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domingo, 22 de maio de 2011

A necessidade da ecclesia


Pois onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles.” (Mateus 18:20)

Há algo que não podemos esquecer quando pensamos no Cristianismo: não existe a possibilidade de ser cristão isoladamente. Como cristãos, precisamos dum grupo que nos ajude a ouvir a voz de Deus. Essa comunidade é a igreja.

Quando converso com pessoas que buscam uma forma de ser cristão que não inclua o dogmatismo, a intolerância, o conservadorismo social, e o exclusivismo e fundamentalismo teológicos característicos do cristianismo (especialmente protestante) praticado em nosso país, constantemente dizem-me que não precisam duma “igreja” para estarem em comunhão com Deus. Por conta de suas experiências desastrosas com a religião organizada, muitas dessas pessoas constroem uma forma de espiritualidade demasiadamente individualista e, inconscientemente, perdem um dos sensos mais importantes da tradição cristã: o senso de ecclesia.

A tradição cristã afirma que para estarmos em comunhão com Deus, devemos estar em comunhão com nossos irmãos e irmãs em Cristo – o que, para mim, inclui não apenas os demais cristãos, mas toda a família humana.

Apesar de pessoalmente não compreender a Divindade como uma Trindade, no sentido dado a este termo pela ortodoxia cristã, creio que esta palavra indica o quanto a noção de comunidade é cara para a tradição cristã: até mesmo Deus é uma comunidade.

É importante enfatizar que a igreja é um grupo de pessoas, e não prédios, doutrinas ou cerimônias. A igreja é aquele conjunto de pessoas que, em um tempo e lugar particulares, estão dispostas a servir de testemunhas do amor de Deus e dos ensinamentos e exemplos de Jesus. Negar-se a ser parte da igreja é abrir mão disso.

A igreja precisa ser fortalecida por novas vozes, já que ela é uma encarnação da ideia cristã de sociedade. Como igreja, nós cristãos temos a oportunidade de pôr em prática aqueles ensinamentos de Jesus que nos moldam como seus seguidores. E só podemos fazer isso em comunidade. A comodidade do isolacionismo é um “luxo” (?) não disponível à vida cristã.

Com isso, entretanto, não quero dizer que não possamos ser parte duma igreja não convencional. O que conta, em minha opinião, é a comunidade (a ecclesia). Minha igreja poderia ser uma visita a um orfanato, a uma residência de idosos, a um hospital. Minha oração e meus sacramentos poderiam ser (devem ser) o serviço ao meu próximo. Quando condeno o individualismo, refiro-me especialmente àquele isolacionismo intelectualóide que se conforma com sentar-se em casa e criar interpretações religiosas pseudo-espirituais, não pondo em prática a religião de Jesus. Isso, para mim, não é cristianismo – é qualquer coisa que queira chamar, não cristianismo.

Como um ministro cristão, obviamente vejo a comunidade da igreja – a comunidade de fé, a ecclesia – como necessária. O que rezamos, o que fazemos, o que aprendemos, o que criamos, o que ensinamos, em comunidade é parte de ser igreja. Estar distante disso, isolado dessa comunidade, é privar-se de ser moldado pelo espírito cristão. Confio na promessa atribuída a Jesus: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí no meio deles”. Certamente podemos interpretar de diferentes maneiras o que Jesus quis dizer com “estiverem reunidos em meu nome”, mas seja lá qual for o sentido que dermos à expressão, ela certamente se refere a uma comunidade de pessoas, e não a um indivíduo que voluntariamente escolha o isolamento.

+Gibson
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