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sexta-feira, 29 de março de 2013

O hip-hop tem algo a dizer nesta páscoa?… Pergunte a Macklemore o que ele pensa!


O amor é paciente, o amor é benigno; […] não procura seu próprio interesse, […] não se alegra com a injustiça […]." (1 Coríntios 13:4-8)

Nenhuma forma melhor de atravessar dias sagrados do que refletir sobre uma das coisas mais sagradas em minha vida… sim, a música… a música que acende a chama da esperança por liberdade, vida e iluminação… a música – minha Terra Prometida, meu Céu, minha Terra Pura.

Meu artista de hoje é um dos rappers que mais admiro, apesar de não muito conhecido no Brasil, o brilhante Macklemore (nome artístico de Ben Haggerty) – que costumo chamar de “lyrical bomb”, por seu brilhantismo e sofisticação poética. O álbum do qual vem a canção de hoje, chamado “The Heist”, de 2012 – produzido por Ryan Lewis – é uma obra-prima do hip-hop; e a canção, “Same Love”, uma das mais maturas e belas afirmações humanas e políticas dos últimos anos, enriquece, de forma inesperada, a história do hip-hop. Quem poderia esperar a defesa do casamento entre pessoas do mesmo sexo por um rapper?… Só Macklemore e Ryan Lewis conseguiriam criar tanta agitação!

O contexto da canção encontra-se no R-74 (Referendo 74) do Estado de Washington, nos EUA. A intenção do R-74 era aceitar ou rejeitar a lei estadual de fevereiro de 2012 que legalizava o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A canção de Macklemore, produzida por Ryan Lewis, e com a participação de Mary Lambert, oferecia uma justificação para o “sim”. O mesmo Macklemore, que já tratara de tantos temas polêmicos antes (exploração sexual, drogas, suicídio etc), adentrava agora um território muito sensível para a sensibilidade majoritariamente machista e preconceituosa do hip-hop. Uma declaração de amor ao hip-hop como instrumento de libertação e como voz de resistência ao preconceito. Uma declaração de respeito ao ser humano. Amo esta canção por inúmeras razões, especialmente pelo que ela representa à relevância da cultura de massa nos Estados Unidos. Mais um ponto para um cara que eu já ouvia há alguns anos!… Ah, sim… no referendo, o “sim” foi vencedor!

Mas, vamos ao que interessa:

SAME LOVE (O MESMO AMOR) – Macklemore (com Mary Lambert)

[Macklemore:]
Quando estava na terceira série
Pensei que era gay
Porque podia desenhar, meu tio era
E eu mantinha meu quarto arrumado
Contei à minha mãe,
Lágrimas escorrendo pelo meu rosto
Ela disse: “Ben, você gosta de garotas desde a pré-escola”
Um tropeção!, eu sei, acho que ela tinha razão, né?
Um monte de esteriótipos em minha cabeça
Lembro-me de pensar assim
“É, sou bom em esportes”
Uma ideia preconcebida do que significavam
As características que todos aqueles que gostam do mesmo sexo tinham
Os conservadores de direita pensam que é uma decisão
E que você pode ser curado com tratamento e religião
Humano, a religação duma predisposição
Brincando de Deus
Ah não, vamos lá
Os Estados Unidos, o valente
Ainda tem medo, do quê?, não sabemos
E “Deus ama a todos os Seus filhos”
De alguma forma é esquecido
Mas parafraseamos um livro escrito
Há 3.500 anos atrás
Não sei

[Mary Lambert:]
E eu não posso mudar
Mesmo que tentasse
Mesmo que eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo que eu tentasse
Mesmo que eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida… [4 x]

[Macklemore:]
Se eu fosse gay
Pensaria que o hip-hop me odeia
Você leu os comentários no YouTube recentemente?
“Cara, isso é gay!”
Ouvimos isso todo dia
Nos tornamos tão insensíveis ao que dizemos
Nossa cultura surgida como resistência à opressão
É, não os aceitamos
Chamando uns aos outros de “veado”
Por trás dos teclados duma placa de mensagens
Uma palavra envolta em ódio
Ainda assim, nosso gênero ignora isso
Gay é um sinônimo para o que há de mais baixo
É o mesmo ódio que causou guerras religiosas
De gênero e de cor da pele
A cor de teu pigmento
A mesma luta que levou pessoas a protestos
Direitos humanos para todos
Não há diferença
Viva e seja você mesmo!
Quando estava na igreja,
Me ensinaram algo diferente
Se você pregar ódio no púlpito
As palavras não serão ungidas
E a água benta
Na qual você se ensopa
É envenenada
Quando todos os outros
Estão mais confortáveis
Ficando calados
Em vez de lutarem pelos humanos
Que tiveram seus direitos roubados
Posso não ser mais o mesmo
Mas isso não importa
Nenhuma liberdade até que sejamos iguais
É isso aí, eu apoio
Não sei

[Mary Lambert:]
E eu não posso mudar
Mesmo que tentasse
Mesmo que eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo que eu tentasse
Mesmo que eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida… [4 x]

[Macklemore:]
Apertamos “Play”
Não aperte “Pause”
Progresso, adiante!
Com um véu sobre nossos olhos
Viramos as costas à causa
Até o dia
Em que meus tios possam ser unidos pela lei
Crianças correndo pelo corredor
Atormentados pela dor em seu coração
Um mundo tão cheio de ódio
Alguém preferiria morrer
Do que ser quem é
E uma certidão num papel
Não vai mudar isso
Mas é um ótimo lugar no qual começar
Nenhuma lei nos mudará
Nós é que temos de nos transformar
Seja qual for o deus em que você acredita
Viemos do mesmo
Liberte-se do medo
Lá no fundo é o mesmo amor
Já está na hora

[Mary Lambert:]
E eu não posso mudar
Mesmo que tentasse
Mesmo que eu quisesse
E eu não posso mudar
Mesmo que eu tentasse
Mesmo que eu quisesse
Meu amor, meu amor, meu amor
Ela me mantém aquecida… [4 x]

[Mary Lambert:]
O amor é paciente, o amor é benigno
O amor é paciente (sem choros aos domingos)
O amor é benigno (sem choros aos domingos) [5 x]


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