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quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

THOMAS MERTON: Contemplação em Ação


Nosso serviço a Deus e à igreja não consiste apenas em falar e fazer. Pode também consistir em períodos de silêncio, ouvir, esperar. Talvez seja muito importante, nesta era de violência e inquietação, redescobrir a meditação, a oração unitiva de silêncio interior, e o silêncio cristão criativo.” - Thomas Merton, “Love and Living”.


O que temos de fazer no presente não é falar tanto de Cristo, mas deixar que ele viva em nós para que as pessoas possam encontrá-lo sentindo como ele vive em nós.” - Thomas Merton



Thomas Merton (1915-1968) era membro de uma comunidade monástica católico-romana que abraçava o silêncio, ainda assim ele falou volumes sobre os assuntos espirituais mais importantes de nossos dias. Ela era um homem enormemente complexo que buscou o silêncio, solidão e contemplação, enquanto, ao mesmo tempo, vivia uma vida ativa que levou-lhe a amizades com centenas de pessoas por todo o mundo. E apesar de seu movimento e comunicação terem sido bem restritos nos 27 anos nos quais ele fora membro da Ordem Cisterciense, ele desempenhou um papel-chave na formação de eventos históricos ao falar sobre assuntos morais importantes em seus dias. Sua liderança o estabeleceu como um modelo de como as pessoas de fé, dos mais diversos estilos de vida, podem mergulhar em uma espiritualidade que naturalmente leva a uma preocupação pelos outros seres humanos e por toda a criação de Deus.


Este monge silencioso falou poderosa e eloqüentemente sobre três aspectos extremamente importantes da vida espiritual: espiritualidade contemplativa, justiça social, e diálogo inter-religioso. Merton reconheceu a importância individual de cada um destes, mas ele entendeu melhor que a maioria das pessoas que o diálogo inter-religioso e a obra de justiça social não estejam separados da espiritualidade e que devam crescer dela de forma orgânica.



Thomas Merton nasceu em 1915, no sul da França. Seus pais eram artistas que viajavam muito, e o jovem Merton era levado de casa em casa, de país a país, de maneira que deu-se-lhe pouca oportunidade de saber o que a palavra “lar” significava. E ficar órfão cedo só aumentou seu sentimento de destituição.


Durante sua adolescência, Merton passou muito tempo em colégios internos na França e na Inglaterra. Ele era extremamente inteligente, e seu brilhantismo em sua escola inglesa fez com que ele recebesse uma bolsa de estudos para a Universidade de Cambridge no início da década de 1930. Infelizmente, ele dedicou mais tempo à beberronia que aos estudos em seu primeiro ano na faculdade, e neste processo engravidou uma jovem. A família de sua mão fez um acordo com a jovem, e enviou Merton para os Estados Unidos onde poderiam vigiar-lhe melhor (apesar de o destino da criança ser desconhecido, Merton fez preparos financeiros para quando ele ou ela aparecesse).


Em 1935 Merton matriculou-se na Universidade de Colúmbia, onde recebeu seu bacharelado e mestrado em inglês. Em Colúmbia ele foi profundamente influenciado pelo poeta e estudioso Mark Van Doren que tornou-se seu mentor. Enquanto ainda era estudante, Merton embarcou numa nascente carreira de escritor, compondo romances, ensaios, resenhas e poesias por uma década. Pouco do que ele escreveu naqueles anos foi publicado. Depois de seu mestrado, ele aceitou um emprego de professor na Saint Bonaventure College no interior do Estado de Nova Iorque, e começou seu doutorado.


Apesar de haver sido um anglicano nominal em sua infância, a religião não havia sido aparentemente algo significante na juventude de Merton. Ele passou por um processo de conversão gradual que o levou ao batismo na Igreja Católica Romana, e o desejo de tornar-se um sacerdote na Ordem Franciscana. Os franciscanos inicialmente aceitaram Merton, mas ao ouvirem a respeito de seus anos em Cambridge, mudaram de idéia. Ele ficou desesperado até que um amigo sugeriu-lhe que fizesse um retiro na Abadia de Nossa Senhora do Getsêmani, um mosteiro trapista nas cercanias da cidade Louisville. Merton fez uma visita durante a Semana Santa de 1941.


