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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Deus seja louvado!


Enviaram-me, esta noite, mais um daqueles e-mails irritantes que enchem minha caixa de spam. Não o li por querer; acidentalmente, ao selecioná-lo para ser deletado, abri-o. Tratava-se duma convocação para assinar um apoio a uma suposta ação do Ministério Público Federal (divulgado pela imprensa hoje) que pede a retirada da frase “Deus seja louvado” das cédulas de Real. O e-mail afirmava que essa era uma ação necessária para garantir a laicidade do Estado brasileiro.

Ora, vamos! O Estado brasileiro é laico – e eu, como membro duma minoria religiosa não-católica, sei disso –, mas não é um Estado ateu! A própria Constituição Federal reconhece isso, quando, em seu Preâmbulo, os membros da Assembleia Nacional Constituinte invocam a proteção de Deus para promulgá-la!

A referência a Deus nas cédulas de Real são a mais inclusiva afirmação dum importante aspecto da história cultural dessa nação, o fundamento metafísico de nossa cultura nacional, que – para a cultura brasileira – é anterior ao Estado, anterior e superior às leis humanas.

Os supostos ateus que sempre me enviam mensagens sobre “lutar por um Estado laico” estão, até onde entendo, equivocados em sua interpretação tanto do Estado laico (que não é o mesmo que Estado ateu!), quanto da suposta violação de direitos pelo “Deus seja louvado” nas células de Real.

O “Deus seja louvado” é mais a afirmação duma identidade cultural, que a afirmação duma fé específica. Esses movimentos, que tentam imitar discussões ocorridas nos últimos anos nos Estado Unidos e partes da Europa, sobre temas semelhantes, deveriam encontrar coisas reais com as quais se preocupar! Eu, com todo respeito, sinto-me mais ofendido por sua estupidez!

+Gibson
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