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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Politizando a fé ou cristianizando a política?

Este é mais um ano de eleições em nosso paraíso utópico. Mais um daqueles períodos que se repetem a cada dois anos, no qual teremos de escolher nossos supostos representantes políticos – que, neste ano de 2012, limitam-se à esfera municipal.

Este é um daqueles anos nos quais a face de “lobos” sociais – e sim, deem a essa expressão um sentido bem pejorativo! –, se revestirão duma áurea angelical, tentando fazer com que seus eleitores esqueçam-se da indiferença, incompetência, irrelevância, e mesmo traição, que caracterizaram seu tempo anterior na esfera pública (por eles “privatizada”!). Se isso não é verdade sobre todos aqueles que buscam reeleição, estou convencido de que seja verdade sobre a maioria deles.

Mesmo em muitas igrejas cristãs, esta se torna uma época na qual os sanguessugas do povo se escondem por trás duma máscara de devoção e fé, recitando com seus lábios corruptos e imorais os nomes de Deus, de Jesus, e versículos bíblicos, na imoral esperança de arrancarem os votos dos crédulos desesperançados. Isso me enoja e me enfurece!

Para um unitarista como eu, devoto defensor da absoluta separação entre Estado e Igreja, é vergonhoso que a fé cristã seja maliciosa e imoralmente “politizada”, ao mesmo tempo em que a política é também maliciosa, imoral e corruptamente “cristianizada”. Se é verdade que, individualmente (enquanto cidadãos), os cristãos levarão suas convicções teológicas consigo para a esfera de suas decisões políticas (o que é perfeitamente natural!), isso não significa rebaixar os valores e a linguagem do Evangelho ao discurso do jogo político no tabuleiro de xadrez dos atores do poder. E o mesmo vale na direção oposta: não se pode cuspir nos princípios constitucionais, impondo-se uma falsa interpretação da Liberdade e da Democracia apenas para agradar ao paladar religioso duma certa plateia. Considero isso imoral, além de uma traição dupla – uma desgraça ao espírito da cidadania (se é que isso existe no Brasil!) e um escárnio do espírito cristão (se é que isso existe na Igreja!).

Interessa-me, profundamente, a questão da politização da fé. O termo é problemático, já que a fé cristã per se é uma questão política, considerando-se que só se é cristão pleno em comunidade. Logo, argumentar contra a “politização” da fé cristã pode parecer uma grande contradição. Quando falo em “politização”, entretanto, utilizo esse termo com um sentido mais próximo daquele a ele dado em nossas conversas informais. Assim, politizar a fé seria transformá-la em instrumento para alcançar finalidades políticas (leia-se “politiqueiras”).

A história recente do cenário político brasileiro nos mostra aonde isso nos leva. Os “pastores” tais, os “irmãos” tais, que se aproveitam da incapacidade crítica de seus eleitores – e crítica não apenas no que tange à esfera civil, como também no que concerne à esfera teológica! – para conseguirem sequestrar seu voto, e deleitarem-se na imoralidade que tornou-se sinônimo da política nacional! Os corruptos pseudo-cristãos que formaram uma bancada imoral no Congresso Nacional, nas Assembleias Legislativas estaduais, e nas câmaras municipais Brasil afora para defenderem não as causas de seus eleitores, mas as causas de seus interesses pessoais por poder e fortuna. É a “política gospel” brasileira, e ela me enoja!!!

Não pensem, contudo, que apenas cristãos fundamentalistas e conservadores, ou evangélicos semianalfabetos se engajam – mesmo que indiretamente – nesse tipo de empresa herética por meio de seus votos e/ou ativismo. Nós, cristãos liberais e moderados, constantemente cometemos erros semelhantes – mesmo que nossas intenções pareçam mais nobres (direitos iguais para cidadãos LGBTs e para mulheres, proteção do meio ambiente, etc).

Lembro-me, por exemplo, das discussões que tivemos para decidir se nossa congregação – enquanto instituição – apoiaria uma tradicional passeata organizada por entidades que se apresentam como representantes da comunidade LGBT em nossa cidade. Por eu ser abertamente gay para nossa comunidade de fé, alguns entre nós pensaram que me poria em favor de nossa participação. Aparentemente, não compreendiam o fato de eu apoiar a clássica compreensão unitarista de separação dos cenários religioso e político.

No contexto desse exemplo da “Parada da Diversidade”, aquelas entidades não estavam lá para defender ou apoiar as mesmas coisas que nós, como comunidade de fé, defendemos e apoiamos. Sim, nós pregamos a igualdade de direitos para todos os cidadãos. Sim, nós pregamos a tolerância e a apreciação àqueles que diferem de nós. Sim, nossa comunidade tem há anos celebrado a presença e plena participação de indivíduos LGBTs entre nós – e eu, melhor que ninguém, posso testificar disso. Mas nós, enquanto comunidade cristã, assim o fazemos por compreendermos que nossa fé nos conclama a isso: Cristo nos chama a amar e receber a absolutamente todos – é assim que nós unitaristas e outros cristãos liberais interpretamos nossa fé cristã. O que motiva eventos como a tal Parada não é isso; sua bandeira política não se encaixa perfeitamente com a bandeira teológica desta comunidade de fé enquanto instituição.

