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segunda-feira, 18 de junho de 2012

O que um grupo de jovens me ensinou sobre "salvação"

Como sempre ocorre, começamos nossa pequena reunião informal com uma canção e uma afirmação. Ele demonstrava mais confiança do que o usual: tocou em seu violão a melodia duma canção conhecida da banda Kid Abelha, que todos nós acompanhamos com nossas vozes; seu amigo, aparentemente destemido, rezou palavras extremamente maduras para alguém de sua idade. Foi o início de mais uma reunião dum grupo de jovens que coordeno, e no qual os participantes têm a oportunidade de discutir suas experiências pessoais e refletir sobre sua espiritualidade sem a formalidade usualmente esperado duma igreja ou algo semelhante.

Ele contou-nos que havia sido expulso de casa na semana passada. Dezoito anos, estudante universitário, o caçula de três filhos. Seu pai enfurecera-se ao descobrir que seu filho mais novo era gay. Ambos trocaram acusações. Ambos se ofenderam. Seu pai ofereceu-lhe a porta de saída como solução. Agora estava na casa de seu irmão mais velho que, apesar de não estar muito confortável com a ideia de ter um irmão caçula gay, não lhe fechara a porta.

Essa é a história de muitos daqueles jovens que conheço e com quem passo algumas horas todas as semanas. Jovens gays que buscam um tipo de meio social no qual possam explorar outras atividades além daquelas geralmente oferecidas ao nosso redor. Nossa aliança é que não temeremos uns aos outros, mas, em vez disso, construiremos pontes de confiança, amizades persistentes. Isso envolve conversas sobre qualquer coisa – família, amor, sexo, Deus, religião, espiritualidade, política, entretenimento etc; envolve diversões sadias, como o cinema, esportes, música, uma noite de sábado na pizzaria ou sorveteria, ou na praia de Boa Viagem com um violão – como fizemos naquele nosso último encontro; envolve companheirismo, amizade, honestidade.

Os demais membros do grupo ofereceram seu apoio àquele nosso amigo. A conversa, de lágrimas, transformou-se numa sessão de risadas e canções alegres. Alguém leu umas palavras de Machado de Assis, outro leu um trecho duma sutra budista, outro leu uns versículos do evangelho de Mateus. Talvez, por alguns instantes, nosso amigo tenha esquecido o que estava acontecendo em sua vida. As canções, as conversas, as latas de Coca-Cola e a areia da Praia de Boa Viagem ajudaram meus amigos a se sentirem bem-vindos e benquistos entre si. Aquele era um processo de “salvação” se revelando diante de meus olhos. Salvação como a entendo.

Ainda não sei ao certo como comecei a me envolver com grupos de jovens. Na verdade, esse envolvimento é parte de meu chamado ministerial, mas também é parte de meu trabalho como professor, como também é parte integrante de ser humano. Alguém poderia achar que me sinto muito satisfeito por fazer algo para ajudar jovens, mas, na verdade, o que acontece é que sinto-me imensamente grato por ser ajudado e ensinado por eles. Aqueles jovens, de sua própria forma, me ensinam coisas novas todas as vezes que os ouço. Gostaria que não precisássemos de um grupo “de apoio” para que eles tivessem uma experiência segura do mundo. Gostaria que tivessem um espaço onde pudessem crescer como pessoas de forma segura, entre seus amigos e família – onde não precisassem mentir, nem se esconder, nem temer. Gostaria que tivessem adultos que pudessem conversar com eles, sem que essas conversas terminassem em acusações. Isso seria bem melhor, especialmente se encontrassem isso em seus lares, suas igrejas, suas escolas, seus círculos de amizade. Isso seria “salvação”. Essa é a salvação que esses jovens se oferecem mutuamente todas as semanas, e sou eternamente grato por ser testemunha desse círculo de amizade que eles construíram. Sou muito grato por isso!

+Gibson
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