.

.
Clique na imagem acima para acessar nossa nova página no Facebook e interagir com outros leitores e comigo

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Uma opção para uma "ex-mórmon" nos EUA: uma resposta a Dayla


[Recebi por meio da caixa de contato uma mensagem de Dayla, uma brasileira residente nos EUA, que compartilhou comigo sua história de abandono da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – tradição frequentemente chamada de “mormonismo” – e o desafio para encontrar uma nova comunidade de fé. Aqui, tento oferecer uma resposta a algumas de suas colocações.]

Cara Dayla,

Sua experiência se repete nas vidas de inúmeras pessoas, não apenas daquelas saídas da tradição dos santos dos últimos dias, como também de outras tradições cristãs advindas do restauracionismo. Seu desconforto em outras comunidades cristãs – principalmente por lhe tratarem como uma “estranha” – são comuns às experiências de outras pessoas com as quais converso sobre o temo, e são plenamente compreensíveis.

Como compreendo a tradição SUD como sendo mais que apenas uma fé (é também uma cultura própria), para mim é perfeitamente normal que você se sinta desconfortável com a forma como outros cristãos compreendem sua fé, e a maneira como a vivem no mundo exterior à igreja. Especialmente porque você ainda acredita em pontos importantíssimos de sua herança de fé – no Livro de Mórmon, nas profecias atribuídas a Joseph Smith etc –, mesmo que discorde da forma como a Igreja na qual foi educada funcione e discorde de muitas de suas doutrinas.

Suponho que, já que me escreveu, saiba de meu trabalho com o grupo de apoio a “ex-mórmons” aqui. Assim, realmente posso imaginar pelo que você têm passado durante esse tempo. Algo que conta a seu favor é morar onde mora hoje, já que se ainda estivesse em Utah provavelmente sentiria uma dificuldade maior para lidar com seus amigos e conhecidos.

Meu primeiro conselho é simples: não tenha medo, você não está sozinha. Você encontrará – se ainda não o fez – muitas pessoas que atravessaram a dificuldade de romper laços sociais tão fortes em busca de novos rumos em sua vida eclesiástica. Com confiança, você conseguirá sobrepujar esses sentimentos sobre os quais fala. Tenho certeza disso, porque vejo isso se repetir com frequência. Você não está sozinha!

Você enumerou as três opções que encontrou: 1) lidar com suas dúvidas e retornar à Igreja SUD; 2) trair algumas de suas convicções e tentar ser aceita em outra igreja cristã; ou 3) continuar a sentir o que sente estando longe duma comunidade cristã. Essas realmente podem ser opções para você, mas não são as únicas. Você esqueceu que também poderia tentar encontrar outra comunidade na própria tradição restauracionista do movimento dos santos dos últimos dias! Não, não me refiro a encontrar outra ala ou estaca na Igreja SUD; me refiro a tentar encontrar outra denominação na tradição “mórmon”! A Comunidade de Cristo pode ser, talvez, uma opção para você.

Tendo morado em Utah por tanto tempo, você deve ter ao menos ouvido falar na Igreja Reorganizada de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias – a denominação, em 2001, mudou seu nome para “Comunidade de Cristo”. Muitas das convicções liberais que você abraçou ao longo do tempo são parte do que a Comunidade ensina em sua tradição. Ela é, na verdade, a única denominação do movimento dos santos dos últimos dias – não ligada à Salt Lake City – que além de se manter ligada à tradição “mórmon”, professa uma compreensão teológica muito próxima de outras igrejas protestantes liberais ou moderadas. A denominação, inclusive, mantém relações ecumênicas com outras igrejas cristãs membros do National Council of Churches, que você citou. Assim, nela, você encontra um pouco das duas perspectivas.

A Comunidade, que tem uma congregação onde você vive agora, apesar de haver mudado muito nas últimas décadas, ainda está enraizada na tradição restauracionista do movimento dos santos dos últimos dias; assim, o Livro de Mórmon ainda é visto, entre eles, como escritura; Joseph Smith é visto como profeta. Então, ao menos nesse aspecto, você não se sentiria uma “estranha”, encontraria elementos de sua identidade religiosa originária. Isso também pode, entretanto, trazer outros estranhamentos, já que você estaria muito próxima de recordações de sua antiga igreja, ao mesmo tempo em que experienciaria coisas novas. Mas, ainda penso que, em seu caso, é uma opção possível.

Se quiser, posso pedir que a pastora da congregação que existe aí em sua cidade entre em contato com você. Somos amigos e tenho certeza que ela ficaria muito feliz em tirar suas dúvidas e ajudá-la no que for possível, sem exercer nenhum tipo de pressão sobre você. Para tal, me envie um e-mail, e acertaremos como fazer isso.

Bem, Dayla, fique em paz. Agora que você chegou num lugar novo, poderá fazer novos amigos e se sentir mais livre para trilhar seu próprio caminho. Você não está sozinha, é só dar tempo para conhecer outras pessoas em seu novo lar. Mesmo que fisicamente longe, estou aqui para ajudá-la a encontrar outras pessoas por aí. Você estará em meus pensamentos e orações!

Grande abraço!
+Gibson
Postar um comentário