O mesmo se aplica a questões como movimentos de trabalhadores rurais, movimentos feministas, e movimentos ambientais. Mesmo que cada um desses pareça defender causas nobres – que, em muito se assemelham a alguns de nossos princípios teológicos –, suas motivações residem em algumas visões e anseios políticos que contradizem a essência da teologia de nossa comunidade de fé (novamente, enquanto instituição, já que, individualmente, somos livres para defendermos as ideias que quisermos). Por essa razão, julgo como sábia a decisão desta congregação de não se envolver institucionalmente em atividades explicitamente políticas como essas, apesar de sempre incentivá-los a, individualmente, serem cidadãos politicamente ativos e se engajarem nas causas políticas nas quais acreditam.

Creio que a melhor coisa que esta igreja pode fazer para ajudar o Brasil é continuar a ensinar a mensagem cristã como a compreendemos. Enquanto instituição religiosa, essa é nossa missão e nosso dever. A mensagem do Evangelho, como a compreendemos, juntamente com toda instrução secular possível, ensinará nossos filhos a serem bons vizinhos, amantes da Liberdade e da Democracia, cidadãos honrados que defenderão os direitos constitucionais democráticos e que cumprirão suas obrigações civis de acordo com os ditames de sua consciência individual. Essa é a melhor contribuição política que podemos fazer a este país e ao mundo. Não precisamos politizar nosso cristianismo, nem cristianizar nossa política.

Como o próprio Jesus supostamente ensinou: “a César o que é de César, a Deus o que é de Deus” (Mateus 22:17-21).


+Gibson
(Congregação Unitarista de Pernambuco – 27 de julho de 2012.)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Um Manifesto de Esclarecimento


Tenho sido um ministro religioso há uma década. Como ministro ordenado de quatro diferentes denominações religiosas, meu orgulho tem sido o de poder afirmar que não faço de meu ministério sacerdotal uma carreira profissional. Sou um ministro não-estipendiário de minha paróquia – o que significa que não recebo pagamento pelos serviços sacerdotais que presto, e que, como todos os meus paroquianos, tenho de trabalhar para me sustentar. Apesar de minha excelente formação acadêmico-teológica, tenho de trabalhar fora da igreja para me sustentar – não aceitando um único centavo de minha comunidade de fé ou de nenhuma outra por nenhuma função ministerial, o que inclui, mas não se limita a: casamentos, rituais funerários, batismos, confirmações, ritos eucarísticos etc. Não exerço, nem tenho o interesse em exercer nenhuma função administrativa que me obrigue a lidar com fundos financeiros em nenhuma das três comunidades as quais presto meus serviços ministeriais/sacerdotais – nessas comunidades as funções administrativas são exercidas por um grupo distinto daqueles que exercem funções sacerdotais, logo, nunca tive de lidar com finanças em meu ministério (e, como afirmei antes, isso tem sido um motivo de orgulho para mim).

Imaginem minha surpresa, então, quando descobri hoje que CDs e apostilas de palestras minhas – palestras proferidas num contexto de meu ministério religioso – estavam sendo vendidos “por uma pequena oferta” de R$20,00!!! Nunca, em toda a história de minha vida sacerdotal/ministerial cobrei por palestras, cursos ou ofícios religiosos, e nunca vendi materiais relacionados a essas mesmas palestras, cursos ou ofícios religiosos. Os livros de temática religiosa que vendi e/ou vendo, no Brasil, foram/são feitos por meio de publicação on demand a preço de custo – e nunca lucrei com eles um único centavo, nem mesmo para cobrir as muitas horas dedicadas à sua composição! (E a razão para isso é a mesma que pauta minha missão sacerdotal/ministerial: sou ministro duma comunidade de fé, a qual ofereço-me voluntariamente!).

Minha infeliz descoberta deixou-me furioso e, acreditem, as devidas ações legais serão tomadas contra aqueles que se aproveitaram de minha boa-vontade! Novamente, eu, enquanto ministro religioso, não vendo nada, não cobro nada, não peço nem aceito contribuição de absolutamente ninguém. O que preciso e quero me chega por meio de meu esforço profissional – e não por meio da exploração da fé alheia. Igualmente, ninguém – absolutamente ninguém – está autorizado a cobrar nada em meu nome!

Atenciosamente,

Rev. Gibson da Costa
Ministro da Congregação Unitarista de Pernambuco/Igreja Cristã Livre de Recife/Church of the Disciples

sábado, 7 de julho de 2012

Deus falou comigo na Avenida Boa Viagem


Hoje cedo ouvi a voz de Deus:
Ela falou comigo na Avenida Boa Viagem.
Quando me viu,
me chamou de “gracinha”!
Coitada de Deus,
Ela parecia cansada,
mas sequer pensei em oferecê-la
água de coco!
Deus usava saltos altos,
e mini-saia colorida,
e acho que quando nasceu
chamaram-na de menino;
mas era muito bela,
duma maneira muito particular.
Me arrependo tanto de não lhe ter oferecido
um pouco de minha água de coco;
o que ela pensará de mim, agora,
quando rezar a ela
e pedi-la que me ouça?
Espero que sua graça feminina
possa fechar os olhos
para as grosserias e derrapagens
dum cara como eu.
Deus era tão grande,
fico pensando se ela tem problemas
para encontrar um emprego durante o dia
com aquela mini-saia!
Queria perguntá-la tanta coisa!
Espero que ela saiba que
sou um cara tímido quando
falo com alguém assim,
de surpresa!
Espero que ela esteja bem,
que ninguém a tenha maltratado esta noite!
Qualquer dia desses quero vê-la
novamente,
e, então, vou oferecê-la
um pouco de minha água de coco
e perguntá-la como foi sua noite de trabalho!
Será que Deus estará na Avenida Boa Viagem
novamente esta noite?