Ele sentiu-se tocado pela piedade e estrita disciplina daquele lugar. Os monges de Getsêmani acordavam no meio da noite, e rezavam a cada três horas durante o dia. Eles mantinham o silêncio, a não ser que falar fosse inevitável. Os monges dormiam em um dormitório sem aquecimento, se dedicavam ao duro trabalho agrícola, e mantinham uma escassa dieta vegetariana. Suas vidas pareciam ser completamente dedicadas à oração e penitência.


Merton ficara tão impressionado, que após retornar a Bonaventure fez um requerimento para ser aceito pelo mosteiro, o que aconteceu no outono daquele mesmo ano. Ele doou seus poucos pertences à caridades, queimou alguns de seus manuscritos e confiou outros aos cuidados de seus amigos. Ele foi para Getsêmani com a intenção de completamente abandonar sua velha vida.


Sua Renúncia de Vida de Escritor e Seu Sucesso como Autor


Quando Merton entrou em Getsêmani em 10 de dezembro de 1941, ele acreditava que sua carreira como escritor havia acabado. Ele pensava que a partir de então estava dedicando sua vida completamente à oração. Mas quase que imediatamente após sua entrada ao mosteiro, foi-lhe dado um sem número de atividades que envolviam a escrita. A primeira dessas foi preparar sua auto-biografia, uma tarefa que inicialmente ele não queria realizar. Em obediência, ele aceitou a tarefa, e quando o livro foi publicado no outono de 1948 com o título de “The Seven Storey Mountain”, se tornou um best-seller, com 600.000 cópias vendidas nos primeiros doze meses. E desde então, nunca mais se deixou de publicar esse livro.


No tempo em que sua auto-biografia foi publicada, a maioria dos monges recebiam cartas apenas duas vezes por ano, e mesmo essas cartas (na maioria das vezes limitadas a membros da família) eram censuradas. Os monges não liam jornais ou revistas, e claro, não ouviam rádio. Quanto às notícias, eles eram essencialmente mortos para o mundo.


Para Merton, as coisas eram diferentes. O sucesso fenomenal de sua auto-biografia quase agostiniana tornou-lhe numa celebridade espiritual, e ele começou a receber cartas dos famosos e dos nem tão famosos. Duas coisas resultaram do sucesso entre os leitores e críticos de seu livro (The Seven Storey Mountain). Primeiro, Merton veio a ser visto pelo público como uma autoridade popular da vida espiritual. Segundo, aqueles que se correspondiam com ele começaram a contar-lhe as notícias, que nutriam um interesse por justiça social que ele tinha desenvolvido durante seu tempo como estudante em Nova Iorque.


Contemplação, Silêncio e Solidão


Nos livros e artigos que publicou sobre espiritualidade nos anos 50 e 60, a atenção maior de Merton foi para com a espiritualidade contemplativa, o silêncio e a solidão. Ele ensinou o caminho da oração contemplativa, uma oração de presença muda, convidando os leitores a penetrarem abaixo da mera superfície da existência para viverem o Mistério da vida. Merton usava o termo “contemplação” de duas maneiras: para nomear a oração silenciosa (muda), e para nomear a presença de Deus na oração.


Merton sentia que duas coisas eram essenciais para a prática deste tipo de oração: solidão e silêncio. A solidão removeria as distrações do contato humano e a pressão das exigências do mundo exterior. O silêncio proveria uma poderosa ferramenta para preparar um encontro mudo com Deus para aqueles que o abraçassem. Merton também apontava para o fato de que a oração contemplativa não era um conceito novo. Era, na realidade, um dos mais antigos e reverenciados métodos de oração na comunidade cristã.


