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terça-feira, 15 de julho de 2014

Uma fé cristã não exclusivista: uma resposta a Mauro


Caro Mauro,


Agradeço por seus comentários, apesar de nossas diferenças de opinião. Deixe-me responder a algumas de suas provocações da forma “direta e crua”, como me pediu.


Partilho de seu respeito pela Bíblia. Como em seu caso, enxergo a Bíblia como Escritura Sagrada – na verdade, na maioria das vezes, é exatamente assim que me refiro à Bíblia, como “Escrituras” (como pode ver em vários de meus textos aqui) –, como textos canônicos para minha fé.


Diferentemente de você, contudo, não entendo as Escrituras como textos divinos em sua origem. A Bíblia, em minha visão, é um produto humano que emergiu da tentativa de antigas comunidades darem uma resposta à sua experiência com Deus. Ela, a Bíblia, possui um status e desempenha uma função sagrada em minha vida de fé, mas isso não quer dizer que a interprete literalmente, ou que por causa duma interpretação específica dela feche minha mente para outras coisas que sei sobre o Universo do qual sou parte.


Infelizmente, para você, dizer isso é sinônimo de “negar a fé”. Você, aparentemente, só não conseguiu conciliar essa afirmação com o que tinha dito no início de sua mensagem. Pois se não sou um “cristão verdadeiro”, então você não pode, coerentemente, me acusar de estar negando a fé, já que minha fé não seria a mesma da sua, de qualquer forma. Consegue ver a incoerência de sua afirmação?


Não me preocupo muito em discutir teologia dogmática stricto sensu. Isso não quer dizer que não me importe com isso em minha reflexão teológica, já que tudo se relaciona a ela em teologia. Só evito tratar muito disso aqui.


Sua acusação de que eu seja um “acadêmico” tentando desacreditar o Cristianismo é absurda, com todo respeito – ao menos, no sentido em que usou o termo “acadêmico”. Em primeiro lugar, não sou um acadêmico, sou um Ministro religioso; e mesmo meu ensino de Teologia se dá num seminário teológico, num ambiente não-laico. Em segundo lugar, se não percebeu, este espaço tem uma “missão” claramente religiosa, e não “acadêmica” – é só ler a descrição do mesmo.


Minha compreensão do Cristianismo é não exclusivista. O Cristianismo é minha fé, é minha jornada rumo a um encontro com o Divino e com a humanidade. Dizer isso, entretanto, é diferente de dizer que o Cristianismo seja o único caminho válido rumo a esse encontro com o Divino e com a humanidade. Deus, se o compreendesse em termos antropomórficos – o que não é o caso -, não é cristão. Jesus não era cristão. Os primeiros seguidores de Jesus não eram “cristãos”. A maior parte da humanidade não é, nem foi, cristã. Da forma como compreendo Deus, até mesmo o ateísmo pode ser um caminho para um encontro com a Divindade. Então, obviamente, não compartilho de sua visão exclusivista e excludente da fé cristã. O Cristianismo, para mim, é uma jornada de compaixão, de encontro com o Divino e com a humanidade. Nossas concepções particulares de “Deus” ou da “fé” não podem ser mais importantes que aquele “encontro” prometido pela tradição cristã. É esse “encontro” que chamo de “compaixão”.


E, para finalizar da forma mais “direta e crua” possível, devo enfatizar que as pessoas para quem mantenho estas páginas, ou seja, os destinatários deste blog, são pessoas que estão dispostas a questionar, a pensar; são pessoas que estão em busca de algo diferente do que encontram em outros lugares. Ninguém é obrigado a ler o que publico aqui. Se você se indigna tanto com o que escrevo, pode sempre visitar outros sites que exibam um pensamento mais de acordo com suas perspectivas. Seus recorrentes comentários, utilizando uma linguagem tão violenta e grosseira, tão pouco compassiva, não servem como um bom testemunho de sua suposta fé. Espero que possa refletir um pouco sobre isso.


Grande abraço, e bençãos!


+Gibson
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