+Gibson

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Sim, tenho minhas heroínas!


Não gosto de declarar publicamente que tenho meus heróis. É, é verdade: como todo ser humano, sinto aquela contagiante excitação diante dos ditos e feitos de alguns daqueles que compartilham minha condição humana! Na verdade, coleciono heróis, que vão desde mestres espirituais e músicos àquelas pessoas que brilham realizando atividades corriqueiras que não estão publicadas em páginas de livros impressos ou comentadas nos noticiários da televisão. Sim, eu coleciono heróis.

Neste quatro de julho, entretanto, penso nas minhas heroínas não-conformistas: aquelas freiras católico-romanas norte-americanas que desafiam o status quo político e eclesiástico, e sobre o que elas simbolizam para a história da Cristandade.

O que quero, na verdade, é saudar a coragem das mulheres que têm encontrado sua liberdade em uma vida de serviço – mesmo que esse serviço esteja materializado numa vida de oração e contemplação. A natureza dessa liberdade pode ser incompreensível para mim, pelo menos no caso daquelas que se isolam deste mundo exterior, mas o ativismo das “Freiras no Ônibus” oferecem uma visão da força feminina mesmo num universo onde não desempenhem uma liderança plena. Essas mulheres compensam a impossibilidade duma liderança normativa com uma liderança moral que deveria envergonhar aos homens (sim, aqueles seres humanos do sexo masculino!).

Pois é, tenho heroínas. Posso não concordar com suas motivações políticas – a base teórica que usam para seu ativismo político, isto é –, mas não seria íntegro se não reconhecesse seu vigor ético e seu exemplo moral. Elas me fazem pensar sobre um novo sentido para o termo “liberdade”.

+Gibson

terça-feira, 19 de junho de 2012

Mundo pós-cristão ou Igreja anti-cristã?


Será que aqueles que dizem que vivemos num mundo cada vez mais pós-cristão estariam certos? Esse foi o tema duma conversa que tive esta noite com uma amiga à mesa duma sorveteria. Minha amiga trouxe o assunto à tona, citando Michel de Certeau e Bernard Piettre – autores por quem, bem sabe ela, tenho uma certa simpatia.

Obviamente, tenho minhas resistências a esse tipo de afirmação. Primeiro, perguntei-lhe o que se queria dizer com “cristão” para poder entender a expressão “pós-cristão”; afinal de contas, há uma certa relatividade no que esse termo significa para as diferentes tradições cristãs, e para as diferentes formas de olhar para essas tradições a partir de fora da Igreja. Em segundo lugar, não se pode esperar que a visão de autores europeus – baseada em sua própria experiência num universo cultural acadêmico urbano – represente a experiência de toda a população de seu próprio país, muito menos a de todo o mundo. Certamente, teriam de repensar seu discurso se conhecessem a realidade distinta da experiência religiosa aqui no Brasil.

O que sei, por certo, é que mesmo dentro da própria Igreja (em toda a sua variedade teológica e eclesial: católica, protestante, etc) se conhece cada vez menos a narrativa cristã: menos teologia, menos ética cristã, menos história da igreja, menos tradição. As igrejas de nossa terra desperdiçam muito tempo, esforço, e talentos engalfinhando-se em disputas vergonhosas, esquecendo-se de ensinar seus jovens – seu futuro – a mensagem do Evangelho: “Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino do céu. Felizes os aflitos, porque serão consolados. Felizes os mansos, porque possuirão a terra. Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Felizes os que são misericordiosos, porque encontrarão misericórdia. Felizes os puros de coração, porque verão a Deus. Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5:3-9).

O desconhecimento da narrativa cristã pelos próprios cristãos, e a ênfase numa suposta pureza exterior – numa suposta superioridade espiritual (e que não tem nada de “espiritual”, já que só enfatiza o exterior como forma de auto-bajulação) – por parte da Igreja (i.e., daquelas comunidades cristãs variadas) é um testemunho vergonhoso da irrelevância da fé. A fé cristã, se observada na prática daqueles que se identificam como cristãos, torna-se irrelevante para o mundo. Torna-se irrelevante quando se preocupa com detalhes inúteis, como o tamanho da saia que uma mulher usa, ou se um homem tem um brinco na orelha. Torna-se vergonhosamente irrelevante quando não encarna a receptividade que supostamente marcou a vida de Jesus de Nazaré, renunciando a comunhão cristã àqueles(as) que exibam uma orientação emociono-sexual diferente, ou àquelas que se tornaram mães solteiras, por exemplo. Tornando-se ainda irrelevante de tantas outras formas que não consigo pensar agora!