Num curioso paradoxo, Merton descobriu que contemplação, silêncio e solidão estavam em falta no mosteiro que ele chamava de lar. Por haver tanto a fazer e tanto tempo dedicado ao Ofício Divino, havia pouco tempo para oração pessoal. Quase não se ouvia falar em solidão. Os monges rezavam juntos, trabalhavam juntos, comiam juntos, e só podiam passar tempo em seus dormitórios em horas específicas do dia ou quando estavam doentes. O silêncio, tão claramente associado à Ordem Cisterciense, tinha sido diminuído pelo uso extensivo de uma elaborada linguagem de sinais. O silêncio foi ainda mais sabotado pela introdução de máquinas de fazenda barulhentas na economia do mosteiro.


Merton trabalhou duro no decorrer de seus quase trinta anos como monge para aumentar a quantidade de tempo de oração, solidão e silêncio disponíveis aos monges em Getsêmani. Hoje os três aspectos da vida espiritual são elementos importantes na vida diária do mosteiro, e muito melhor compreendidos e praticados por muitos dos fiéis fora do mosteiro.


Merton: Instrumental no Despertar Espiritual do Pós II Guerra Mundial


Na década de 1950, quando os americanos começaram a perceber que sua busca por riquezas materiais não estava lhes trazendo satisfação, o patrocínio de Merton da oração contemplativa foi recebido como uma revelação libertadora. Em um tempo no qual os americanos estavam sendo pressionados a acelerarem suas vidas, Merton os convidava a desacelerarem. A mensagem que ele compartilhava era simples: não apenas faça algo, sente-se lá!


Enquanto as pessoas encontravam novos e mais rápidos métodos de comunicação, Merton insistia no silêncio e na reflexão interior. Em um ambiente espiritual que ensinava os americanos que espiritualidade significava ir à igreja no domingo ou usar apenas métodos de oração oficialmente autorizados, Merton guiou uma partida rumo à oração individual livre de fórmulas e palavras pré-fabricadas.


Suas reflexões a respeito da espiritualidade contemplativa logo começaram a apelar àqueles fora da Igreja Católica Romana também. Professores e seminarista dos seminários batista e presbiteriano em Louisville começaram a fazer visitas ao Getsêmani, onde eles dialogavam com Merton a respeito da espiritualidade contemplativa. Seus livros foram comprados por cristãos de virtualmente todas as denominações, além de não-cristãos também.


Em 18 de março de 1958, enquanto estava na esquina de uma rua no centro de Louisville, Merton teve uma revelação que cristalizou para ele o significado da mudança pela qual ele estava passando. Ele finalmente entendeu que apesar de a maioria das pessoas pensarem em monges como sendo santos, eles não eram mais ou menos santos que as pessoas no mundo secular.


Em Louisville, na esquina da Rua 4 com a Walnut, no centro do bairro comercial, eu fui dominado pela compreensão de que eu amava todas essas pessoas, de que eles eram meus e que eu era deles.” (Merton, Thomas. Conjectures of a Guilty Bystander. NY: Doubleday, 1966: 156-157.)


Ao figurativamente quebrar as paredes que separavam os monges dos homens e mulheres leigos, Merton também convidava as pessoas no mundo exterior para tomarem parte em um tipo de espiritualidade contemplativa que ele acreditava estar disponível a todas as pessoas, não apenas a homens e mulheres “santos” em ordens religiosas.


Abraçando Paz e Justiça à Sombra da Guerra e Racismo


Em fins da década de 1950, Merton também começou a ver claramente que se ele realmente amava a Deus da forma profunda e pessoal que ele dizia amar, ele era obrigado a fazer muito mais do que passar seu tempo rezando e escrevendo a respeito de oração.


