamentais. Prefiro enxergar minha relação com a Criação – e, consequentemente, com Deus (não que eu equalize Deus à Criação; o que creio é que a Criação esteja no interior de Deus = “panenteísmo”) – como regida por uma “ética espiritual”. Essa “ética espiritual” consiste nas lentes através das quais interpreto minha relações com os demais seres e com o Divino.

Escolho acreditar que a “ética espiritual” judaico-cristã-islâmica, ou “jordânica” para abreviar (uso essa nomeclatura [tradição jordânica], em vez de “abraâmica”, como reconhecimento de que essas três fés irmãs se desenvolveram a partir das ideias teológicas desenvolvidas na região banhada pelo Rio Jordão), baseia-se na “regra de ouro”: fazer ao outro aquilo que esperamos para nós mesmos, demonstrando “amor” ao próximo como a nós mesmos, e assim, demonstrando que amamos a Deus. Chamo essa minha compreensão de “sola caritas” – novamente, esta não é “minha compreensão” no sentido de eu ser o originador da mesma, ela está enraizada na tradição jordânica. Consequentemente, é a maneira como me relaciono com os demais (incluindo aí o todo da Criação) o que realmente importa. Apesar de eu crer em (a realidade de) Deus, julgo ser possível abraçar uma “ética espiritual” sem factualizar uma metáfora como Deus – no que eu não estaria distante de minha própria tradição unitarista.

Hoje, para evitar o teologuês, tenho preferido usar o termo COMPAIXÃO, em lugar da frase latina que resume minha compreensão teológica. Minha fé pode melhor ser resumida como compaixão. É essa a base de minha fé pessoal, o alvo que intento para minhas ações. Acredito ser esse o caminho apontado pelos profetas, por Jesus, e por aqueles que testificaram sobre seus ensinamentos.

+Gibson
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