Então, não é o mundo que tem se tornado pós-cristão, é a Igreja (cristã) que se tem tornado, não pós-cristã, mas anti-cristã em sua práxis comunal. Talvez esteja na hora de (re)descobrir o caminho de volta!

+Gibson

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O que um grupo de jovens me ensinou sobre "salvação"

Como sempre ocorre, começamos nossa pequena reunião informal com uma canção e uma afirmação. Ele demonstrava mais confiança do que o usual: tocou em seu violão a melodia duma canção conhecida da banda Kid Abelha, que todos nós acompanhamos com nossas vozes; seu amigo, aparentemente destemido, rezou palavras extremamente maduras para alguém de sua idade. Foi o início de mais uma reunião dum grupo de jovens que coordeno, e no qual os participantes têm a oportunidade de discutir suas experiências pessoais e refletir sobre sua espiritualidade sem a formalidade usualmente esperado duma igreja ou algo semelhante.

Ele contou-nos que havia sido expulso de casa na semana passada. Dezoito anos, estudante universitário, o caçula de três filhos. Seu pai enfurecera-se ao descobrir que seu filho mais novo era gay. Ambos trocaram acusações. Ambos se ofenderam. Seu pai ofereceu-lhe a porta de saída como solução. Agora estava na casa de seu irmão mais velho que, apesar de não estar muito confortável com a ideia de ter um irmão caçula gay, não lhe fechara a porta.

Essa é a história de muitos daqueles jovens que conheço e com quem passo algumas horas todas as semanas. Jovens gays que buscam um tipo de meio social no qual possam explorar outras atividades além daquelas geralmente oferecidas ao nosso redor. Nossa aliança é que não temeremos uns aos outros, mas, em vez disso, construiremos pontes de confiança, amizades persistentes. Isso envolve conversas sobre qualquer coisa – família, amor, sexo, Deus, religião, espiritualidade, política, entretenimento etc; envolve diversões sadias, como o cinema, esportes, música, uma noite de sábado na pizzaria ou sorveteria, ou na praia de Boa Viagem com um violão – como fizemos naquele nosso último encontro; envolve companheirismo, amizade, honestidade.

Os demais membros do grupo ofereceram seu apoio àquele nosso amigo. A conversa, de lágrimas, transformou-se numa sessão de risadas e canções alegres. Alguém leu umas palavras de Machado de Assis, outro leu um trecho duma sutra budista, outro leu uns versículos do evangelho de Mateus. Talvez, por alguns instantes, nosso amigo tenha esquecido o que estava acontecendo em sua vida. As canções, as conversas, as latas de Coca-Cola e a areia da Praia de Boa Viagem ajudaram meus amigos a se sentirem bem-vindos e benquistos entre si. Aquele era um processo de “salvação” se revelando diante de meus olhos. Salvação como a entendo.

Ainda não sei ao certo como comecei a me envolver com grupos de jovens. Na verdade, esse envolvimento é parte de meu chamado ministerial, mas também é parte de meu trabalho como professor, como também é parte integrante de ser humano. Alguém poderia achar que me sinto muito satisfeito por fazer algo para ajudar jovens, mas, na verdade, o que acontece é que sinto-me imensamente grato por ser ajudado e ensinado por eles. Aqueles jovens, de sua própria forma, me ensinam coisas novas todas as vezes que os ouço. Gostaria que não precisássemos de um grupo “de apoio” para que eles tivessem uma experiência segura do mundo. Gostaria que tivessem um espaço onde pudessem crescer como pessoas de forma segura, entre seus amigos e família – onde não precisassem mentir, nem se esconder, nem temer. Gostaria que tivessem adultos que pudessem conversar com eles, sem que essas conversas terminassem em acusações. Isso seria bem melhor, especialmente se encontrassem isso em seus lares, suas igrejas, suas escolas, seus círculos de amizade. Isso seria “salvação”. Essa é a salvação que esses jovens se oferecem mutuamente todas as semanas, e sou eternamente grato por ser testemunha desse círculo de amizade que eles construíram. Sou muito grato por isso!

+Gibson

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Sobre Deus


Tenho certeza que muitas pessoas gostariam que eu fosse mais objetivo em minhas respostas a certas perguntas que me fazem, especialmente quando o assunto tratado diz respeito à fé, a Deus, a certezas etc. A conversa se inicia mais ou menos assim:

Alguém: Você acredita em Deus?
Eu: Isso depende!
Alguém: Como assim? A resposta é simples: sim ou não!
Eu: A resposta depende do que exatamente você queira dizer com a palavra “Deus”.
Alguém: Não tente se esquivar da resposta. Você sabe o que quero dizer. Deus é Deus.
Eu: Não. Não sei o que você quer dizer. Você se refere a um Deus pessoal ou impessoal; a Deus enquanto um indivíduo ou a uma ideia; a um Deus distinto da criação ou a um Deus que se confunde com a criação; a um Deus que pode ser plenamente compreendido por teorias humanas, como credos ou declarações teológicas, ou a Deus que está além de nossa compreensão plena. Não, eu realmente não sei o que você quer dizer exatamente com a palavra ou nome “Deus”, logo, não posso dizer se acredito em Deus ou não...