Ele reconhecia que o amor a Deus deve ser expresso em preocupação por toda a humanidade. Esta noção é central ao Evangelho. Quando se pergunta a Jesus qual é o maior dos mandamentos, ele imediatamente responde que devemos amar a Deus com todo o nosso ser, mas sem pausa, adiciona que é da mesma forma importante que amemos nosso próximo como a nós mesmos. Merton começou a examinar cuidadosamente o que significa amar o seu próximo como a si mesmo.


Ele encontrava-se em um tempo assombrado por medo e revoltas. O advento da bomba de hidrogênio criou a perspectiva de cogumelos atômicos apocalípticos que podiam acabar com a vida na Terra. Os americanos descobriam que os negros no Sul não estavam mais dispostos a aceitar o sistema de apartheid secular que os manteve separados e em situações de desigualdade. Pessoas ao redor do mundo estavam aprendendo a respeito do Holocausto e do fracasso dos cristãos em fazerem algo em seu poder para evitar o que ocorrera na Europa. Um país minúsculo chamado Vietnã do Sul ganhava atenção na imprensa.


Em uma carta a Dorothy Day, co-fundadora do Movimento Trabalhista Católico, Merton escreveu: “Eu não sinto que possa, em uma época como esta, continuar escrevendo apenas sobre coisas como meditação, apesar de isto ter sua importância. Eu penso que eu devo encarar os assuntos importantes, os assuntos de vida e morte” (The Hidden Ground of Love: The Letters of Thomas Merton on Religious Experience and Social Concerns. William H. Shannon, ed. NY: Farrar, Straus and Giroux, 1968: 140.).


Usando a Espiritualidade Para Encarar Assuntos de Vida e Morte


Para Merton o maior de todos os grandes assuntos era a guerra. A guerra ameaçava a santidade da vida. A guerra desumanizava a todos associados com ela. Ele aprendera de suas leituras de Mahatma Gandhi que a verdade transcendente e o poder da não-violência estão associados à fé genuína. O tipo de fé politicamente maculada que a maioria dos americanos conheciam nos anos 50 na realidade representavam uma ameaça à nossa salvação. Merton escreveu:


A fé é um sonho narcótico num mundo de ladrões fortemente armados, ou é um despertar? A fé é um pesadelo conveniente no qual somos atacados e obrigados a destruir os agressores? E se nos dermos conta de que nós é que somos os ladrões, e que nossa destruição vem da raiz de ódio em nós mesmos? (Merton, Thomas. Faith and Violence. Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press, 1968:ix-x.)


Ele responde suas próprias perguntas ao escrever:

A Teologia precisa hoje se concentrar cuidadosamente no problema crucial da violência.” (Merton, Thomas. Faith and Violence, Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press, 1968: 3) A resposta aos problemas da violência, guerra, e injustiça, escreveu Merton, é a prática da não-violência ativa.


A não-violência busca 'vencer' não destruindo ou mesmo humilhando o adversário, mas convencendo-o de que há um bem comum mais elevado e mais certo do quê pode ser obtido por bombas e sangue. A não-violência, idealmente falando, não tenta sobrepujar o adversário ganhando dele, mas torná-lo de adversário em colaborador, ganhando-o.” (Merton, Thomas. Faith and Violence. Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press, 1968: 13.)


O Poder da Liderança Moral


Merton viu claramente que o poder que tinha em suas mãos era aquele da liderança moral, e a liderança que ele melhor poderia prover seria através de seus escritos. Uma das primeiras preocupações a qual ele se dirigiu foi a da guerra nuclear. Ele percebia que o uso de armas nucleares contra populações civis era o mesmo que genocídio, e foi isso que disse. Líderes da Igreja Católica tentaram silenciá-lo por dizer isso, afirmando que não era o trabalho de um monge falar contra a guerra nuclear. Merton lutou contra esta visão míope até que lhe permitissem falar publicamente.


