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terça-feira, 1 de janeiro de 2008

A Teologia Ubuntu

Ubuntu. Você já ouviu esta palavra antes? Ah, já sei! Você está pensando naquela distribuição Linux que se tornou muito popular nos últimos dois anos. Mas não é dela que estou falando – apesar de seu nome vir do conceito que influenciou sua criação na África do Sul.


Ubuntu é uma palavra que descreve uma visão de mundo africana, que se traduz como “Eu sou por causa de você”, e que significa que indivíduos precisam de outras pessoas para serem plenos.


A palavra vem das línguas bantu faladas no sul do continente africano – e se relaciona com um conceito zulu - "umuntu ngumuntu ngabantu" – que significa que uma pessoa é apenas uma pessoa através de seu relacionamento com outros.


Essa palavra também adentrou o vocabulário político por meio das mudanças políticas ocorridas na África do Sul.


O Arcebispo Desmond Tutu, em seu livro “No Future Without Forgiveness”, diz: “Ubuntu é uma palavra muito difícil de se traduzir em uma língua ocidental... É o mesmo que dizer: Minha humanidade está presa, está inextricavelmente ligada, ao que a sua é.”


Em sua definição, ela significa que há uma ligação comum entre as pessoas – e quando as circunstâncias de alguém melhoram, todos ganham e se alguém é torturado ou oprimido, todos são diminuídos.


A identificação do Arcebispo Tutu com ubuntu deu origem à idéia da teologia que abraço, a “teologia ubuntu” - onde a responsabilidade ética vem com uma identidade compartilhada. Se alguém está faminto, a resposta ubuntu é que todos nós somos coletivamente responsáveis.


Há uma dimensão espiritual e prática disso – com ubuntu refletindo a idéia de que somos parte de uma longa corrente de experiência humana, nos ligando a gerações passadas e futuras.


Ubuntu também entrou na linguagem do desenvolvimento e do comércio justo – com campanhas usando a palavra em projetos de ajuda à África de forma a sugerir que aquele seria uma solução africana para problemas africanos.


Infelizmente, enquanto o conceito entra cada vez mais no mundo ocidental, os próprios africanos têm visto o seu declínio entre eles mesmos, com os mais antigos sentindo que as novas gerações africanas não conheçam a palavra e o conceito de ubuntu.


Desde minha época de seminário, tenho considerado o conceito de ubuntu como parte integrante de minha teologia pessoal. Vejo o conceito como algo muito inspirador que podemos aprender com nossos irmãos africanos – que muitos julgam ser capazes apenas de produzirem personagens como o arcebispo anglicano da Nigéria Peter Akinola, que poderia aprender muito com a tradição do sul da África!


Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível a outras, afirmando outras, não se sente ameaçada pelo fato de outras serem capazes e boas, pois ele ou ela tem uma auto-confiança apropriada que vem do conhecimento de que ele ou ela pertence a uma plenitude maior e é diminuída quando outras pessoas são humilhadas ou diminuídas, quando outros são torturados ou oprimidos.” - Arcebispo Desmond Tutu, 1999.

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