E a conversa segue um caminho distinto, dependendo de com quem eu esteja conversando.

Claro que esse tipo de diálogo pode funcionar com aqueles que tenham uma mente um pouco mais inquisitiva e que não se sintam ameaçados quando defrontados com um desafio teológico/semântico; também, é óbvio que esse tipo de brincadeira provavelmente não funcionaria com a maioria das pessoas. Esse é o tipo de jogo que faço com jovens unitaristas, ou com meus alunos de Teologia, ou, ainda, com amigos mais próximos. Raramente costumo fazer joguinhos semânticos como esse com outras pessoas, por razões tão óbvias que não preciso explicar aqui.

A verdade é que posso soar, para algumas pessoas, como alguém obcecado com o uso (ou não) de certos termos para falar acerca de minha fé. No exemplo acima, temos dois termos problemáticos (no sentido de poderem representar diferentes coisas para diferentes pessoas, a ponto de mudarem por completo a impressão final em nossa conversa): acreditar e Deus.

O que exatamente as pessoas querem dizer quando me perguntam se acredito em Deus? Que sentido dão ao verbo acreditar, neste caso? O sentido é o de uma operação intelectual com a qual construiria ou abraçaria uma compreensão lógica do Divino? Ou se referem exclusivamente a minha própria experiência do Divino?

E o que dizer sobre o uso que fazem do nome Deus? Esse termo, em nossa língua, tem tantos diferentes sentidos que preciso de uma pista mais clara sobre o que se quer dizer com ele.

Não tentem me classificar como adepto desta ou daquela escola de pensamento simplesmente por dizer isso, mas – em se tratando do Divino – não acredito que tenhamos a capacidade de compreender plenamente uma Realidade que esteja além de nosso mundo objetivo. É óbvio que enquanto parte duma tradição que se define através de afirmações lógicas – como o Cristianismo –, faço uso das mesmas para articular minhas noções teológicas; isso é, em parte, o que estou tentando fazer agora. Entretanto, articular gnomas teológicas para discutir o Divino não é o mesmo que tentar definir a Deus em termos objetivos. Deus não é um objeto que possa ser colocado sob um microscópio, e que possa ser analisado como analisaríamos o interior duma célula. Deus é uma Realidade inesgotável dentro da qual somos (Atos 17:28). Na realidade, mesmo essa gnoma é problemática, pois se eu digo que Deus é, estou, na verdade, construindo limites existenciais para uma Realidade que supera minha capacidade de observação e, consequentemente, de compreensão. Aí reside o problema para se falar sobre Deus: nossos substantivos, nossos adjetivos e nossos verbos não são capazes de lidar com a abrangência de tal Realidade.

Deus não é uma propriedade desta ou daquela tradição teológica, religiosa ou espiritual. Deus não é judeu, nem cristão, nem muçulmano; Deus não é teísta, nem liberal, nem conservador, nem fundamentalista; Deus não é tradicional, nem pós-modernista. Deus sequer é. Talvez a melhor maneira que posso pensar agora para falar sobre o Divino seja: Deus [ ] Real. Os colchetes substituem a incompletude do verbo ser. O nome “Deus” simplesmente representa aquela Realidade que está além de minha compreensão. O próprio nome “Deus” se tornou problemático, já que é incompleto e questionável. Por isso, prefiro utilizar “Realidade” – já reconhecendo sua limitação, enquanto substantivo.

Não. Não posso acreditar em Deus. Não posso encarcerar o Divino a minhas concepções teológicas. Só posso confiar e ser leal. Acreditar, ou mesmo crer, é algo que está além de minha capacidade intelectual humana. Confiar me basta.

+Gibson

sábado, 2 de junho de 2012

Lex orandi lex credendi


Tenho aprendido com minhas três diferentes tradições cristãs – o anglicanismo, o luteranismo, e o unitarismo – a amar e a viver uma vida litúrgica que enriquece e alimenta minha fé. Como minha fé não está acorrentada a definições dogmáticas tão estritas como a de alguns outros cristãos, essa vida litúrgica tornou-se a declaração de fé mais audível que posso fazer aos céus, à terra, e a mim mesmo. Lex orandi lex credendi, como tem dito a Igreja historicamente, e como uma de minhas heranças cristãs (o anglicanismo) tem enfatizado – a lei da oração é a lei da crença, ou seja, aquilo que oramos/rezamos é nossa declaração de fé.