Merton denunciou o racismo e a pobreza. Em um importante ensaio publicado no início da década de 1960, Merton afirmava que se os americanos não resolvessem os problemas do racismo e da pobreza, eles estourariam em violência nas cidades americanas. O famoso teólogo luterano Martin Marty o reprovou por fazer uma predição aparentemente tão precipitada. Depois, quando a violência explodiu com furor mais tarde, Marty teve a sabedoria e decência de publicamente pedir desculpas, e chamar-lhe de profeta.


Enquanto os anos 60 se tornavam uma cascata de guerra e assassinatos, Merton tornou-se de várias maneiras a consciência do movimento de paz que se opunha à Guerra do Vietnã. Ele tornou-se amigo e mentor de indivíduos como Daniel Berrigan, James Forest, e James Douglass, os quais tornaram-se figuras principais em movimentos internacionais de paz. Merton apoiava o Movimento Trabalhista Católico e freqüentemente se correspondia com Dorothy Day. Ele havia planejado hospedar um retiro para o Dr. Martin Luther King Jr e outros líderes do Movimento de Direitos Civis em 1968. Mas seus planos foram terminados pela bala de um assassino em 4 de abril daquele ano.


Busca Por União


Talvez a conquista final na vida contemplativa de Merton tenha sido sua percepção de nossa união com pessoas de todas as crenças e culturas. Merton escreveu que nós já somos um, nós apenas não nos damos conta disso.


Ele disse: “Se eu puder compreender algo sobre mim mesmo e sobre os outros, eu posso começar a compartilhar com eles a obra de construção das fundações da união espiritual.” (Merton, Thomas. Conjectures of a Guilty Bystander: 82.) E disse ainda: “Se eu posso unir em mim mesmo o pensamento e devoção da Cristandade Oriental e Ocidental, os Padres gregos e latinos, os russos com os místicos espanhóis, eu posso preparar em mim mesmo a reunião dos cristãos divididos. Daquela união secreta e não mencionada em mim mesmo pode eventualmente surgir uma união manifesta e visível de todos os cristãos.” (Merton, Thomas. Conjectures of a Guilty Bystander:12.)


Em uma missão relacionada à união no outono de 1968, Merton fez sua primeira viagem prolongada em quase trinta anos, viajando para a Ásia para participar de algumas conferências e para se encontrar com líderes espirituais de outras religiões. Nesta viagem ele teve três encontros amigáveis com o Dalai Lama, que ensinou-lhe os princípios básicos do Budismo Tibetano. Depois de visitar o Dalai Lama, Merton viajou para o Sri Lanka, e depois para a Tailândia, onde sua jornada de vida teve um fim súbito.


Em 10 de dezembro de 1968, na data exata do aniversário de sua entrada no mosteiro de Getsêmani, ele morreu em um estranho acidente elétrico em Bangkok. Numa ironia final, o corpo deste monge que havia elevado sua voz contra a Guerra do Vietnã, foi enviado de volta aos Estados Unidos a bordo de um avião que levava os corpos daqueles mortos naquela guerra.


Merton: Um Modelo de Como Buscar Uma Vida Completamente Espiritual


Talvez o maior desafio que os cristãos devam enfrentar neste novo milênio seja o de como proteger nossas vidas contra a divisão em partes distintamente seculares e espirituais. A pessoa profundamente espiritual logo descobre que é impossível separar espiritualidade de nossas vidas diárias. Como Thomas Merton tão bem compreendeu, o mundo persistentemente nos convida a abandonar nossos princípios fundamentais e nossas práticas espirituais para que abracemos os princípios seculares da eficiência, velocidade, e mais ganhos. Nós não podemos abandonar este mundo secular, mas Merton mesmo nos provê um modelo de como se buscar uma vida que seja completamente espiritual dentro daquele exigente contexto secular.


Deus nos chama a não limitarmos nossa espiritualidade às manhãs de domingo, e aos poucos momentos no dia quando damos graças ou fazemos nossas orações antes de dormir. Deus torna-se nosso(a) amigo(a) com um chamado à vida que é infusa com amor transcendente. Quando devolvemos aquele amor, logo descobrimos que estamos integralmente conectados a todos os outros seres humanos – na realidade, à toda a criação de Deus. E essa visão de conectividade inevitavelmente nos leva a ser o Reino de Deus para o mundo ao nosso redor.