Como um Ministro da Palavra e Sacramento, tenho a oportunidade de declarar minha fé todas as vezes que oficio uma celebração da Comunhão e todas as vezes que ensino do púlpito. Quando, na celebração da Comunhão, convido a todos os presentes a partilharem dos elementos eucarísticos – independentemente de quem sejam, do que creiam, de onde tenham estado, ou de serem membros de nossa congregação ou não – estou, na verdade, fazendo uma declaração explícita de minha fé no amor incondicional de Deus por absolutamente todos e na receptividade da comunidade dos seguidores de Jesus de Nazaré. Quando rezo a Oração de Despedida, ao fim de nossas celebrações eucarísticas, estou fazendo uma declaração explícita de minha fé na vida e ressurreição de Cristo. Estou unindo minha voz à voz de outros cristãos unitaristas no mundo (sim, pouquíssimos, talvez) que compartilham com cristãos de outras famílias uma fé menos preocupada com definições dogmáticas muito claras, mas uma fé viva, preocupada em testificar o poder do amor transformador ensinado por Jesus em nossas ações do dia a dia (mesmo que, infelizmente, sejamos tão falhos em ser bons modelos de “amor cristão”). As palavras dessa Oração de Despedida formam um credo ao qual não tenho nenhuma objeção de juntar minha voz:

Cristo nasce em nós quando abrimos nossos corações à inocência e ao amor. Cristo vive em nós quando caminhamos a senda do perdão, reconciliação e compaixão. Cristo morre em nós quando nos rendemos à nossa própria arrogância, egoísmo e ódio. Cristo ressuscita em nós quando nossas almas se despertam da morte espiritual para se unirem à comunidade de amor, para entrar no reino divino aqui mesmo neste mundo. Saiamos em paz. Amém.

Além dessa oração, também sinto fazer uma declaração audível de minha fé quando pronuncio as palavras de nossa Aliança Batismal. Não deveria ser assim, mas essas são as palavras – a Oração de Despedida e a Aliança Batismal – que mais amo rezar em toda a liturgia de nossa igreja, e esse amor surge porque me sinto desafiado por elas. Essas são orações que sempre me esbofeteiam, exigindo que me desperte do sono no qual permanentemente pareço cair. Essas são as palavras mais estremecedoras que rezo junto com a igreja. Os votos que fazemos, como membros desta comunidade cristã, dizem o seguinte:

Você continuará nos ensinamentos e comunhão dos apóstolos, na partilha do pão e nas orações?
Sim, com a ajuda de Deus.

Você perseverará na resistência ao mal, e, sempre que pecar, se arrependerá e retornará ao Senhor?
Sim, com a ajuda de Deus.

Você proclamará as boas novas por meio de palavras e ações, servindo a todas as pessoas?
Sim, com a ajuda de Deus.

Você defenderá a justiça e a paz dentre todas as pessoas, e respeitará a dignidade e o valor de todos os seres humanos?
Sim, com a ajuda de Deus.

Essas palavras são um resumo esclarecedor da fé que abraço e partilho com outros cristãos. Oxalá possamos transformá-las em ação em nossas vidas diárias – é minha esperança.

+Gibson

domingo, 29 de abril de 2012

Uma caminhada espiritual no Labirinto


Há alguns anos tenho tido a feliz oportunidade de guiar pessoas em sua descoberta da caminhada pelo Labirinto. A própria palavra chega a assustar muitos cristãos – especialmente aqueles que tenham uma herança protestante não-litúrgica, na qual práticas mais tradicionais de oração e meditação não são muito comuns. Minha experiência pessoal com práticas “alternativas” de oração e devoção cristãs, além de minha experiência liderando esses tipos de liturgias, tem se provado um excelente caminho de descoberta e crescimento espiritual.

Para aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de caminhar o Labirinto, deixem-me explicar um pouco sobre o que se trata: o Labirinto é um caminho, geralmente circular, que te leva a um ponto central e, em seguida, para fora novamente. Os labirintos têm sido usados, há séculos, por cristãos e por pessoas de outras tradições como um caminho de oração, meditação e cura. Para aqueles que já visitaram igrejas medievais na Europa (pensem na Catedral de Chartres, na França), por exemplo, talvez seja fácil lembrar desses labirintos nos pisos de pedra dessas igrejas; ou, talvez, lembrem-se daqueles labirintos verdes nos antigos jardins britânicos; ou nos labirintos nos pisos de muitas igrejas (católicas e protestantes) nos Estados Unidos. Aqui mesmo em nossa congregação, contamos com um modelo portátil de Labirinto que utilizamos para nossa prática de caminhada.

Mas o que fazemos enquanto caminhamos pelo Labirinto? Em primeiro lugar, é sempre bom lembrar que a jornada pelo Labirinto é uma prática espiritual que envolve o nosso “todo” – isto é, envolve o nosso corpo; envolve nosso autocontrole (já que não estamos numa corrida, e, sim, numa caminhada lenta); envolve nossa mente, enquanto meditamos e oramos. Muitos, enquanto caminham, repetem uma oração curta; outros, mencionam uma intenção e caminham focando-se nessa intenção. Outros refletem sobre suas vidas e jornadas pessoais. Muitas pessoas, ao alcançarem o centro do Labirinto, permanecem lá por algum tempo – em pé ou sentadas, algumas acendem uma vela – para orar. Podemos fazer tudo isso e, se forem um tanto atrevido como eu, poderão experimentar diferentes práticas todas as vezes que caminharem pelo Labirinto.

Também é importante dizer que não precisamos, necessariamente, dum labirinto físico para praticarmos essas caminhadas espirituais. Para aqueles que não têm a oportunidade de caminhar através dum labirinto, podem, ainda, praticar uma caminhada de meditação e oração num lugar público em horário mais tranquilo – aqui em Recife, por exemplo, contamos com a praia e com parques onde podemos fazer isso.

Muitas orações podem ser utilizadas para nos centrarmos enquanto caminhamos. Se você não se sente à vontade com orações prescritas, pode dizer suas próprias orações, ou pode recitar trechos das Escrituras. (Como minha preocupação aqui é com a caminhado no Labirinto enquanto prática cristã, é óbvio que trato da oração cristã aqui, mas aqueles que não sejam cristãos – ou mesmo aqueles que se vejam como ateus, agnósticos, ou não religiosos – também podem utilizar a caminhada como uma prática de meditação, obviamente, e podem criar um ritual próprio.) Pode também, utilizar trechos de poesia, ou o que quiser como “mantra”, além da meditação pessoal. A seguir gostaria de listar algumas de minhas orações favoritas quando estou fazendo minhas caminhadas, tanto pelo Labirinto quanto na praia ou parques:

“Deus esteja comigo neste dia, todos os dias, e em minha jornada, e que eu possa ser a presença de Deus para aqueles que encontrar em meu caminho, neste dia, e todos os dias.”

“Aqui estou, meu Jesus, ensina-me.”

“Paz entre mim e meu Deus.”

“Em teu caminho, ó meu Deus, e não no meu, sejam todas as minhas jornadas.”

“Ilumina minha escuridão, ó Luz Eterna. Que tua presença afaste a escuridão da noite.”

“Acalma-me, ó Deus, como acalmas as tormentas da vida. Cessa esse tumulto dentro de mim. Abraça-me com tua paz!”

“Que a paz de toda a paz esteja comigo agora!”


Independentemente de como damos voz à nossa busca espiritual, minha experiência, assim como a de muitas outras pessoas, é que a caminhada espiritual – seja no Labirinto ou fora dele – é uma ótima prática de centração espiritual que nos ajuda a encontrarmos novas direções em nossas vidas. Experimente e me conte depois!

+Gibson

domingo, 22 de abril de 2012

A jornada de fé dum herege contemporâneo


Incontáveis vezes ouço aquelas mesmas provocações de ambos os lados do espectro: dos não religiosos, a provocação do como posso ser tão “estúpido” para acreditar em Deus e seguir uma religião – uma das razões para esse seu pensamento é que essas pessoas só conseguem enxergar a busca espiritual e religiosa como uma “necessidade de conforto” –; do outro lado, aqueles religiosos mais “tradicionais” (esse é um termo inapropriado para a ideia aqui, já que me considero muito tradicional, mas deixarei essa discussão semântica para depois!), que me provocam dizendo que não sou cristão por não entender a fé cristã da mesma forma que eles. Ambos os tipos de provocações já se tornaram uma rotina em minha vida ministerial e intelectual, a ponto de me cansarem de tédio!

Honestamente, preferiria que alguém – fora de minha comunidade de fé, isto é – quisesse gastar seu tempo e o meu com uma discussão mais útil sobre fé, vida, e serviço cristãos. Um cristão como eu, que possui um background múltiplo – mergulhado nas tradições unitarista, anglicana, e luterana, além da tradição liberal judaica – está inserido demais num mundo teologicamente diverso para abraçar versões exclusivistas do Cristianismo. Estou muito satisfeito com minha fé elástica, moldada por minha experiência do Divino e do mundo, com a qual minha compreensão daquele Mistério Eterno é moldada a cada novo instante.

Minha fé não é uma fé de certezas e conforto. É, antes, uma jornada de descoberta, ao longo da qual abraço a plenitude do desconhecido e tento ouvir a voz daquele Mistério Tremendo, que chamo pelo nome de “Deus”. Minha fé não me garante que alcançarei um destino certeiro, pois a jornada é o que mais me importa. Quero a presença de Deus – paz, perdão, reconciliação, compaixão, amor, etc – aqui e agora, e não numa suposta glória pós-mortal. Acredito que o Divino se revela a cada momento da caminhada: quando nos acordamos e quando dormimos; quando choramos e quando sorrimos; quando sozinhos ou quando acompanhados; quando nos amamos e quando aborrecemos uns aos outros; quando nos abraçamos e mesmo quando nos ofendemos – em cada um desses momentos, podemos descobrir um aspecto novo da manifestação do Divino.

Mais do que estar preocupado com a crença correta a ser abraçada pelo cristão (não que esta não seja importante, até certo ponto), preocupo-me com a ação correta daquele que se diz discípulo de Jesus. Para mim, é a prática correta – a ortopráxis – que define o verdadeiro cristão; e quando falo nesta “prática correta”, não me refiro à liturgia, mas à eticidade de nossas ações como cristãos para com todas as outras pessoas e para com o todo da Criação.

Todos que discordam de minhas ideias teológicas estão sempre muito dispostos a citar versos e mais versos das Escrituras para provarem que o que acredito é errado e não-cristão. É interessante como nossa prática cristã (especialmente no meio Protestante) tem sido a de tornar a Bíblia cúmplice de nossas concepções dogmáticas (religiosas ou políticas), com todos os lados fazendo uso da mesma coleção de escritos sagrados para legitimarem seus discursos. Não consigo deixar de pensar que a mesma Bíblia que era utilizada para legitimar a escravidão, até o século XIX, era também utilizada para denunciar essa prática como uma abominação diante de Deus; que a mesma Bíblia que era utilizada, por alguns, para legitimar a guerra, era também utilizada, por outros, para advocar o pacifismo; que a mesma Bíblia utilizada para justificar a submissão da mulher ao homem e de pessoas não-brancas a pessoas brancas, era (e ainda é) utilizada por outros para ensinar que o Evangelho proclama o fim dessas distinções diante de Deus.