Thomas Merton tentou caminhar numa jornada que o levaria a um destino onde ele poderia completamente integrar à sua vida o amor à Deus, compaixão pelos outros, e união com homens e mulheres de todas as crenças. Ele nunca alcançou aquele nível de integração plena, como nenhum de nós alcançará nesta vida, mas para ele e para nós a jornada é o destino. Ele escreve: “Nossa vocação não é simplesmente de sermos, mas de trabalharmos juntos com Deus na criação de nossa própria vida, nossa própria identidade, nosso próprio destino.” (Merton, Thomas. New Seeds of Contemplation. NY: New Directions, 1962: 30)


Significa muito termos o exemplo de alguém que não apenas tenha dito o que tinha de ser dito, mas que tenha vivido o que tinha de ser vivido. Como Matthew Kelty, um monge da Abadia do Getsêmani, disse sobre Merton no trigésimo aniversário de sua morte: “(Merton) é patrono de todos os que amam a Deus, dos que vão fundo em busca de sua luz e beleza, dos que fazem sua vontade, seja ela qual for ou quando for. Em tal empreendimento, Merton é nosso amigo e advogado. E protetor. E guia.” (Kelty, Matthew. Touched by Fire: An Anniversary Homily – The Merton Seasonal. 24:1, Spring 1999: 17.)


Senhor Meu Deus, não tenho idéia de onde estou indo. Não vejo a estrada diante de mim. Não posso saber ao certo onde ela vai acabar. Nem realmente conheço a mim mesmo, e o fato de que eu penso que estou seguindo a tua vontade não significa que eu realmente esteja. Mas creio que o desejo de te agradar realmente te agrade. E eu espero ter esse desejo em tudo o que faço. Espero nunca fazer nada sem esse desejo. E eu sei que se fizer isso, guiar-me-ás pelo caminho certo, mesmo que não saiba nada sobre ele. Portanto, sempre confiarei em ti, mesmo que pareça estar perdido à sombra da morte. Não temerei, pois sempre estás comigo, e nunca permitirás que eu enfrente meus perigos sozinho. (Merton, Thomas. Thoughts in Solitude. NY: Farrar, Straus and Giroux, 1958: 83.)



Obras Selecionadas Escritas Por e Sobre Thomas Merton (Todas em Inglês):


-Uma excelente breve introdução à Merton em suas próprias palavras:

Thomas Merton: Essential Writings. Christine M. Bochen, ed. Maryknoll, NY: Orbis Books, 2000.


-A Biografia Autorizada:

The Seven Mountains of Thomas Merton. Michael Hott. NY: Harvest Books, 1999.


-O livro mais famoso de Merton:

The Seven Storey Mountain. Harvest Books, 1999.


-Pesquisa sobre Merton, além de ensaios escritos por ele ou inspirados nele:

The Merton Seasonal: A Quarterly Review. (Telefone de contato nos Estados Unidos (502) 452-8187.)


-Uma linda seleção dos escritos de Merton, tirados de seus diários:

The Intimate Merton: His Life from His Journals. Patrick Hart and Jonathan Montaldo, eds. San Francisco: HarperSanFrancisco, 1999.)


-Alguns outros livros importantes escritos por Merton:

Conjectures of a Guilty Bystander. NY: Doubleday, 1966.


Faith and Violence: Christian Teaching and Christian Practice. Notre Dame, IN: University of Notre Dame Press, 1968.


New Seeds of Contemplation. Norfolk, CT: New Directions, 1962.


The Road to Joy: Letters to New and Old Friends. Robert E. Daggy, ed. NY: Farrar, Straus, Giroux, 1989.


Thoughts in Solitude. NY: Farrar, Straus & Cudahy, 1958.


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