Apesar de não querer reforçar aqui a ideia de que Bíblia e Cristianismo sejam sinônimos – para mim, não são, pois ambos se complementam: a Escritura surge a partir da Igreja e a Igreja forma seu pensamento a partir do testemunho bíblico –, quero mostrar, nas Escrituras, exemplos (equivocadamente deixados de lado por alguns cristãos) de uma fé que sobrepuja nossa preocupação com dogma, verdade, certeza, exclusivismo; exemplos duma fé extravagantemente graciosa, radicalmente inclusiva, e inflexivelmente compassiva. Exemplos bem diferentes daqueles tão frequente e convenientemente enfatizados pelos dois grupos de pessoas que costumam ter problemas com o pensamento de cristãos liberais como eu. Eis algumas dessas passagens das Escrituras que moldam minha fé cristã:

Não explore o imigrante nem o oprima […]” (Êxodo 22:20)

Quando um imigrante habitar com vocês no país, não o oprimam. O imigrante será para vocês um concidadão: você o amará como a si mesmo […]” (Levítico 19:33-34)

O jejum que quero é este: acabar com as prisões injustas, desfazer as correntes do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e despedaçar qualquer jugo; repartir a comida com quem passa fome, hospedar em sua casa os pobres sem abrigo, vestir aquele que se encontra nu, e não se fechar à sua própria gente. Se você fizer isso, a sua luz brilhará como a aurora, suas feridas vão sarar rapidamente, a justiça que você pratica irá à sua frente e a glória do Senhor virá acompanhando você. Então você clamará, e o Senhor responderá: “Estou aqui!” Isso se você tirar do seu meio o jugo, o gesto que ameaça e a linguagem injuriosa; se você der o seu pão ao faminto e matar a fome do oprimido. Então a sua luz brilhará nas trevas e a escuridão será para você como a claridade do meio-dia […]” (Isaías 58:6-10)

Ó homem, já foi explicado o que é bom e o que o Senhor exige de você: praticar a justiça, amar a misericórdia, caminhar humildemente com o seu Deus.” (Miqueias 6:8)

Venham para mim todos vocês que estão cansados de carregar o peso do seu fardo, e eu lhes darei descanso. Carreguem a minha carga e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para suas vidas. Porque a minha carga é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11:28-30)

Não há distinção entre judeu e grego, pois ele é o Senhor de todos, rico para com todos aqueles que o invocam. Porque todo aquele que invoca o nome do Senhor, será salvo.” (Romanos 10:12-13)

Que o amor de vocês seja sem hipocrisia: detestem o mal e apeguem-se ao bem; no amor fraterno, sejam carinhosos uns com os outros, rivalizando-se na mútua estima. […] Abençoem os que perseguem vocês; abençoem e não amaldiçoem. Alegrem-se com os que se alegram, e chorem com os que choram. Vivam em harmonia uns com os outros. Não se deixem levar pela mania de grandeza, mas se afeiçoem às coisas modestas. Não se considerem sábios. Não paguem a ninguém o mal com o mal; a preocupação de vocês seja fazer o bem a todos os homens. Se for possível, no que depende de vocês, vivam em paz com todos. […] Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber; […] Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem.” (Romanos 12:9-21)

Não fiquem devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo. Pois quem ama o próximo cumpriu plenamente a Lei. De fato, os mandamentos: não cometa adultério, não mate, não roube, não cobice, e todos os outros se resumem nesta sentença: “Ame o próximo como a si mesmo.” O amor não pratica o mal contra o próximo, pois o amor é o pleno cumprimento da Lei.” (Romanos 13:8-10)

Paremos, portanto, de julgar uns aos outros. Ao contrário, preocupem-se em não ser causa de tropeço ou escândalo para o irmão.” (Romanos 14:13)

Se alguém pensa que é religioso e não sabe controlar a língua, está enganando a si mesmo, e sua religião não vale nada. Religião pura e sem mancha diante de Deus, nosso Pai, é esta: socorrer os órfãos e as viúvas em aflição, e manter-se livre da corrupção do mundo.” (Tiago 1:26-27)

Assim também é a fé: sem as obras, ela está completamente morta.” (Tiago 2:17)

Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus. E todo aquele que ama, nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.” (1 João 4:7-8)


Essas passagens falam por si mesmas. Àqueles que costumam me acusar de politizar minha fé em excesso, só me resta usar esses poucos exemplos bíblicos como minha defesa e evidência de que as raízes bíblicas da tradição cristã é que tornam a fé uma questão “política” (isto é, uma questão de nossa inter-relação com o todo da Criação de Deus). E é justamente por isso que a fé cristã tem relevância em minha própria experiência – porque Jesus e, consequentemente, o Cristianismo me chamam à ação, me convidam a participar na obra de reconciliação de Deus. Por isso posso acreditar em Jesus e ser seu seguidor!

+Gibson